O governo federal decidiu antecipar o início do fornecimento de energia de cinco contratos de leilões de reserva de capacidade na modalidade energia e de um contrato na modalidade potência, diante dos efeitos do fenômeno El Niño (leia mais abaixo).
A medida acrescentará 1,8 gigawatt (GW) ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de setembro. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (22) pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE).
🔎 O El Niño é um fenômeno climático marcado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera os padrões do clima no mundo. Ele acontece com frequência a cada dois a sete anos. No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.
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Em nota, o comitê afirmou que a antecipação dos contratos é “fundamental para garantir a segurança do sistema elétrico brasileiro em 2026 e no início de 2027”, especialmente em razão dos possíveis impactos do El Niño.
Segundo o CMSE, parecer emitido pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em julho apontou uma “elevada probabilidade” de ocorrência do fenômeno.
🔎O El Niño tende a reduzir a disponibilidade de geração de energia na região Norte e, ao mesmo tempo, elevar a demanda por eletricidade em razão do aumento das temperaturas.
O cenário geopolítico, marcado pela guerra no Oriente Médio, também pesou na decisão. De acordo com o comitê, a antecipação dos contratos considera as incertezas provocadas pelos conflitos.
“A decisão para antecipar os contratos também se baseou nas incertezas geopolíticas ocasionadas pelo atual cenário de guerras, que podem impactar diretamente os preços de combustíveis. De acordo com estudos elaborados pelo MME, a utilização de usinas sem contrato (merchant) para suprimento de carga custam, no mínimo, 25% a do que as contratadas nos certames”, acrescentou o comitê, em nota.
Linha de transmissão de energia, em Brasília.
Ueslei Marcelino/ Reuters
Alerta El Niño
Segundo alerta da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência das Nações Unidas responsável por acompanhar o clima, a tendência é que o El Niño se intensifique ao longo do segundo semestre e atinja o pico entre novembro e fevereiro de 2027.
Ela alertou que o fenômeno eleva as chances de secas e chuvas intensas, além de ondas de calor tanto em áreas continentais quanto nos oceanos.
As projeções dos principais centros meteorológicos indicam um aquecimento expressivo das águas do Pacífico equatorial, especialmente nas porções central e leste do oceano.
Em algumas das áreas usadas para monitorar o fenômeno, a temperatura da superfície do mar pode ficar mais de 2°C acima da média.
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