O técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, incluiu o Neymar, do Santos, em sua convocação durante a coletiva de imprensa.
Reuters/Ricardo Moraes
A convocação dos 26 jogadores que vão representar a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026 movimentou o mercado publicitário e deve render ganhos aos atletas da seleta lista do treinador Carlo Ancelotti.
O próprio formato de divulgação dos nomes relacionados ao Mundial, realizado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) na última segunda-feira (18), foi um indicativo do que o esporte se transformou quando o assunto é marketing e engajamento de empresas.
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Em um megaevento no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro — com estimativa de mais de mil convidados e cerca de 700 jornalistas credenciados — diversas companhias aproveitaram para ativar suas marcas e surfar a onda do ato inicial do maior torneio esportivo do mundo.
O movimento, claro, também ocorreu na televisão e nas redes sociais. Neymar, o jogador mais midiático do futebol brasileiro, foi o grande destaque em ações de marketing, em meio a dúvidas sobre a presença do atacante do Santos na lista de Ancelotti.
🔎 Além dele, outros três convocados participaram de iniciativas publicitárias, mostra levantamento da consultoria de análise de dados Bites (veja abaixo). Recorte considera o período entre segunda-feira (18), dia do anúncio, e quarta (20).
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que ganhos com publicidade tendem a crescer quando atletas são selecionados para competições de enorme visibilidade, como a Copa do Mundo. Além das ações imediatas e gatilhos contratuais, há benefícios também no longo prazo. (leia mais abaixo)
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Publi dos convocados
Sozinho, Neymar emplacou seis posts no Instagram com cinco marcas diferentes logo após o anúncio: Red Bull (dois vídeos), Canção Alimentos, Mercado Livre, Puma e Loovi. Além disso, publicou um story da Blaze. Todas já mantinham parceria com o atleta.
Vinícius Júnior, atacante do Real Madrid e nome que já era certo na Copa, comemorou a convocação com uma publicidade da Vivo, empresa com a qual também já tinha parceria.
O jovem talento Endrick, por sua vez, fez uma ação no Instagram com a Neosaldina — marca com a qual também já possui contrato — logo após a divulgação da lista.
Enquanto isso, a novidade veio do volante Casemiro, homem de confiança de Carlo Ancelotti, anunciado como embaixador da companhia aérea Azul ao longo da Copa.
O jogador repostou, nos stories, uma publicação da empresa sobre a parceria. Além de escolher o atleta do Manchester United como embaixador, a companhia já havia anunciado, em abril, acordo de patrocínio com a CBF até 2030.
Veja abaixo como a convocação movimentou o marketing esportivo entre os atletas.
Ao menos 4 jogadores convocados participaram de ações de marketing.
Arte/g1
Se já tinham parceria, como funcionam os ganhos?
Algo em comum entre os jogadores que fizeram publicidade nas redes é o fato de as ações terem ocorrido com empresas das quais eles já eram parceiros, seja por patrocínio esportivo ou por contratos de embaixador de marca.
O especialista em marketing esportivo Idel Halfen explica que é difícil mensurar os ganhos nesses casos, já que, na prática, pode haver diferentes formas de remuneração — a depender do que consta em cada contrato. Alguns já preveem, por exemplo, gatilhos por performance.
“Pode até ser que já exista algum tipo de bonificação pelos resultados obtidos. Uma coisa é a marca patrocinar um jogador que não vai ser convocado e outra, um que vai para a Copa. Em muitos casos, há uma premiação por isso”, diz.
Os gatilhos contratuais estão relacionados, principalmente, à grande exposição do atleta em eventos como a Copa. “Na prática, a convocação gera exposição, crescimento digital e, consequentemente, maior interesse comercial”, acrescenta.
O movimento também encarece a imagem do atleta, o que pode garantir maior rentabilidade em futuras parcerias.
Apesar de o destaque publicitário inicial ter ido para Neymar, Vinícius Júnior e Endrick — que estão, atualmente, entre os atletas mais midiáticos da seleção brasileira —, os outros jogadores também deverão ser beneficiados pela visibilidade.
Redes sociais impulsionam ganhos
Os benefícios também passam pelos números nas redes sociais. A convocação rendeu a Neymar 2,1 milhões de novos seguidores no Instagram até a última quarta-feira (20). O jogador lidera a lista de ganhos, seguida pelo perfil oficial da CBF (+684 mil) e pelo de Endrick (+620,6 mil).
Dados levantados pela consultoria de dados Bites mostram que a convocação rendeu oito milhões de publicações sobre o assunto em diferentes redes sociais, incluindo Instagram, Facebook, TikTok e LinkedIn. O número de interações superou 372 milhões.
“Na prática, isso mostra como o futebol ainda é um dos grandes motores das redes. Ele ainda chama mais atenção do que política, cinema e, muitas vezes, até TV”, analisa André Eler, diretor técnico da Bites.
Veja os detalhes abaixo:
Perfis que mais cresceram após a convocação.
Arte/g1
Para Renê Saviano, especialista em marketing esportivo e CEO da agência Heatmap, a tendência é que novos contratos de publicidade já comecem a surgir para os atletas convocados. “Não tenho dúvidas de que muitas novas marcas já procuraram figuras como o Neymar”, diz.
“Empresas vão aproveitar o gancho da Copa. Uma cota de publicidade da FIFA, por exemplo, é muito cara. Da CBF talvez nem tenha mais, porque várias marcas já compraram. Então, o atleta se torna um ativo comercial para marcas que querem gerar conversa com o público durante o Mundial”, diz.
Ele afirma que, além do potencial comercial, a convocação reforça o poder de influência dos atletas, que passam a ter maior engajamento do público nas redes — com impactos também no longo prazo.
Idel Halfen reforça que os valores pagos pelos vídeos publicitários nas redes dependem, principalmente, pela quantidade de seguidores e de interações.
“Então, quando você é convocado, aumenta seu engajamento e seu número de seguidores. Isso tem um preço”, conclui.
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