Cuiabá/MT, 26 de julho de 2026.

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GWM Haval H6 ainda vale a compra? Veja o teste e por que ele perdeu a liderança para a BYD




O que o Haval H6 tem de especial?
O GWM Haval H6 chegou ao Brasil em 2023 e, no ano seguinte, conquistou um lugar de destaque no segmento mais pujante do mercado automotivo: tornou-se o carro híbrido mais vendido do país, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
Mas o reinado durou pouco. Em 2025, a linha Song, da rival BYD, assumiu a liderança. Hoje, o Song Plus (R$ 249.990) e o Song Pro (a partir de R$ 189.990) vendem, juntos, cerca de 50% a mais que a linha H6. (veja o ranking abaixo)
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O consultor automotivo Milad Kalume Neto disse ao g1 que a perda de espaço do modelo da GWM é resultado de uma combinação de fatores. O principal deles é o preço: o BYD Song Pro parte de R$ 189.990, R$ 9.910 a menos que a versão mais barata do H6 — e R$ 60 mil a menos que o H6 com mesmo sistema híbrido plug-in.
Mas, segundo o consultor, a montadora também demorou a renovar seu portfólio. “A BYD teve um portfólio mais amplo de produtos. A GWM ficou muito ‘presa’ apenas ao H6”, afirma Kalume Neto.
Ele também destaca que o marketing mais agressivo da BYD, aliado a uma rede maior de concessionárias no Brasil, aproximou os consumidores da marca mais do que da GWM.
“A GWM inicialmente tinha um conjunto mecânico muito superior ao da BYD. Com a adoção do motor turbo, a BYD conseguiu se aproximar do desempenho do H6”, diz o consultor.
Entre pontos fortes e fracos, ainda vale a pena apostar no H6? O g1 avaliou o SUV e responde às seguintes perguntas:
O H6 ainda vende bem?
No que ele é melhor que os concorrentes?
No que ele fica para trás?
Como é o desempenho do carro?
Como ele se sai em espaço interno e conforto?
Pra quem ele é? Compro ou vejo outro?
Haval H6 PHEV19
divulgação/GWM
O H6 ainda vende bem?
O fato de o Haval H6 ter perdido a liderança no ranking dos carros híbridos mais vendidos do Brasil não significa que o modelo esteja vendendo mal.
Entre janeiro e junho de 2026, o modelo teve 36% menos emplacamentos que a família BYD Song. Mesmo assim, a linha H6 registrou mais que o dobro dos emplacamentos do terceiro colocado, o Omoda 5:
BYD Song: 31.538 unidades emplacadas;
Haval H6: 20.142 unidades emplacadas;
Omoda 5: 9.184 unidades emplacadas;
Toyota Corolla Cross: 8.721 unidades emplacadas;
BYD King: 8.205 unidades emplacadas.
A série histórica mostra que o ritmo de crescimento do Haval H6 se manteve semelhante nos últimos três anos, considerando os seis primeiros meses de cada período.

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No que ele é melhor que os concorrentes?
Começando pelos predicados, o GWM Haval H6 chama a atenção nas ruas. O visual imponente, com carroceria robusta, capô elevado e grade frontal ampla, reforça essa impressão.
Os elementos da dianteira são bem marcados e a iluminação em LED que se estende pelas laterais, contribui para que o carro pareça maior do que realmente é.
O Haval H6 testado pelo g1, a PHEV19 (R$ 250.000), tem boa lista de equipamentos e oferece itens semelhantes aos dos principais concorrentes, como:
6 airbags;
Teto solar panorâmico;
Painel de instrumentos digital;
Projeção de informações no para-brisa;
Central multimídia grande, com 14,5 polegadas;
Câmera em 360 graus;
Sistema de direção semiautônoma com piloto automático adaptativo e sistema de permanência em faixa;
Sensor de chuva;
Porta-malas com abertura automática;
Banco do motorista com ajustes elétricos.
Porém, o Haval H6 vai além e conta com reconhecimento facial do motorista. Com esse recurso, o carro salva automaticamente as preferências de cada usuário cadastrado, como as configurações dos assistentes de condução, da central multimídia e a posição do banco.
O Haval H6 também oferece um assistente que faz toda a manobra de baliza. O motorista precisa apenas passar pela vaga e escolher qual deseja utilizar.
Para fechar a lista de pontos positivos, o Haval H6 tem o maior porta-malas entre os principais concorrentes. São 560 litros de capacidade, ante 552 litros do BYD Song Plus, 520 litros do BYD Song Pro e 500 litros do Jaecoo 7.
O espaço do Haval H6 é suficiente para acomodar oito malas de bordo, aquelas que podem ser levadas na cabine do avião.
GWM Haval H6 PHEV19
divulgação/GWM
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No que ele fica para trás?
No geral, o Haval H6 tem poucos pontos negativos, e isso fica evidente pelo crescimento constante dos emplacamentos desde o lançamento no Brasil. O principal deles está relacionado à segurança e exige um período de adaptação maior do que o de outros carros.
Ele aparece na seta e, diferentemente dos concorrentes e da maioria dos carros vendidos hoje, o Haval H6 usa uma haste que precisa ser retornada manualmente depois de indicar uma curva.
Durante o teste, a reportagem sinalizou acidentalmente uma conversão para a direita ao tentar desligar a seta da esquerda — e vice-versa. Esse tipo de erro aconteceu mais de uma vez.
Outros focam em tecnologias com falhas. Um aparece no sistema de ar-condicionado. Ele resfria bem a cabine, mesmo em dias mais quentes, mas a temperatura escolhida pelo motorista raramente é respeitada.
No teste, a reportagem ajustou o ar-condicionado para 22 °C. Mesmo assim, o sistema manteve a cabine visivelmente mais fria o tempo todo. Foi necessário ligar e desligar o ar-condicionado manualmente com frequência, apesar de ele estar no modo automático.
Esse problema, assim como o da seta, já apareceu em outros carros da GWM. A reportagem observou o mesmo comportamento no Ora 03, no Tank 300 e até no Ora 5, durante um teste realizado em uma tarde quente na China.
O segundo envolve o sistema de direção semiautônoma. Ele funciona corretamente e detecta as faixas para manter o carro centralizado, mesmo quando elas estão menos visíveis. Mas a quantidade de alertas e algumas intervenções do sistema acabam mais atrapalhando do que ajudando.
Por padrão, o H6 emite um alerta sonoro sempre que o piloto automático é desativado, seja por ação do motorista ou do próprio veículo. Além disso, o sistema também avisa por voz que o recurso foi desligado. Ou seja, o motorista recebe os dois avisos ao mesmo tempo.
É possível desativar os avisos por voz, mas não o alerta sonoro. Também não é possível desativar a desaceleração do Haval H6 quando o sistema alerta o motorista para manter as mãos no volante.
Em outros veículos, chineses ou não, essa desaceleração só acontece depois que o sistema insiste por mais tempo para que o motorista mantenha as mãos no volante.
Com isso, em alguns trechos de estrada, mesmo com o Haval H6 ajustado para a velocidade permitida da via, ocorreram desacelerações involuntárias. Nessas situações, o carro reduzia a velocidade de forma inesperada, aumentando o risco de aproximação do veículo que vinha logo atrás.
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Como é o desempenho do carro?
A GWM foi rápida em adaptar seus carros ao gosto do brasileiro, que prefere veículos com suspensão mais firme. É o caso do Haval H6 avaliado, que já havia recebido um bom acerto anteriormente e agora mantém essa característica.
O comportamento do carro é bom tanto em altas quanto em baixas velocidades. Mesmo sendo um SUV alto, ele passa segurança nas curvas e mantém o conforto.
No motor, o conjunto híbrido plug-in reúne uma das principais qualidades dos carros elétricos: respostas rápidas nas arrancadas, em qualquer situação. Além disso, o motor turbo entrega força em rotações mais baixas, o que reduz o ruído dentro da cabine.
Mesmo em uma subida, com quatro adultos a bordo e o ar-condicionado ligado, o conjunto manteve o bom desempenho. A reportagem fez o teste tanto com a bateria cheia quanto após uma viagem longa, sem recarga para além do freio regenerativo.
O próprio sistema do H6 manteve uma carga mínima, em torno de 20%, para preservar o bom desempenho do motor elétrico nas arrancadas e ultrapassagens. Para isso, parte da potência do motor a combustão é usada para recarregar as baterias — o desvio de potência não chegou a ser perceptível.
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Como ele se sai em espaço interno e conforto?
Mesmo com parte da dianteira do H6 ocupada pelo motor a combustão e por componentes do sistema elétrico, o que toma espaço para quem senta nos bancos, nenhum dos ocupantes viajou com desconforto durante o teste.
Até mesmo uma pessoa com mais de 1,90 metro de altura, sentada no banco traseiro, ficou com mais de um palmo de espaço até o banco da frente. O espaço para a cabeça, mesmo com o teto solar panorâmico, também agradou.
No acabamento, o H6 segue o padrão das marcas chinesas nessa faixa de preço: a maior parte da cabine é revestida com materiais macios ao toque. A única exceção está em uma pequena área da porta traseira, na parte superior e próxima ao vidro, longe de onde os ocupantes costumam apoiar o braço.
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Pra quem ele é? Compro ou vejo outro?
O GWM Haval H6 agrada pelo conjunto da obra. A lista de equipamentos está alinhada à da concorrência, e o modelo se beneficia de estar no Brasil desde 2023, o que garante uma marca que já escutou reclamações e elogios dos clientes.
O utilitário é fabricado em Iracemápolis (SP) e pode ser abastecido com etanol por ser flex.
Ele se destaca para quem prefere um carro de porte mais imponente, mas sem o visual de um jipão, como aposta o Jaecoo 7.
Também oferece mais tecnologia que os concorrentes, principalmente pelo estacionamento autônomo, pela projeção de informações no para-brisa e pela central multimídia, que funciona sem travamentos.
Porém, o H6 cobra por tudo isso e está entre os mais caros da categoria. Cerca de R$ 60 mil abaixo dele estão o Jaecoo 7 (a partir de R$ 189.990) e o BYD Song Pro (entre R$ 189.990 e R$ 199.990).
Tanto o Jaecoo 7 quanto o BYD Song Pro oferecem menos recursos, mas custar 24% menos pode fazer diferença na hora da compra. O modelo da BYD fica atrás em potência, torque e capacidade do porta-malas, enquanto o Jaecoo 7 entrega uma ficha técnica mais próxima do Haval H6. (veja a ficha abaixo)
Considerando o perfil de quem deve comprar esse tipo de carro, tanto o Haval H6 quanto os híbridos BYD Song e Jaecoo 7 atendem bem a uma família com até dois filhos. Os três são espaçosos, têm porta-malas suficiente para acomodar algumas malas e oferecem conforto para viagens longas.
Eles também permitem economizar combustível mesmo quando a bateria está descarregada, já que o motor a combustão pode direcionar parte da potência para recarregá-la durante o uso.
Para quem prioriza tecnologia mais avançada e um porta-malas maior: o Haval H6 PHEV19 testado é o destaque.
Para quem prefere um visual mais moderno e quer fazer viagens curtas usando apenas o modo elétrico, o BYD Song Plus atende melhor.
O Haval H6 PHEV19 não oferece essa possibilidade. Já o Haval H6 PHEV35 entrega esse desempenho, mas custa R$ 290 mil e entra como o modelo mais caro deste comparativo.

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