Veja os vídeos que estão em alta no g1
Em meio ao aumento das expectativas de inflação e ao escrutínio sobre decisões de política monetária, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (9) que a instituição não está disponível para negociar seu mandato.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
A declaração foi feita durante participação na Premiação Anual Rankings Top 5 2025 — evento promovido pelo BC para reconhecer as instituições que mais acertaram projeções do Boletim Focus.
Segundo Galípolo, a autonomia da instituição vai além de dispositivos legais e está relacionada à capacidade do Banco Central de preservar seu mandato e tomar decisões técnicas, mesmo diante de pressões externas.
“A autonomia significa algo que é muito caro ao Banco Central, que é não estar disponível para negociar seu mandato.”
Ele acrescentou que fortalecer a estrutura institucional do órgão é fundamental para garantir que decisões técnicas não sofram consequências políticas no futuro.
Galípolo também afirmou que a autonomia envolve uma postura institucional dentro do próprio Banco Central, que inclui reconhecer problemas internos quando necessário.
O tema da autonomia do BC ganhou ainda mais relevância após episódios recentes envolvendo a instituição.
É o caso das investigações da Política Federal na Operação Compliance Zero, por exemplo, que analisa possíveis irregularidades envolvendo o sistema financeiro.
A terceira fase da operação, deflagrada neste ano, por exempo, apontou a participação de servidores do BC em um esquema liderado pelo Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro.
“Quando tiver alguma coisa errada ter a coragem de apontar o que é de errado dentro do Banco Central e não só pedir desculpas, mas cortar na carne.”
Expectativas do mercado e política monetária
Além de reforçar a defesa da autonomia do BC, Galípolo também comentou o papel das expectativas do mercado financeiro, por meio do Boletim Focus, nas decisões de juros feitas pela instituição.
“As expectativas são sempre muito relevantes na condução da política monetária, mas em momentos como esse, fica ainda mais [evidente a importância de o BC analisar] as projeções como uma referência importante sobre aquilo que vai acontecer no desdobramento da economia.”
O presidente do Banco Central destacou que a pesquisa semanal funciona como uma espécie de retrato de como economistas e agentes financeiros enxergam o cenário econômico.
Segundo ele, essa percepção influencia decisões de consumo, investimento e formação de preços — fatores que acabam impactando a própria dinâmica da economia.
“São essas decisões, tomadas a partir da percepção atual, que vão moldar o futuro.”
Inflação em alta nas projeções
As declarações ocorrem em um momento em que as expectativas de inflação voltaram a subir nas projeções do mercado financeiro.
De acordo com o boletim Focus divulgado na segunda-feira (6), analistas elevaram, pela quarta semana consecutiva, a previsão para o índice oficial de inflação neste ano. A estimativa para o IPCA passou de 4,31% para 4,36%.
O levantamento do Banco Central é elaborado com base em projeções de mais de 100 instituições financeiras.
Segundo analistas do mercado, parte da revisão está associada à recente alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. A valorização da commodity pode pressionar os preços dos combustíveis e, consequentemente, a inflação no Brasil.
Para os anos seguintes, o Focus também registrou ajustes nas estimativas. A previsão de inflação para 2027 subiu de 3,84% para 3,85%, enquanto a projeção para 2028 passou de 3,57% para 3,60%. Já a projeção para 2029 permaneceu em 3,50%.
Desde o ano passado, o país opera sob um sistema de meta contínua de inflação, cujo objetivo é manter o índice em 3% ao ano, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante sua sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, em Brasília, nesta terça-feira, 08 de outubro de 2024. Galípolo reconheceu que há anos as projeções de crescimento do Brasil vêm sendo revistas “sistematicamente ao longo do ano para cima, surpreendendo positivamente em relação a crescimento”.
CLÁUDIO REIS/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO
Source link












