O ex-presidente da Evergrande, Xu Jiayin, em 2012
AFP
O fundador do grupo imobiliário chinês Evergrande se declarou culpado das acusações de fraude e suborno, informou um tribunal chinês nesta terça-feira (14).
“Xu Jiayin se declarou culpado e manifestou arrependimento no tribunal”, diz comunicado do Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen, na província de Guangdong, no sul do país.
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Xu foi detido pela polícia em 2023. Na época, a Evergrande informou que ele havia sido submetido a medidas restritivas por suspeita de crimes.
A Evergrande já foi a maior incorporadora da China, impulsionada por décadas de rápida urbanização e melhora das condições de vida no país. No entanto, entrou em colapso em 2021, após anos de dificuldades para administrar sua elevada dívida.
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Segundo o tribunal, a audiência ocorreu na segunda (13) e na terça-feira (14).
Entre as acusações estão apropriação indevida de recursos, captação fraudulenta, concessão irregular de empréstimos, uso indevido de verbas, emissão fraudulenta de valores mobiliários, divulgação irregular de informações e corrupção.
O veredicto será anunciado posteriormente.
Crise com impacto global
Prédio da incorporadora Evergrande no centro de Hong Kong, em imagem de arquivo
Bobby Yip/Reuters
A Evergrande colapsou após acumular cerca de US$ 300 bilhões em dívidas, tornando-se um dos principais símbolos da crise imobiliária chinesa.
A companhia chegou a figurar entre as maiores empresas do planeta em receita, segundo a lista Global 500 da revista Fortune.
Fundada em 1996, a empresa expandiu rapidamente suas operações e chegou a ter projetos em cerca de 280 cidades. O grupo também diversificou negócios, com atuação em veículos elétricos, mídia, entretenimento e no futebol, com o Guangzhou Evergrande.
Sem conseguir apresentar um plano viável para reestruturar suas dívidas, a companhia teve as ações retiradas da bolsa de Hong Kong e entrou em processo de liquidação.
A crise atingiu um setor que responde por quase um terço da economia chinesa e é essencial para geração de renda, empregos e formação de patrimônio das famílias.
Com a queda de até 30% nos preços dos imóveis, muitos chineses perderam parte significativa de suas economias, o que pressiona o consumo e o crescimento do país.
Os efeitos se espalharam pelo setor: outras incorporadoras também passaram a enfrentar dificuldades, elevando o risco de novas falências e cortes de empregos.
Apesar das medidas adotadas pelo governo para estimular a economia e o mercado imobiliário, a recuperação tende a ser gradual. Analistas avaliam que o setor ainda deve passar por anos de ajustes, enquanto a China busca reduzir sua dependência do segmento imobiliário.
Com informações da France Presse*
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