Startup busca pessoa disposta a provocar erros e testar os limites de sistemas de inteligência artificial.
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Você já perdeu a paciência com uma inteligência artificial que esqueceu o que você acabou de dizer? Já precisou repetir a mesma pergunta várias vezes até receber uma resposta adequada? Se a resposta for sim, você pode ser o candidato ideal para um trabalho bastante incomum — e bem pago.
Uma startup de inteligência artificial está disposta a pagar cerca de R$ 4 mil por um único dia de trabalho a quem aceitar a função de provocar, criticar e apontar erros nas respostas de chatbots.
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A empresa dos EUA Memvid abriu uma vaga com um título curioso: “agressor profissional de IA”. A pessoa contratada deverá testar, provocar e identificar falhas nas respostas de sistemas de inteligência artificial, especialmente problemas de memória e perda de contexto ao longo das conversas.
O anúncio foi publicado no LinkedIn por Jeremy Boudinet, consultor da empresa, que ressaltou que o cargo não é uma piada.
“A Memvid está contratando um bully profissional de IA. Não estou brincando. Esse é o título oficial do cargo”, escreveu.
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De acordo com o anúncio, a função consiste em interagir com sistemas de inteligência artificial durante oito horas seguidas e registrar todos os momentos em que eles cometem erros.
O pagamento oferecido é de US$ 100 por hora, totalizando US$ 800 ao fim do dia, o equivalente a mais de R$ 4,1 mil.
Entre as tarefas estão:
Fazer perguntas repetidas e várias vezes à IA;
Pedir que o sistema memorize informações;
Verificar se a inteligência artificial consegue lembrar do que foi dito anteriormente;
Registrar casos em que a IA perde o contexto da conversa;
Documentar situações em que o sistema pede que o usuário repita algo ou responde de forma incoerente.
No próprio anúncio, Boudinet descreve o trabalho de forma bem-humorada: a pessoa passará “oito horas gritando com inteligências artificiais” enquanto registra cada falha dos sistemas.
A vaga não exige formação na área de tecnologia nem experiência prévia com inteligência artificial.
Entre as qualificações mencionadas no anúncio estão:
Histórico pessoal de frustração com tecnologia;
Paciência para repetir a mesma pergunta diversas vezes;
Irritação quando a IA continua errando.
“Não é necessário ter experiência prévia em bullying com IA”, afirma o anúncio.
Os candidatos também precisam ter mais de 18 anos, aceitar ser gravados durante os testes e concordar que o vídeo possa ser usado posteriormente pela empresa.
Ao Business Insider, a Memvid afirmou que pretende contratar inicialmente apenas uma pessoa para a função, mas não descarta ampliar a iniciativa no futuro.
A vaga, segundo a startup, foi criada para testar um desafio comum nesses sistemas: a limitação de memória em conversas longas.
A iniciativa também funciona como estratégia de marketing. A Memvid quer chamar a atenção para as limitações de memória das IAs e mostrar, na prática, que muitos sistemas ainda esquecem informações importantes ao longo de uma conversa.
O CEO da empresa, Mohamed Omar, afirmou ao site que a abordagem permite testar as soluções da startup em situações reais e, ao mesmo tempo, engajar o público de forma criativa.
A Memvid desenvolve ferramentas que prometem oferecer memória mais estável para sistemas de inteligência artificial. Essas tecnologias podem ser aplicadas em setores como recrutamento e saúde, onde é essencial lidar com grandes volumes de informação sem perder o contexto.
No fim das contas, a vaga tem dois objetivos: identificar falhas nas IAs atuais e chamar a atenção para uma solução que promete resolver esse problema.
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