Cuiabá/MT, 9 de março de 2026.

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Combustível vai aumentar no Brasil? Entenda o impacto da alta do petróleo com a guerra no Irã




Conflito no Oriente Médio: o papel estratégico do Estreito de Ormuz
Desde o início da guerra envolvendo Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, o preço do petróleo já ultrapassou os US$ 100 por barril, atingindo o maior nível desde fevereiro de 2022, quando começou o conflito entre Rússia e Ucrânia.
A alta ocorre em meio à intensificação dos ânimos, que envolve países e rotas estratégicas para a produção e o transporte de petróleo e gás. Isso porque o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais vias globais de escoamento da commodity, aumentou o temor de restrições na oferta mundial de petróleo e de diversos produtos derivados da matéria-prima.
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No Brasil, além dos impactos indiretos sobre transporte, indústria e agronegócio, a alta do petróleo também pode pressionar os preços dos combustíveis e da energia. O g1 consultou analistas para avaliar se esse movimento pode levar a um reajuste nos combustíveis.
Petróleo sobe, mas gasolina e diesel seguem quase estáveis
Apesar a dalta recorde no petróleo com o início da guerra no Irã, os preços dos combustíveis registraram leve alta no Brasil nos últimos dias.
🚗 Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a gasolina passou de R$ 6,28 para R$ 6,30 entre a última semana de fevereiro e 7 de março, enquanto o diesel subiu de R$ 6,03 para R$ 6,08 no mesmo período.
Segundo especialistas, a alta do petróleo no mercado internacional poderia gerar reajustes maiores nos combustíveis. No entanto, esses aumentos não costumam ocorrer de forma imediata, já que a política atual da Petrobras permite amortecer parte da volatilidade externa no curto prazo.
🔎 Desde 2023, quando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva abandonou a política de paridade de importação (PPI), a Petrobras passou a adotar um modelo de preços que considera uma combinação de fatores, como as cotações internacionais, os custos de produção e as condições do mercado interno.
💰 Por isso, a companhia ajusta os preços de forma mais gradual, sem seguir automaticamente as oscilações do mercado internacional. Na prática, isso significa que altas ou quedas do petróleo nem sempre são repassadas imediatamente ao consumidor.
De acordo com Marcos Bassani, analista de investimentos e sócio da Boa Brasil Capital, a nova política de preços reduziu a frequência de reajustes.
“Quando o petróleo sobe rapidamente, os combustíveis no Brasil podem ficar temporariamente mais baratos que no mercado internacional. Isso mostra que a Petrobras está absorvendo parte do choque externo para evitar aumentos abruptos”, afirma.

Como o petróleo influencia o preço dos combustíveis
O preço do petróleo costuma impactar os combustíveis porque ele é a principal matéria-prima usada na produção de gasolina e diesel. Como a commodity é negociada globalmente em dólar, a alta do barril ou da moeda americana tende a elevar os custos.
Ainda assim, o petróleo não é o único fator que determina o valor pago pelo consumidor. Segundo a Petrobras, o preço final também inclui impostos, a mistura obrigatória de biocombustíveis e os custos de transporte, distribuição e revenda.
No caso da gasolina, por exemplo, a parcela ligada à Petrobras representa cerca de 28,7% do preço final. Considerando o preço médio nacional recente de R$ 6,30 por litro, segundo a ANP, isso equivale a cerca de R$ 1,81.
O restante corresponde a impostos federais e estaduais, à mistura de etanol anidro e aos custos de distribuição e venda até chegar aos postos.
No diesel, a participação da Petrobras é maior: cerca de 46% do preço final. Em um valor médio de R$ 6,08 por litro, isso representa aproximadamente R$ 2,80, enquanto o restante inclui impostos, biodiesel e despesas logísticas.
Há limites para segurar os preços?
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Marcelo Camargo/Agência Brasil
Embora a política atual da Petrobras permita atrasar parte dos repasses, analistas destacam que essa estratégia tem limites.
“Se o petróleo permanecer alto por muito tempo, a Petrobras tende a reajustar os preços para recuperar margens”, diz Bassani.
Outro fator de pressão é a dependência brasileira de importações, especialmente de diesel. Se a diferença entre os preços domésticos e internacionais ficar muito grande, importadores podem reduzir a oferta no país.
Para Johnny Martins, vice-presidente do SERAC, conflitos em regiões produtoras costumam provocar alta global do petróleo e aumentar a volatilidade dos mercados. “Qualquer risco de interrupção de produção, transporte ou exportação gera insegurança. E quando há insegurança, o preço sobe”, afirma.
Segundo ele, como o petróleo é negociado em dólar, altas no barril ou na moeda americana elevam o custo dos combustíveis e acabam afetando toda a cadeia produtiva, especialmente transporte e logística. Com o diesel mais caro, por exemplo, o frete aumenta — o que pode elevar o preço final de produtos e serviços para o consumidor.
Na avaliação de João Abdouni, analista da Levante Inside Corp, a Petrobras pode continuar segurando parte dos repasses enquanto aguarda uma estabilização das cotações.
“A empresa tende a esperar antes de realizar reajustes, que podem ocorrer ao longo dos próximos dias caso os preços se mantenham em patamares mais elevados”, afirma.



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