Cuiabá/MT, 6 de março de 2026.

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Saiba o que pode levar à rejeição de animais em um grupo


Na semana passada, as imagens de um macaco filhote buscando a companhia de um bicho de pelúcia após ser rejeitado pela mãe e por outros indivíduos do grupo viralizaram na internet. As cenas ocorreram no zoológico de Ichikawa, no Japão. O bebê primata batizado como Punch ficou mundialmente conhecido e pessoas passaram até a torcer para que ele fosse “adotado” por outra família.

Apesar de ter causado revolta e comoção nas redes sociais, especialistas entrevistados pelo Metrópoles apontam que, do ponto de vista biológico, o comportamento é considerado comum. 

“A rejeição de um indivíduo é normal e pode-se dizer até que é uma atitude estratégica. Ela ocorre para garantir a formação de uma prole saudável, com saúde e boa genética. É a famosa seleção natural. Na natureza, não se paga caro por algo que não trará retorno ao bando”, explica a bióloga Kamilla Souza, pesquisadora da Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ) apoiada pelo Instituto Serrapilheira.

A prática ocorre em determinadas situações, seja para tornar a prole mais forte e saudável ou até em conflitos de relacionamento entre os próprios membros. Entre os principais motivos que o indivíduo pode ser expulso do grupo, estão:

  • Seleção de parceiros, na qual a fêmea seleciona o macho que mais demonstra saúde, beleza e vitalidade;
  • Rejeição do filhote após o nascimento, seja pela mãe o considerar fraco ou por ele ter nascido doente;
  • Rejeição de indivíduos idosos, para não tornar o bando mais “fraco” ou vulnerável;
  • Disputas por hierarquia, onde o perdedor é rejeitado pelo grupo;
  • Escassez de recursos;
  • Expulsão por incompatibilidade comportamental, que acontece quando o indivíduo não segue as normas sociais do grupo ou apresenta agressividade excessiva.

Para a ecóloga Morgana Bruno, professora da Universidade Católica de Brasília (UCB), o comportamento faz parte de uma estratégia de otimização que já vem desde o nascimento de certos grupos animais.

“Embora pareça cruel sob uma ótica moral humana, biologicamente, para a espécie, ela é frequentemente adaptativa. Tais comportamentos podem garantir que apenas indivíduos saudáveis e integrados continuem no grupo, minimizando riscos de infecções e garantindo que os recursos limitados sejam usados para perpetuar os genes mais aptos”, defende a especialista.

Imagem colorida mostra animais pequenos em grupo - Metrópoles
Para algumas espécies, viver em grupo ajuda a sobreviver na natureza

Como a rejeição influencia os animais psicologicamente

Na espécie humana, a rejeição provoca uma experiência emocional dolorosa, podendo até causar dor semelhante a um incômodo físico. Mesmo não tendo um cérebro tão desenvolvido como o nosso, os animais também podem ter uma sensação semelhante à dos humanos.

Kamilla afirma que há estudos em primatas comprovando que a rejeição ativa áreas cerebrais associadas ao sofrimento, além de aumentar os níveis do hormônio do estresse, o cortisol. No caso do macaco Punch, ele teve que ser acompanhado de perto pelos especialistas após ter que lidar com a sensação estressante da separação.

“Um outro exemplo interessante de dor social foi o de uma baleia orca que carregou seu filhote morto por dias, algo semelhante a um luto. Golfinhos em cativeiro também apresentam comportamentos de batida de cabeça para se automutilar. É como uma depressão em humanos”, exemplifica a bióloga.

Por que animais vivem em grupo

A junção dos animais na natureza não ocorre de forma aleatória. Viver em grupo é essencial para ter mais chances de escapar quando os predadores atacam. Além disso, quanto mais “braços” para buscar alimento, mais eficiência na caça.

Quando há mais membros na prole, o cuidado parental também é compartilhado. Em lugares de clima frio, estar em grupo é essencial para se aquecer através da proximidade física. Diante de tantos proveitos, os especialistas consideram viver em grupo uma vantagem evolutiva. 

“Vale ressaltar que a rejeição revela que o instinto de sobrevivência do grupo muitas vezes se sobrepõe ao do indivíduo. Na natureza, a moralidade é substituída pela eficiência energética e reprodutiva”, conclui Morgana.



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