Cuiabá/MT, 6 de março de 2026.

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Paleontólogo explica como são definidos os locais para escavar fósseis


Ao navegar pela internet, é fácil encontrar notícias sobre achados arqueológicos. A descoberta de fósseis é essencial para estudar e compreender como eram os hábitos e as características dos habitantes antigos da Terra, sejam humanos ou outros seres vivos.

Porém, para encontrar fósseis, não é só chegar em qualquer local, pegar uma pá e começar a cavar. Na verdade, o processo de busca por  restos mortais, como ossos e dentes, exige estudo, paciência e, por vezes, uma pitada de sorte. 

Como definir lugares para escavar fósseis

Procurar por rochas sedimentares

Para começar, o paleontólogo deve procurar por ambientes com o tipo de rocha mais propício a ter fósseis – a maioria se conserva em rochas sedimentares, que são formadas por camadas de areia, terra e lama ao longo do tempo.

“Embora seja raro, a fossilização também pode acontecer em outros tipos de rocha, como em depósitos de cinzas vulcânicas”, ensina o paleontólogo Julian Silva Junior, da Universidade de São Paulo (USP).

Observar os mapas geológicos

Também é importante estudar os mapas geológicos da região selecionada. Eles são representações cartográficas feitas por geólogos ao longo de décadas e mostram os tipos de rocha, solo e estrutura geológica de cada local.

“É essencial procurar rochas sedimentares que tenham a ‘idade certa’. Ela vai definir o que vamos encontrar: se a busca é por dinossauros, temos que focar no período em que eles existiram, ou seja, nas rochas do Mesozoico. Com isso, já sabemos o que esperar da escavação — afinal, você não vai achar um primata em rochas do Cretáceo, já que esses animais ainda nem existiam na época”, exemplifica Junior.

Nunca descartar locais onde foram feitas descobertas anteriores 

Descobertas anteriores no local investigado e em regiões próximas também podem ajudar a encontrar fósseis. No entanto, mesmo o lugar se encaixando em todos os critérios, os especialistas precisam contar com a ajuda de fatores que fogem do seu controle.

“Uma área pode ter alto potencial fossilífero do ponto de vista geológico, mas se as rochas que contém fósseis estiverem cobertas por água, solo espesso, ou vegetação muito densa, a exploração pode se tornar difícil ou até inviável”, explica o pesquisador Fellipe Muniz, do Laboratório de Paleontologia da USP, em Ribeirão Preto.

Contar com a sorte e ajuda de terceiros

Como tudo na vida, é sempre bom contar com a sorte. Na paleontologia, também não é diferente. Por vezes, em explorações de campo, os especialistas se deparam com achados mais facilitados devido a camadas de terra abertas por outros motivos, como obras. Além disso, curiosos podem encontrar vestígios de fósseis e avisar os pesquisadores. 

“Muitas vezes os fósseis são descobertos durante prospecções por outras razões científicas ou por escavações para outros propósitos, como a abertura de terrenos, estradas, obras em geral, mineração, etc. Nesses casos, os fósseis são descobertos sem querer”, destaca a bióloga Flavia Callefo, pesquisadora do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Lugares no Brasil com mais propensão a ter fósseis

Para ser definido como um local propício para o encontro de fósseis, os candidatos devem preencher os mesmos critérios científicos, históricos e logísticos usados pelos paleontólogos para escavar fósseis. Além disso, os lugares precisam ser áreas com bons indicadores de preservação de restos de seres vivos.

Entre os principais pontos para achar fósseis em território brasileiro, estão:

  • Depósitos do Triássico, no Rio Grande do Sul;
  • Formação Crato, no Ceará;
  • Formação Solimões, localizada no Amazonas e algumas regiões do Acre;
  • Depósitos pleistocênicos, espalhados em diferentes regiões por todo o Brasil.

Outro local com bastante destaque é o sítio arqueológico de Peirópolis, localizado em Uberaba, em Minas Gerais. Por lá, há escavações desde a década de 1940 e o lugar é conhecido por ter vários fósseis de dinossauros datados do período Cretáceo.

Dificuldade na busca por fósseis

O processo de caça por fósseis no Brasil não é fácil, especialmente devido à logística. Apesar de ser um país cheio de locais com potencial de escavação, alguns deles são difíceis de acessar, exigindo bastante infraestrutura. Um bom exemplo é a Amazônia.

Mesmo após encontrar os fósseis, as dificuldades não param. Alguns exemplares de animais de grande porte são muito pesados e não dá para transportá-los facilmente. Por vezes, os pesquisadores precisam contar com a ajuda do maquinário de grandes obras para a missão.

“Existe um mito muito comum de que encontrar um fóssil vai embargar e paralisar uma obra para sempre. Na verdade, na maioria dos casos, o que acontece é uma parceria. Sem essa infraestrutura das obras, muitos resgates de grandes proporções seriam quase impossíveis”, diz Junior.

Imagem colorida de pessoas escavando o fóssil de um dinossauro gigante - Metrópoles
Entre as principais dificuldades para escavar fósseis está o transporte de achados pesados

Para Muniz, outro percalço comum é a falta de investimento em pesquisas, tornando os lugares de exploração com pouca estrutura e inviabilizando períodos prolongados de investigação.

“As escavações geralmente estão vinculadas a projetos de pesquisa que dependem de financiamento para cobrir despesas de campo, análise e conservação do material. Nem sempre a disponibilidade é contínua”, conta o pesquisador.



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