Cuiabá/MT, 6 de março de 2026.

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Imagens do James Webb mostram detalhes das auroras boreais de Urano


Pesquisadores conseguiram mapear a estrutura da atmosfera alta de Urano de forma inédita, através do Telescópio Espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês). Além de revelar detalhes sobre a temperatura e as partículas energizadas do planeta, a observação revelou particularidades das auroras boreais do gigante gelado.

Para a investigação, os cientistas observaram a rotação de Urano por 15 horas, tempo equivalente a aproximadamente um dia completo no planeta. O objetivo era entender melhor como o campo magnético uraniano influencia o funcionamento do planeta, visto que ele é inclinado em cerca de 60 graus em relação ao eixo de rotação — na Terra, essa variação é bem menor.

O trabalho foi liderado pela pesquisadora Paola Tiranti, da Universidade de Northumbria, no Reino Unido, em parceria com cientistas locais e norte-americanos. Os resultados foram publicados na revista Geophysical Research Letters, na última quinta-feira (19/2).

Particularidades de Urano

O alvo do estudo foi a magnetosfera de Urano, uma espécie de escudo magnético do planeta. Segundo Paola, essa região é considerada uma das mais estranhas do Sistema Solar. “O Webb agora nos mostrou a profundidade com que esses efeitos penetram na atmosfera”, afirma em comunicado.

Uma das descobertas tem relação com as faixas aurorais de Urano. Para surgirem, elas precisam que as partículas carregadas passem pelas linhas do campo magnético do planeta e colidam com átomos da atmosfera. O evento cria luminosidade — processo idêntico ao que ocorre na Terra.

No entanto, ao identificar duas auroras brilhantes próximas aos polos magnéticos do gigante gelado, foi possível perceber como a inclinação dos campos influencia o fenômeno.

Entre as duas faixas luminosas, foi identificada uma região mais escura. A hipótese mais provável é que a presença de uma região mais escura entre as duas auroras brilhantes está relacionada ao campo magnético inconstante de Urano, que muda de configuração e prejudica a passagem das partículas carregadas por ali. Um comportamento semelhante foi visto em Júpiter em estudo anterior.

No estudo, também foi identificado que a temperatura e a densidade dos íons não atingem o pico ao mesmo tempo. Enquanto as partículas localizadas entre 4 mil e 5 mil km acima das nuvens de Urano estavam mais quentes, as que estavam a cerca de mil quilômetros eram mais densas. O fato também é explicado pela geometria complexa do campo magnético do planeta.

Além disso, a observação confirmou que a atmosfera superior do planeta está esfriando, de forma constante, desde a década de 1990. A temperatura atual é de cerca de 153°C, valor abaixo das medições feitas anteriormente.

Para a autora principal do novo estudo, descobrir as particularidades de um gigante gelado do nosso Sistema Solar ajuda a caracterizar outros exemplares fora dele também. “Ao revelar a estrutura vertical de Urano com tantos detalhes, o Webb está nos ajudando a entender o balanço energético dos gigantes de gelo”, conclui Paola.



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