O desprendimento de um iceberg gigante causou a morte de cerca de 14 mil filhotes de pinguim-imperador (Aptenodytes forsteri) na Antártida. Ao bloquear a passagem até a colônia, os pinguins adultos não puderam alimentar suas crias, o que acabou dizimando boa parte da população em uma das regiões mais importantes para a reprodução das aves marinhas, a Ilha Coulman.
De acordo com as estimativas realizadas pelos pesquisadores envolvidos na investigação do evento, na temporada de 2026 a população de novos filhotes despencou para 6,7 mil, em comparação aos 21 mil do ano passado.
O evento de declínio populacional foi detectado por uma equipe de pesquisa do Instituto Coreano de Pesquisa Polar (Kopri). Os resultados da tragédia foram divulgados no último domingo (18/1) pelo site norte-americano Popular Science.
Entenda como o iceberg provocou a morte em massa
Tudo começou em março de 2025, quando o bloco de gelo se soltou da plataforma de gelo Nansen, no Mar de Ross, um dos ecossistemas mais importantes do Oceano Antártico. Assim que se desprendeu, ele partiu ao norte e sua trajetória o levou a atracar na Ilha Coulman no final de julho, interrompendo a passagem dos pinguins das águas para a colônia.
O bloqueio foi diretamente responsável pela perda dos filhotes. Em junho, após colocar os ovos, as mães foram ao mar para buscar alimentos para as crias. Já os machos permaneceram na colônia para proteger e incubar as ninhadas.
O grande problema é que os pequenos dependem da primeira refeição trazida pela progenitora para sobreviver. Como a entrada da colônia estava bloqueada no retorno das fêmeas, vários bebês não resistiram e acabaram morrendo no final de 2025.
Segundo os pesquisadores, a maneira como o iceberg se posicionou à frente da colônia criou uma armadilha geográfica.
“A inclinação suave da encosta do iceberg em direção ao mar torna-o acessível, mas a borda voltada para a área de reprodução forma um penhasco íngreme. As fêmeas que seguiam sua rota habitual sobre o gelo marinho se depararam repentinamente com essa barreira intransponível”, explica Jeong-hoon Kim, que liderou as observações do Kopri, em entrevista ao portal Popular Science.
Além dos filhotes, os machos também sofreram e vários morreram durante o longo período de jejum. Como eles tinham que proteger as crias, não podiam sair para caçar comida.
Algumas mães até conseguiram superar o obstáculo e trazer alimentação aos filhotes, mas apenas 30% deles sobreviveram.
Impactos a longo prazo
Segundo os pesquisadores, o bloco de gelo precisa diminuir para não causar tragédias maiores na ilha. “Se o iceberg se dissipar antes da próxima temporada de reprodução, há potencial para recuperação. Mas se o bloqueio persistir, podemos ver impactos a longo prazo, incluindo a realocação forçada de toda a colônia”, alerta Kim.
Os cientistas também apontam que o evento ocorrido na Ilha Coulman tem tem ligação direta com o avanço do aquecimento global e há risco de outros acontecerem se medidas ambientais responsáveis não forem implementadas.
“A desintegração de plataformas de gelo representa uma ameaça latente, porém potente, para os pinguins-imperadores e outros animais selvagens da Antártida”, revela o pesquisador do Kopri, Jin-ku Park.












