Cientistas desenvolveram uma nova forma de identificar períodos de escuridão que atingem os oceanos por vários dias. Os episódios são chamados de “ondas escuras marinhas” e reduzem a luminosidade que chega no mar, afetando todos os organismos que dependem de luz para sobreviver.
O estudo, publicado em janeiro deste ano na revista Communications Earth & Environment, explica que embora o escurecimento dos mares seja um fenômeno conhecido há muitos anos, a diferença, atualmente, é que os episódios estão cada vez mais fortes e rápidos do que os registrados anteriormente.
“A luz é um fator fundamental para a produtividade marinha em toda a cadeia alimentar, mas até agora não tínhamos uma maneira consistente de medir reduções extremas na luz subaquática. O fenômeno sequer tinha um nome”, afirmou o cientista marinho François Thoral, em comunicado.
O que são as ondas escuras marinhas?
- São períodos curtos e intensos de escuridão que reduzem a luz no mar por dias ou até meses.
- Afetam a luminosidade de forma abrupta, diferente do escurecimento lento dos oceanos, que ocorre com o passar dos anos.
- Podem surgir depois de tempestades, proliferação de algas ou aumento de sedimentos.
- Prejudicam organismos que dependem de luz, como algas, ervas marinhas e corais.
- Foram definidas recentemente depois de cientistas criarem uma estrutura para medir, comparar e classificar esses eventos.
Como os pesquisadores mapearam as ondas escuras
Para entender quando esses episódios acontecem e quanto tempo duram, os cientistas criaram um tipo de regra que define o que é uma onda escura marinha. Essa estrutura tem o objetivo de reunir critérios como o quanto a luz diminui, por quantos dias acontece e em que profundidade a escuridão aparece.
Com esses parâmetros, eles aplicaram a estrutura a três conjuntos de dados que já existiam. Eles analisaram:
- 16 anos de medições de luz subaquática na costa da Califórnia;
- 10 anos de registros na Nova Zelândia, no Golfo de Hauraki;
- 21 anos de imagens de satélite que mostram a luminosidade no fundo do mar, ao largo do Cabo Leste da Nova Zelândia.
Com esse levantamento, a equipe identificou entre 25 e 80 ondas escuras na região do Cabo Leste entre 2002 e 2023. A maioria desses episódios durou de cinco a 15 dias, mas o mais longo se estendeu por 64 dias. Em situações extremas, algumas áreas registraram os dias mais escuros de todo o ano durante esses episódios.
Os pesquisadores também observaram que muitas das ondas escuras aconteceram depois de tempestades, incluindo as que vieram com o ciclone Gabrielle, em 2023.
Principais causas das ondas escuras
Os cientistas identificaram fatores diferentes que podem causar as ondas escuras. Dentre esses fatores, destacam-se:
- Tempestades e ciclones;
- Escoamento de sedimentos depois de incêndios, deslizamentos e desmatamento;
- Proliferação de plâncton;
- Dragagens e obras costeiras.
Consequências para a vida marinha
O estudo não mediu diretamente os efeitos das ondas escuras nos animais e nas plantas do oceano, mas, mesmo assim, algumas pesquisas anteriores já mostravam que a falta de luz por alguns dias pode dificultar a fotossíntese de alguns animais.
É o caso das algas, ervas marinhas e corais, que dependem totalmente da luminosidade para produzir energia. Se a escuridão dura mais do que o normal, o comportamento de peixes, tubarões e mamíferos marinhos também pode mudar.
Nesse contexto, eles se orientam pior no ambiente e têm alterações no ritmo de alimentação. Agora, com o fenômeno conceituado e medido, os pesquisadores esperam avançar em estudos que mostrem com mais precisão como cada tipo de onda escura afeta os habitats do oceano.












