Cuiabá/MT, 7 de março de 2026.

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Cientistas descobrem ‘ondas escuras’ que deixam os oceanos sem luz


Cientistas desenvolveram uma nova forma de identificar períodos de escuridão que atingem os oceanos por vários dias. Os episódios são chamados de “ondas escuras marinhas” e reduzem a luminosidade que chega no mar, afetando todos os organismos que dependem de luz para sobreviver.

O estudo, publicado em janeiro deste ano na revista Communications Earth & Environment, explica que embora o escurecimento dos mares seja um fenômeno conhecido há muitos anos, a diferença, atualmente, é que os episódios estão cada vez mais fortes e rápidos do que os registrados anteriormente.

“A luz é um fator fundamental para a produtividade marinha em toda a cadeia alimentar, mas até agora não tínhamos uma maneira consistente de medir reduções extremas na luz subaquática. O fenômeno sequer tinha um nome”, afirmou o cientista marinho François Thoral, em comunicado.


O que são as ondas escuras marinhas?

  • São períodos curtos e intensos de escuridão que reduzem a luz no mar por dias ou até meses.
  • Afetam a luminosidade de forma abrupta, diferente do escurecimento lento dos oceanos, que ocorre com o passar dos anos.
  • Podem surgir depois de tempestades, proliferação de algas ou aumento de sedimentos.
  • Prejudicam organismos que dependem de luz, como algas, ervas marinhas e corais.
  • Foram definidas recentemente depois de cientistas criarem uma estrutura para medir, comparar e classificar esses eventos.

Como os pesquisadores mapearam as ondas escuras

Para entender quando esses episódios acontecem e quanto tempo duram, os cientistas criaram um tipo de regra que define o que é uma onda escura marinha. Essa estrutura tem o objetivo de reunir critérios como o quanto a luz diminui, por quantos dias acontece e em que profundidade a escuridão aparece.

Com esses parâmetros, eles aplicaram a estrutura a três conjuntos de dados que já existiam. Eles analisaram:

  • 16 anos de medições de luz subaquática na costa da Califórnia;
  • 10 anos de registros na Nova Zelândia, no Golfo de Hauraki;
  • 21 anos de imagens de satélite que mostram a luminosidade no fundo do mar, ao largo do Cabo Leste da Nova Zelândia.

Com esse levantamento, a equipe identificou entre 25 e 80 ondas escuras na região do Cabo Leste entre 2002 e 2023. A maioria desses episódios durou de cinco a 15 dias, mas o mais longo se estendeu por 64 dias. Em situações extremas, algumas áreas registraram os dias mais escuros de todo o ano durante esses episódios.

Os pesquisadores também observaram que muitas das ondas escuras aconteceram depois de tempestades, incluindo as que vieram com o ciclone Gabrielle, em 2023.

Foto colorida de satélite mostra o Cabo Leste da Nova Zelândia depois do ciclone Gabrielle - Cientistas descobrem ‘ondas escuras’ que deixam os oceanos sem luz - Metrópoles
Foto de satélite mostra o Cabo Leste da Nova Zelândia depois do ciclone Gabrielle, em 2023

Principais causas das ondas escuras

Os cientistas identificaram fatores diferentes que podem causar as ondas escuras. Dentre esses fatores, destacam-se:

  • Tempestades e ciclones;
  • Escoamento de sedimentos depois de incêndios, deslizamentos e desmatamento;
  • Proliferação de plâncton;
  • Dragagens e obras costeiras.

Consequências para a vida marinha

O estudo não mediu diretamente os efeitos das ondas escuras nos animais e nas plantas do oceano, mas, mesmo assim, algumas pesquisas anteriores já mostravam que a falta de luz por alguns dias pode dificultar a fotossíntese de alguns animais.

É o caso das algas, ervas marinhas e corais, que dependem totalmente da luminosidade para produzir energia. Se a escuridão dura mais do que o normal, o comportamento de peixes, tubarões e mamíferos marinhos também pode mudar.

Nesse contexto, eles se orientam pior no ambiente e têm alterações no ritmo de alimentação. Agora, com o fenômeno conceituado e medido, os pesquisadores esperam avançar em estudos que mostrem com mais precisão como cada tipo de onda escura afeta os habitats do oceano.



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