Tomar uma xícara de café ao acordar é faz parte da rotina de muitos brasileiros. Seja para espantar a sonolência ou dar um impulso no cérebro, a cafeína é conhecida por aumentar o estado de alerta. De acordo com uma pesquisa publicada em março, na revista Clinical Neurophysiology, a bebida pode fazer mais do que apenas despertar. Ela pode alterar a forma como o cérebro conecta o mecanismo dos movimentos.
Os pesquisadores analisaram que uma dose típica de cafeína afeta um processo cerebral chamado inibição aferente de curta latência (SAI, sigla em inglês). Esse mecanismo acontece quando uma sensação no corpo, como um toque no punho, reduz a resposta do córtex motor, área do cérebro responsável pelo controle dos movimentos.
Na prática, ele ajuda a regular a intensidade com que os músculos são ativados. É como um sistema de filtragem que mantém os movimentos mais suaves e controlados, impedindo que o cérebro reaja de forma exagerada a cada toque recebido.
Como foi realizado o experimento
Os cientistas recrutaram 20 adultos saudáveis para o experimento, sendo 11 mulheres e 9 homens, com idade média entre 27 e 32 anos . Cada participante recebeu uma goma de mascar contendo 200 mg de cafeína (quantidade equivalente a um consumo diário típico) ou placebo.
O estudo foi duplo-cego, ou seja, nem os participantes nem os pesquisadores sabiam qual goma havia sido administrada durante o teste.
Em seguida, os pesquisadores estimularam o córtex motor com pulsos magnéticos e mediram a SAI usando duas técnicas diferentes. O método tradicional, chamado amplitude convencional ou A-SAI, usa um pulso magnético fixo e mede o tamanho da contração muscular resultante.
Já a segunda técnica, chamada rastreamento de limiar ou T-SAI, ajusta automaticamente a intensidade do pulso para manter uma resposta muscular constante.
Resultados das técnicas utilizadas
Com a primeira, os pesquisadores observaram que a cafeína aumentou a capacidade do cérebro de reduzir a resposta muscular após um estímulo sensorial. Esse efeito foi mais evidente entre 19 e 21 milissegundos após a estimulação. Já com a segunda técnica, nenhum aumento significativo associado à cafeína foi detectado.
A equipe acredita que a cafeína provavelmente atua bloqueando receptores de adenosina, o que pode levar a um aumento da acetilcolina, um mensageiro químico que ajuda a controlar a integração entre estímulos sensoriais e movimentos.
“O efeito da cafeína pode resultar de sua modulação do sistema colinérgico, oferecendo pistas sobre sua ação fisiológica e sobre a fisiopatologia de distúrbios cerebrais”, observaram os pesquisadores.












