A revelação foi feita por Brian Merchant, jornalista de tecnologia, no livro The one device: the secret history of the iPhone (O único dispositivo: a história secreta do iPhone, em tradução literal), publicado em 2017.
Segundo o escritor, a rejeição vinha da ideia de que tanto o cofundador da empresa quanto alguns diretores achavam celulares “uma droga”. Além dessa ~simples~ opinião, ao que tudo indica rolavam algumas barreiras para inserção da Maçã no mercado mobile por conta de operadoras de telefonia.

Isso porque na metade da década passada, empresas como AT&T e Verizon “tinham um controle imenso sobre os aparelhos que os fabricantes de celulares podiam produzir. Eles entregavam manuais gigantes que diziam: ‘você tem que ter isso, você tem que ter aquilo…”, aponta o autor.
Na época, Jobs também tinha lá suas dúvidas quanto ao crescimento do ramo mobile, apesar de marcas como Blackberry terem feito sucesso junto ao público empresarial. Afinal, já era possível responder e-mails em qualquer lugar.
Time de engenheiros trabalhou no iPhone de modo secreto
Mas aí você deve estar se perguntando: então como a ideia do iPhone se concretizou? No caso, um time de engenheiros da Apple estava trabalhando de modo independente em um protótipo de tela sensível ao toque (ou touchscreen).
E esse embrião do que seria o aparelho na realidade era gigantesco: de acordo com Merchant tinha o “tamanho de uma mesa”. Nesse período reinava inclusive o medo de que o chefão descobrisse a tecnologia antes que de fato ela tivesse uma aplicação clara.
Os engenheiros “sabiam que havia uma maneira certa de abordar Jobs com essas coisas e havia uma maneira errada, e você tinha que, de forma muito estratégica, implementá-las e entregá-las à pessoa certa para entregá-las no dia certo, quando ele estava de bom humor”, diz o autor.
E esse intermediário foi Jonathan Ive, então diretor de design na Apple, que inclusive era não só próximo profissionalmente de Jobs como também seu amigo pessoal. Quando Ive decidiu apresentar a tecnologia para chefe, a reação foi um triste “meh”.

Contudo, pouco tempo depois o cofundador da Apple decidiu voltar atrás e ver a tela de toque sensível novamente. Assim que o time de engenheiros fez uma nova demonstração da tecnologia, ele pediu que fossem feitos aprimoramentos.
iPod impulsionou criação do iPhone
Enquanto isso, questões regulatórias e relacionadas às operadoras de telefonia foram melhorando. Na mesma época o iPod era também uma importante fonte de receita. Porém, Steve Jobs se preocupava com fabricantes de smartphones: afinal eles poderiam integrar em breve recursos similares ao do player de música em seus celulares.
É aquilo: mesmo que o dispositivo não fosse de qualidade, ainda valeria à pena para os consumidores terem acesso às duas funcionalidades em um só lugar. Daí, o chefão da Apple pediu ao seu time que acelerasse o protótipo, de modo a convertê-lo em um aparelho menor e inédito naquele momento.
Então, em 2004, ele recrutou 1.000 profissionais, que incluíam engenheiros e designers de outros países, para encontrar maneiras não só de diminuir a tela touchscreen como também de fundi-la a um sistema operacional exemplar (o que viria a ser o iOS).
Ele queria “ver uma interface que pudesse ser intuitiva e interessante para usuários leigos”, aponta o livro. Também buscava um aparelho com design elegante.
Caos e até divórcio: time da Apple sofreu
Embora ninguém entendesse ao certo o que deveria ser feito, o rapaz da gola rolê queria o futuro aparelho a todo custo, nem que a galera tivesse de trabalhar “noite e dia” — o que de fato aconteceu. O processo como um todo levou dois anos e meio.
- Em off: relatos do livro inclusive dizem que tudo foi um inferno para os times envolvidos: teve gente que até se divorciou devido à enorme ausência em compromissos familiares.
Nesse processo o iPad acabou surgindo primeiro do que o iPhone, algo revelado pelo próprio Jobs em uma conferência do Wall Street Journal em 2010:
“pensei: ‘meu Deus, podemos construir um telefone com isso’”, disse ele. “E coloquei o projeto do tablet na prateleira, porque o telefone era mais importante”, completou.

No livro de Brian Merchant é dito que Jobs era bastante rigoroso e acompanhava cada milímetro do que sua equipe fazia em cima do projeto. Outras entrevistas indicam também que ele foi lançando os desafios de cada aspecto do futuro smartphone — design, sistema operacional, interface, aplicações etc.
Paralelamente, a Apple ainda trabalhou no protótipo com a AT&T (a empresa então se chamava Cingular Wireless) de modo extremamente sigiloso — a operadora deu um incentivo de US$ 150 milhões ao longo de 30 meses.
- Em off: e como surgiu o nome iPhone? O chefe da Maçã quis seguir a mesma lógica de outros produtos da marca que começava com “i” (ou “eu”, em inglês): iMac, iPod, iPhone, iPad… Aqui já deu para sacar que ele já tinha não só comprado a ideia como pretendia torná-la algo importante ($) para sua companhia.
Em janeiro de 2007, Steve Jobs fez a icônica apresentação do primeiro iPhone; em junho daquele ano o aparelho estava sendo comercializado nos EUA. Foram vendidas 6,1 milhões de unidades até o modelo ser descontinuado em julho de 2008.

No fim, o projeto deu mais do que certo: o iPhone se tornou não só o primeiro aparelho mobile com tela sensível ao toque como revolucionou a indústria de tecnologia. Resumindo: de lá para cá passamos a carregar não só um simples telefone móvel, mas um computador na palma da mão.
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noticia por : R7.com











