O presidente Lula afirmou, nesta segunda-feira (9), que o Brasil e a África do Sul devem fortalecer a defesa militar dos dois países, para evitar possíveis ataques:
“Mas eu não sei se o companheiro Ramaphosa percebe que, se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente. Então, essa é uma coisa que o Brasil tem necessidade similar à necessidade da África do Sul, e que, portanto, nós precisamos juntar o nosso potencial e ver o que é que a gente pode produzir junto, construir junto. Não precisamos ficar comprando dos senhores das armas. Nós poderemos produzir.”
Lula deu essa declaração no Palácio do Planalto, em Brasília, durante a visita de Estado do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa. Sem entrar em detalhes, o líder brasileiro destacou que a América do Sul é uma região de paz, onde drones são “para a agricultura e não para guerra”.
Oriente Médio
Em outro momento, de forma mais direta, o presidente Lula condenou a escalada do conflito no Oriente Médio e citou como a guerra contra o Irã ameaça a segurança internacional, com impactos humanitários e econômicos:
“Esses conflitos produzem efeitos deletérios sobre as cadeias de energia, insumos e alimentos. São os mais vulneráveis, sobretudo mulheres e crianças, que sofrem o impacto mais severo dessas crises. O diálogo e a diplomacia constituem o único caminho viável para a construção de uma solução duradoura. É importante lembrar que, por conta da guerra do Irã, o preço do combustível já está subindo em quase todo o mundo.”
O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, também condenou o conflito e defendeu um cessar-fogo imediato (fala com tradução do evento):
“Reiteramos o nosso chamado para uma resolução pacífica das disputas que ora ocorrem, violando a Carta das Nações Unidas, e condenamos a perda de vidas, especialmente as vidas de civis e a destruição da infraestrutura vital nessa parte do mundo. Nós chamamos todas as partes envolvidas neste conflito para um cessar-fogo imediato.”
Comércio bilateral
Sobre o comércio bilateral entre Brasil e África do Sul, os dois presidentes defenderam a ampliação considerável da cooperação econômica, como destacou Ramaphosa (fala com tradução do evento):
“Como duas nações, Brasil e África do Sul, deveríamos cooperar em um nível muito mais alto. Deveria haver mais comércio, em níveis muito mais altos. Os dois países são os dois mais industrializados em nossos continentes, e o comércio entre os dois países precisa ser muito maior do que o que ele é hoje. Mas nós temos a certeza que esta visita, e aqui dissemos, vai fortalecer as bases dos dois países.”
Segundo o governo brasileiro, as trocas comerciais entre os países permanecem em torno de US$ 2 bilhões por ano há cerca de duas décadas.
Terras raras
Entre as áreas de investimentos mútuos com potencial de expansão está a das terras raras e minerais críticos, de acordo com o presidente Lula:
“Nós precisamos ter um levantamento concreto do que que a África do Sul tem de minerais críticos e de terras raras. O Brasil, até agora, conhece o potencial de 30% do seu território, e já está avisado ao mundo de que o Brasil não vai fazer aquilo que foi feito com o minério de ferro. A gente vendeu o minério e comprou produto acabado pagando 100 vezes mais caro. Não. Agora, a parceria tem que ser feita para fazer o processo de transformação aqui no Brasil.”
Encontro
Durante a visita de Estado do presidente da África do Sul, foram assinados um plano de ação para área de turismo e um acordo sobre comércio e investimentos entre a Apex Brasil e o Departamento de Comércio e Indústria África do Sul. Lula e Ramaphosa também participaram do Fórum Empresarial Brasil-África do Sul.












