Cuiabá/MT, 8 de março de 2026.

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Tubarões evoluíram devido ao aquecimento de oceanos há mais de 100 milhões de anos

Parece algo saído de um roteiro de filme de Hollywood, mas de fato aconteceu: pesquisadores dizem que o aumento das temperaturas oceânicas há mais de 100 milhões de anos pode ter feito com que os tubarões crescessem mais, nadassem mais rápido e se tornassem os poderosos predadores que conhecemos hoje.

Em um artigo publicado no mês passado na revista Current Biology, cientistas relataram que mediram o tamanho das barbatanas e os comprimentos dos corpos de 500 tubarões, de espécies extintas e outras existentes, e compararam essas informações com dados da árvore evolutiva da família desses animais.

Os resultados indicam que aproximadamente 122 milhões de anos atrás, quando o oceano ficou muito quente, alguns tubarões abandonaram seu habitat no fundo do mar e migraram para o oceano aberto. Essa mudança pode ter alterado sua estrutura de barbatanas e corpo, resultando em alterações em seu tamanho e capacidade de nadar.

É um equívoco pensar que todos os tubarões são como os do filme “Tubarão” que nadam perto da superfície. A maioria sempre viveu no fundo do oceano. E, diferentemente de seus parentes de águas abertas, eles não precisam nadar constantemente para respirar e podem descansar no fundo do mar.

A necessidade de respirar, porém, pode ter sido exatamente o estímulo que levou alguns a deixarem o fundo do mar.

Os autores do estudo afirmam que o fundo dos oceanos no Cretáceo pode ter se tornado cada vez mais pobre em oxigênio em alguns lugares. E, para que os ancestrais de muitos tubarões modernos sobrevivessem e no fim prosperassem, era hora de abandonar o fundo do mar.

Pistas dessa mudança de habitat, e o que perdurou em cada ambiente, são vistas nas nadadeiras peitorais em evolução de antigos tubarões.

“A maioria dos tubarões de águas abertas tende a ter nadadeiras alongadas, e os que vivem no fundo têm nadadeiras mais curtas”, disse o professor de biologia Lars Schmitz, do Claremont McKenna College, na Califórnia, que é autor do artigo.

O coautor do estudo Phillip Sternes, pesquisador de tubarões baseado na Califórnia, comparou as nadadeiras peitorais às asas de um avião. “Asas longas e estreitas [como as de um avião comercial, por exemplo] ajudam na sua relação sustentação-arrasto, então reduz o custo de combustível”, disse ele. Em contraste, as “asas curtas e grossas de modelos de combate não são boas para viagens de longa distância, mas eles podem virar rapidamente”.

O mesmo vale para os tubarões: barbatanas peitorais mais longas podem ter tornado a natação mais eficiente para aqueles de maior porte, uma adaptação importante para espécies cuja respiração passou a exigir natação constante.

Mas não é apenas o tamanho do corpo e das barbatanas que pode ter aumentado. O pico da temperatura da superfície do oceano no Cretáceo, em torno de 28ºC, pode ter afetado a velocidade dos tubarões —para comparação, a média de hoje é de 20ºC.

Tubarões e outros peixes são semelhantes à maioria dos animais, explicou Timothy Higham, coautor da pesquisa e professor da Universidade da Califórnia, Riverside, “no sentido de que a função muscular é muito dependente da temperatura”. Em outras palavras, “se seus músculos se aquecem, eles se tornam melhores em contrair rapidamente”.

Temperaturas mais quentes e músculos mais rápidos e ágeis significavam que os tubarões “podiam bater o rabo para a frente e para trás mais rapidamente”, segundo ele. Isso se traduz em aumento de velocidade, o que poderia então ter levado os tubarões a “expandir-se para um habitat mais aberto”, capturando presas de natação rápida e evitando outros predadores marinhos do Cretáceo que agora estão extintos.

Tudo parece vantajoso. Porém, agora com o aumento das temperaturas oceânicas por causa do aquecimento global, poderíamos ver mudanças semelhantes nos tubarões de hoje? Ou seja, poderiam ficar ainda maiores e mais rápidos?

O aquecimento global há milhões de anos pode ter introduzido importantes adaptações evolutivas em alguns tubarões, mas, na avaliação de Higham, é mais provável que a rápida mudança do clima atualmente possa resultar em danos. Pois, enquanto alguns tubarões se adaptaram aos oceanos do Cretáceo, “também houve a extinção de muitos outros animais”, afirmou ele.

Allison Bronson, professora na Universidade Estadual Politécnica da Califórnia, Humboldt, que não estava envolvida na pesquisa, concordou.

“A disseminação de zonas anóxicas marinhas e mudanças no clima global, muitas vezes ocorrendo concomitantemente com a acidificação dos oceanos, resultaram nas piores extinções em massa da história da Terra”, disse ela. “O ritmo das mudanças agora é de fato sem precedentes.”

noticia por : UOL

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