Mais prestigiada instituição universidade do país, a USP precisa de estratégias para tornar seus cursos de graduação mais atrativos e acolhedores para os jovens. Esse é o diagnóstico de Aluisio Segurado, professor da Faculdade de Medicina e candidato a reitor.
Sua candidata a vice é a ex-diretora da Escola Politécnica Liedi Légi.
Como pró-reitor de graduação da atual gestão, Segurado diz ter feito um amplo diagnóstico sobre o preenchimento das vagas ofertadas e as taxas de evasão de cada curso. Ele diz ter encontrado gargalos que precisam ser enfrentados para que mais jovens tenham a oportunidade de entrar, e se formar, na USP e também evitar desperdício de recursos públicos.
Ele explica que, nos últimos quatro anos, a universidade investiu em estimular a revisão dos currículos das graduações —com a mudança de mais de 140 projetos pedagógicos de curso. Segundo ele, a USP vive um momento único para a implementação dessas mudanças já que renovou 20% do seu quadro docente recentemente (foram contratados cerca de 900 professores).
“São professores jovens, dispostos e abertos a fazer as mudanças que os alunos de hoje requerem.”
Agora, diz, seria a hora de fazer adaptações para maior atratividade e redução das taxas de evasão dos cursos, por entender que baixa procura e elevado abandono estão relacionados a problemas no currículo ou na qualidade do ensino.
“Precisamos repensar a forma como exigimos que os candidatos escolham a opção de curso no vestibular. Nós exigimos um grau de decisão que é muito prematuro para o jovem, ele sequer tem maturidade para escolher um percurso formativo tão detalhado dentro da área em que tem interesse.”
Para reduzir a evasão, propõe a criação de um Núcleo de Acessibilidade Pedagógica para fazer as adaptações necessárias para alunos neurodivergentes, com deficiência e até mesmo com lacunas de conhecimento.
“Engana-se quem acredita que só alunos da escola pública entram na USP com dificuldade. Nós estamos recebendo estudantes que passaram dois anos da vida escolar com aulas remotas, isso afetou a todos e perdura até hoje.”
“Vou dar um exemplo hipotético: é justo que a gente cobre do vestibulando escolher entre entrar no curso de geofísica, geologia ou meteorologia? Ele sequer sabe identificar qual é a diferença entre essas carreiras”, complementa Segurado.
Para ele, é preciso mudar a mentalidade de que o ensino na USP é difícil. “Ele precisa ser exigente, mas não difícil. A experiência do aluno no primeiro ano de uma graduação na USP precisa ser acolhedora, não aterradora. Ele precisa vestir a camisa da universidade, se sentir pertencente. A revisão desse primeiro será uma prioridade da nossa gestão.”
Ele também diz que o maior desafio a ser enfrentado pela universidade nos próximos anos será a elaboração de um novo formato de financiamento para as universidades estaduais paulistas (consequência da reforma tributária, que acabará com o ICMS).
Por isso, defende que o novo reitor precisará ter habilidade para dialogar com todos os espectros políticos e conseguir minimizar os ataques de grupos conservadores e da direita contra a USP.
“Essa discussão vai exigir que tenhamos à frente da reitoria lideranças capazes de fazer essa articulação, com muita escuta e capacidade de fazer a sociedade ficar do nosso lado. Precisamos de um reitor que saiba dialogar com todo o espectro político que vai estar envolvido nesse debate.”
Segurado destaca também que o novo reitor precisa estar preparado para lidar com a renovação do quadro político em São Paulo para a discussão do financiamento, já que o próximo ano terá eleição para governador e deputados estaduais.
O professor da Faculdade de Medicina diz que os ataques registrados na USP nos últimos meses são consequência de uma sociedade polarizada e avalia que a forma de enfrentá-los é chamar esses grupos conservadores para o diálogo.
“Veja, durante a pandemia, mesmo quando havia quem dissesse que as vacinas iriam transformar pessoas em jacarés ou instalar chips nas pessoas, nós conseguimos mostrar o valor da ciência. Fizemos isso com diálogo e respeito. E é isso o que precisamos fazer com quem ataca a universidade: mostrar o que é feito e qual é o papel da USP.”
Para defender a autonomia financeira, ele também avalia que a universidade precisa conseguir mostrar melhor sua produção acadêmica e como ela pode beneficiar a sociedade. Uma das contribuições que vê como mais importantes é a formação de professores da educação básica, já que a USP forma por ano cerca de 2.000 alunos em cursos de licenciatura.
“Somos a melhor universidade do país, formamos um contingente significativo de professores que vão atuar na educação básica. Essa é uma contribuição enorme que podemos dar para a população, melhorar a qualidade do ensino nas escolas que é um dos maiores desafios do país.”
noticia por : UOL












