A Moody’s Investor Service, braço da agência de risco, prevê queda de rentabilidade para os bancos com a trava de 100% nos juros cobrados no rotativo do cartão de crédito, que passa a valer a partir desta quarta (3).
Em seu relatório, a Moody’s culpa o parcelamento das compras como parte da causa para os juros elevados do rotativo, que chegaram a 450% ao ano. A empresa, no entanto, não explica o que sustenta essa afirmação.
Dados do Banco Central não indicam qualquer relação entre essa modalidade de compra e a inadimplência —fatores que, segundo a Moody’s, pressionam pelo aumento dos juros.
“No Brasil, as elevadas taxas de juros cobradas pelos bancos nas operações de cartão de crédito refletem o alto risco do produto bem como algumas idiossincrasias no mercado brasileiro”, diz o relatório.
“Diferente de outros países, os consumidores no Brasil podem fazer compras com cartão parcelar e dividir o pagamento em diversas parcelas iguais mensais.”
Por decisão do CMN (Conselho Monetário Nacional) do Banco Central, a partir desta quarta, os juros cobrados quando alguém não consegue pagar integralmente a fatura do cartão não podem ultrapassar 100%. Ou seja, a dívida poderá, no máximo, dobrar. Antes, os juros faziam o valor inicial crescer 445% ao ano.
Para a Moody’s, é essa redução que impactará o lucro dos bancos, que também tendem a reduzir a emissão de novos cartões.
“A limitação da dívida do cartão é um crédito negativo para a futura rentabilidade dos bancos porque irá restringir o crescimento ou reduzir os juros e taxas das receitas resultantes das operações com cartão de crédito”, diz o relatório.
Na lista de instituições afetadas constam Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, que concentram 63% desse mercado. Instituições digitais como Nu, SCFI, C6, Pan e Inter também sofrerão com a medida, ainda segundo a Moody´s.
Consultada, a Moody´s informa que o analista Alexandre Albuquerque considera que um dos fatores determinantes das altas taxas de juros no rotativo de cartão de crédito é o seu risco de crédito elevado associado à inadimplência.
“Essa inadimplência muitas vezes está associada ao grande volume de parcelas (compras parceladas sem juros) a serem pagas em faturas no futuro, também relacionada com a falta de planejamento financeiro de indivíduos detentores de cartões”, disse Albuquerque via assessoria.
Painel S.A.
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Com Diego Felix
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noticia por : UOL