Cuiabá/MT, 9 de março de 2026.

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Hoje na História: há 50 anos morria Golda Meir, o pilar do apartheid israelense

A “dama de ferro”, recebeu apoio incondicional dos EUA – tal como Netanyahu recebe hoje – para seguir adiante no plano de exclusão do mapa palestino. E nos mostra que o apoio dos EUA à Israel está enraizado num cálculo geopolítico frio e muito bem estruturado. Golda Meir em meio ao Yom Kippur, recebeu conselhos ao ouvido de Henry Kissinger, e teve um poderoso lobby atuando ao seu favor, liderado não apenas por judeus, mas também por cristãos conservadores e racistas antimuçulmanos, o lobby de Israel hoje utiliza a “guerra ao terror” para transformar Israel numa questão humanitária, criando um clima no qual apoiar a justiça para os palestinos é ser suspeito, ou brando sobre o terrorismo.

Examinar a política de Golda Meir no Oriente Médio, é também descobrir a racionalidade do apoio dos EUA a Israel. Sendo um Estado proxy, Israel ajuda o esforço de longa data dos norte-americanos para controlar o mundo através do controle do petróleo. 

Golda, dedicou a sua vida para pôr em prática a doutrina do “destino manifesto” em formato sionista. Em 1973, o General Moshe Dayan, que também tinha grande proximidade com Golda proferiu um discurso num programa em uma reunião da Ordem dos Advogados de Israel. O jornal Ha’aretz (18.2.73) informou que Dayan “surpreendeu os seus ouvintes”: os advogados que o tinham convidado esperavam que, como Ministro da Defesa, ele falasse de assuntos militares. Em vez disso, leu uma doutrina ideológica na qual expôs a “doutrina” do seu mentor, o fundador do Estado de Israel, David Ben-Gurion. Este último ainda estava vivo na altura – ele iria morrer no final de 1973 – e é justo assumir que Dayan estava certo da sua aprovação. (De fato, não é tão fantasioso supor que Ben-Gurion estava transmitindo uma mensagem à nação através do seu protegido preferido).

Dayan citou o que Ben-Gurion tinha dito muitos anos antes, em debates internos sobre o relatório da Comissão Peel, mas salientou que essas palavras, proferidas em 1937, eram “pertinentes também hoje”. Esta é a síntese da doutrina de Ben-Gurion, tal como citada por Dayan:

“Entre nós [os sionistas] não pode haver debate sobre a integridade da Terra de Israel [isto é, da Palestina], e sobre os nossos vínculos e direito a toda a Terra. Quando um sionista fala sobre a integridade da Terra, isto só pode significar colonização [hityashvut] por parte dos judeus da Terra na sua totalidade. Isto é: do ponto de vista do Sionismo a verdadeira questão não se limita [à questão de] a quem pertence politicamente este ou aquele segmento da Terra, nem mesmo à crença abstrata na sua integridade. Pelo contrário, o objetivo e a verdadeira questão de fundo do sionismo é a implementação concreta da colonização pelos judeus de todas as áreas da Terra de Israel”.

Meir, nunca negou sua avidez por colocar em prática a ideologia sionista, e até os líderes militares como Moshe Dayan foram forçados a admitir que Israel estava lançando as sementes da violência em Gaza. Ele confessou: “O que podemos dizer contra o terrível ódio deles por nós? Durante oito anos, eles permaneceram nos campos de refugiados de Gaza e observaram como, diante dos seus olhos, transformamos as suas terras e aldeias, onde eles e os seus antepassados viveram, na nossa casa.”

Durante as próximas décadas, Israel sujeitaria Gaza a uma série violenta de invasões e ocupações militares, ataques e ofensas, incursões e administrações militares, campanhas de bombardeamento e ataques aéreos, repetidos massacres e deslocações em massa, e um bloqueio de anos que ainda está em vigor. Dayan e Levi Eshkol, consideraram mesmo a transferência de refugiados de Gaza para a Cisjordânia ou para o Sinai, ou para o Iraque, ou para um país árabe no Norte de África (a Operação Líbia). Eles até conceberam um plano secreto, o “plano Moshe Dayan”, para transferir refugiados de Gaza para a América Latina.

Entretanto, os refugiados de Gaza tiveram de sofrer o terrível destino de viver sob o jugo das mesmas forças que os tinham desenraizado décadas antes. Bombardeados, sitiados e presos numa jaula construída por Israel, jaula esta que Golda Meir também arquitetou.

Em 2023, o filme Golda estreou e como é de se esperar uma peça de propaganda que buscou humanizar os personagens aqui citados, seja mostrando a frágil saúde da primeira ministra que se deteriorava, seja pela ansiedade, ou até mesmo os soldados “aterrorizados” pela guerra que eles semearam. Golda é frequentemente lembrada como uma líder controversa, dura, no entanto, é ainda uma genocida bem aceita.

noticia por : UOL

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