Nos quatro anos de sua Presidência ruinosa, Bolsonaro gastou baldes de saliva num esforço para infantilizar a política brasileira. Como nas antigas cantigas de ninar, entoadas para fazer criancinhas dormir incutindo-lhes o terror, o capitão injetou no imaginário nacional o medo de que um hipotético o comunismo surgiria do nada para engolir os eleitores que têm medo de careta. Pesquisa Datafolha divulgada em julho de 2023 revelou o sucesso da estratégia.
Nada menos que 52% dos eleitores acreditam que o Brasil corre o risco de virar um país comunista. Entre os brasileiros que votaram em Bolsonaro na corrida presidencial de 2022 o percentual dos que se apavoram como o comunismo sobe para 73%.
“É o predomínio do capitalismo que gera um cenário internacional de instabilidade, crises, guerras e revoltas”, disse a preposta de Lula no comando do petismo. “Nossos partidos, o PT e o PC Chinês, defendem que o socialismo é essa alternativa. Um de nossos maiores desafios é exatamente o de tornar o socialismo mais influente e mais poderoso em nossos países e também em escala mundial”.
Cavalando a democracia, Lula elegeu-se pela terceira vez impulsionado por uma frente democrática que livrou o Brasil de uma autocracia bolsonarista de ultradireita. Equipa-se agora para a re-re-re-reeleição. Se Lula tiver saúde e desempenho, será candidato a um quarto mandato em 2026. Nesse contexto, o pior equívoco que pode cometer o PT é o de imaginar que a inelegibilidade de Bolsonaro asfixiou o bolsonairsmo.
Afora o fato de que o Brasil continua dividido, o Datafolha demonstrou, nas pegadas das maquinações golpistas que desaguaram no 8 de janeiro, que metade do eleitorado ainda se assombra com o fantasma errado. Acredita que a esquerda come criancinhas.
Pior: a curva descente de Lula e do governo nas pesquisas mais recentes indica há na outra metade eleitores propensos a se deixar seduzir pela tese segundo a qual a ultradireita arcaica pode ser um mal menor. Nesse contexto, as palvras de Gleisi representam um presente para os rivais.
noticia por : UOL











