Cuiabá/MT, 7 de março de 2026.

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Escolas cívico-militares: um grande negócio, mas não para a educação

Mas na educação, pode. Não faz nenhum sentido, mas é o que temos: recorrer a uma instituição com gravíssimos problemas em sua atividade fim (a segurança pública) para exercer uma tarefa para a qual não possuem nenhum preparo.

O policial aposentado, o bombeiro aposentado, o membro das forças armadas aposentado evidentemente não têm repertório para lidar de fato com os problemas e com as demandas da educação pública. Especialmente no atendimento à população mais vulnerável e que precisa mais da escola pública para garantir a aprendizagem, lidando com defasagens e passivos que vão se acumulando ao longo dos anos. Sabe-se bem o tipo de tratamento que a polícia dispensa a esse segmento social.

É conversa mole o papo de que “professores dão aula e os militares só administram”, espécie de salvaguarda dos defensores do modelo cívico-militar. Não é possível separar gestão administrativa e pedagógica. Toda ação gestionária da escola é pedagógica. Decidir merenda, onde alocar recursos e materiais, como organizar os espaços os espaços e o funcionamento cotidiano: tudo isso é pedagógico e interfere nos processos de ensino e aprendizagem.

E há, sim, previsão de que militares deem aulas. O edital das escolas cívico-militares em São Paulo, por exemplo, prevê aulas de componentes cívicos e de combate às drogas no contraturno, ministradas por bombeiros e policiais aposentados.

Escolas militares atendem a interesses. Mas não são nem os dos alunos, nem dos professores, nem das comunidades, nem da educação.

noticia por : UOL

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