Quem passa em frente ao edifício Copan, na avenida Ipiranga, no centro de São Paulo, se depara com uma enorme tela azul cobrindo toda sua fachada. É uma medida de proteção que foi adotada em 2011, depois que um pedaço de reboco e pastilhas atingiram um cachorro que estava no colo de sua dona e o matou. Desde então, o imóvel aguarda uma obra de restauro.
O síndico do Copan há 32 anos, Affonso Celso Prazeres, diz que a obra acontecerá e deverá ficar pronta em no máximo cinco anos. A atual fase é de levantamento dos problemas na construção e de busca de recursos para fazer a reforma, que envolve a troca de todas as pastilhas de porcelana que revestem o edifício e a eliminação das infiltrações. Em outubro, segundo o síndico, haverá uma roda de conversas para atrair investidores para o projeto, cujo valor ainda não está definido.
“A reforma prevê também a construção de uma torre com um elevador que leve até a cobertura do prédio, onde será instalado um museu”, conta Prazeres. A torre vai acabar com a movimentação de dezenas de pessoas que circulam pelo térreo para subir ao terraço diariamente em dois horários, às 10h30 e às 15h30. As visitas são gratuitas e permitem uma visão de 360º da cidade.
Os números do Copan são superlativos. É considerado o maior conjunto residencial da América Latina e tem a maior estrutura de concreto armado do país. Moram hoje ali, em seus 1.160 apartamentos, mais de 3.000 pessoas. Com 32 andares e seis blocos independentes, ele atinge 115 metros de altura e conta com 120 mil metros quadrados de área construída. No térreo há uma galeria com espaços para 70 estabelecimentos comerciais, incluindo um cinema, que, depois de um longo tempo fechado, será reaberto.
Símbolo da arquitetura moderna brasileira, o Copan foi idealizado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, que concebeu sua fachada sinuosa e com brises horizontais. Como ele passou a se dedicar totalmente à construção de Brasília, Carlos Lemos, falecido em agosto, assumiu a empreitada e ficou responsável pela execução das obras e pelas modificações no projeto original.
O prédio foi desenhado em 1951, por encomenda da Companhia Pan-americana de Hotéis e Turismo (daí o nome Copan), e deveria ser entregue em 1954, quando seria comemorado o quarto centenário da fundação da cidade. Problemas financeiros e técnicos, porém, fizeram com que a obra fosse adiada por vários anos. Ela só ficou pronta em 1966, financiada pelo Bradesco. Inicialmente, estava prevista a construção de um hotel e de um teatro, além do conjunto residencial.
Em 2015, houve uma primeira tentativa de restauro ao custo de R$ 23 milhões, mas as obras foram embargadas pela prefeitura por falta de autorização. Em 2023, foi feito um novo projeto, que teve aprovação dos órgãos de proteção do patrimônio histórico —o Copan é tombado pelo Iphan (federal) e pelo Conpresp (municipal). Dessa vez a reforma não prosperou por falta de recursos.
O orçamento definido pela construtora responsável era de R$ 16,3 milhões e envolvia a troca das pastilhas originais de porcelana por outras similares. Pensou-se, na ocasião, em viabilizar a reforma por meio de um painel publicitário colocado na fachada com anúncios de patrocinadores, o que não deu certo. O condomínio também negou a liberação de verbas. Agora, mais uma vez, o desafio é conseguir o dinheiro necessário para fazer o imprescindível restauro que o Copan aguarda há 15 anos.
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noticia por : UOL












