Os ataques cometidos por adolescentes tendem a ser “inspirados” pelo EI, em vez de serem ordenados diretamente por alguém no Afeganistão. Essa é uma dinâmica muito diferente da que se viu em 2014, quando o grupo extremista assumiu o controle de grandes partes do Iraque e da Síria. Naquela época, potenciais recrutas frequentemente estavam em contato direto com um mentor no Oriente Médio, que os incentivava a deixar suas casas e ir para o autoproclamado califado.
Hoje o movimento é mais descentralizado, apontam Lucas Webber, pesquisador do The Soufan Center, um think tank de segurança com sede em Nova York, e Pieter Van Ostaeyen, analista que pesquisa o EI há mais de uma década e monitora o grupo para o Counter Extremism Project, um think tank internacional.
“Você ainda tem um serviço de mídia central e um comando central, que dirigiu o ataque na Rússia [contra uma sala de concertos na região metropolitana de Moscou, em março deste ano], por exemplo. Mas, neste momento, acho que há uma rede muito mais diversa recrutando esses jovens”, afirma Van Ostaeyen.
“Trata-se mais de uma rede difusa, na qual há jovens em seus próprios círculos online, nessas comunidades, que querem ser influenciadores”, confirma Moustafa Ayad, diretor executivo para África, Oriente Médio e Ásia no Instituto de Diálogo Estratégico (ISD, na sigla em inglês), com sede em Londres, que pesquisa extremismo.
“A ideologia ainda desempenha um papel — isso não pode ser ignorado —, mas a ‘memeficação’ ou a ‘Tik-Tok-ificação’ do conteúdo do ‘Estado Islâmico’ em vídeos mais curtos e em idiomas locais torna a ideia mais acessível para os jovens”, acrescenta Ayad, observando que os vídeos têm uma estética característica – sombria e ameaçadora. Tabloides vêm usando o termo “terroristas do Tik Tok”.
Radicalização mais rápida?
noticia por : UOL











