Turistas não podem mais entrar na Nicarágua com Bíblia em sua bagagem, conforme uma denúncia da Christian Solidarity Worldwide (CSW), organização que defende a liberdade religiosa.
A Bíblia faz parte de uma longa lista de itens proibidos na fronteira, que inclui jornais, revistas, livros, drones, câmeras, alimentos perecíveis e objetos cortantes.
Um representante da empresa de transporte “Tica Bus”, que faz viagens entre países da região, confirmou ao CSW que os passageiros que saem de El Salvador não podem levar “Bíblias, jornais, revistas, livros de qualquer tipo, drones e câmeras”.
Um outro representante da empresa em Honduras relatou que as restrições entraram em vigor há mais de seis meses.
A diretora de advocacia da CSW, Anna Lee Stangl, repudiou a nova regra do regime de Ortega.
“Os esforços do governo nicaraguense para restringir a entrada de Bíblias, outros livros, jornais e revistas no país são altamente preocupantes, dado o atual contexto de repressão”, declarou ela.
“Pedimos ao governo da Nicarágua que bane imediatamente essa proibição e cesse seus esforços contínuos para sufocar a liberdade religiosa e de expressão no país. Também reiteramos nosso apelo à comunidade internacional para buscar formas criativas de apoiar e fortalecer as vozes independentes nicaraguenses tanto dentro do país quanto no exílio”, acrescentou.
Repressão à liberdade religiosa
A proibição acontece em meio ao aumento da repressão à liberdade religiosa e às liberdades civis no país.
Mais de 1.300 organizações religiosas foram fechadas, igrejas enfrentaram vigilância e cancelamento de eventos públicos e líderes cristãos foram detidos. Procissões religiosas nas ruas foram proibidas, a menos que sejam organizadas por grupos alinhados ao governo.
Mais de 256 igrejas evangélicas foram fechadas pelo governo nos últimos quatro anos, segundo a organização de direitos humanos Nicarágua Nunca Más.
Pelo menos 200 líderes religiosos fugiram do país. Mais de 20 foram foram destituídos de sua cidadania e 65 foram indiciados por conspiração e outras acusações.
A Nicarágua enfrenta uma crise política, social e de liberdades que se agravou após as polêmicas eleições gerais realizadas em 7 de novembro de 2021, quando Daniel Ortega foi reeleito para um quinto mandato.
Desde os protestos contra o regime ditatorial em 2018, os cristãos se tornaram alvos de repressão e restrições em sua liberdade religiosa.
A Portas Abertas relatou que a comunidade cristã nicaraguense tem se oposto ao regime de Ortega há anos, com líderes cristãos criticando a repressão violenta de manifestantes e as restrições à liberdade de expressão.












