Cuiabá/MT, 7 de março de 2026.

Search

GOSPEL

No mundo, 100 milhões de cristãos não têm Bíblia, revela pesquisa

Uma avaliação global aponta que cerca de 100 milhões de cristãos vivem sem acesso a uma Bíblia, devido a restrições legais e à escassez em dezenas de países. A Lista de Acesso à Bíblia, divulgada na semana passada pela Iniciativa de Acesso à Bíblia, reúne dados e análises de especialistas de 88 países para identificar onde as Escrituras são mais difíceis de obter.

O levantamento indica que quase três dúzias de países mantêm restrições classificadas como “extremas” ou “severas”, limitando a leitura da Palavra de Deus por milhões de fiéis. As conclusões são apresentadas com base em métricas de disponibilidade, barreiras legais e condições socioeconômicas locais.

Ao comentar o estudo, Ken Bitgood, fundador e CEO da Sociedade Bíblica Digital — parceira fundadora da iniciativa — afirmou: “Embora existam muitos equívocos sobre o acesso à Bíblia em todo o mundo, a Lista de Acesso à Bíblia destaca as complexidades e nuances da questão”. Em seguida, acrescentou: “O acesso irrestrito à Bíblia não é um padrão universal”. A iniciativa também mantém a Lista de Restrições Bíblicas, que mede proibições governamentais, atividades extremistas e fatores econômicos que dificultam a distribuição. O documento estima quantos cristãos desejam uma Bíblia, mas não conseguem obtê-la.

Wybo Nicolai, cocriador da lista, resumiu o cenário: “A fome moderna persiste, não devido à apatia, mas por causa das barreiras que impedem as pessoas de acessar a Bíblia”. Segundo o relatório, essas barreiras variam conforme o país, mas o efeito é semelhante: milhões permanecem sem acesso seguro às Escrituras. Em muitos casos, a população nunca viu uma Bíblia em seu idioma, no formato preferido ou a um preço possível, e enfrenta riscos para adquiri-la. A combinação de restrição legal, risco de violência e pobreza amplia a dificuldade.

Somália aparece em primeiro lugar entre os países com pior acesso. O perfil do país informa “restrições extremas de acesso” vinculadas à perseguição legal, ameaças de violência e recursos econômicos limitados. O texto registra: “O acesso à Bíblia na Somália não é apenas limitado; é proibido. Segundo uma interpretação estrita da Sharia, é ilegal imprimir, importar, armazenar ou distribuir Bíblias”.

A pobreza extrema agrava o quadro, com mais de 70% da população em situação de vulnerabilidade e insegurança alimentar após anos de seca e conflito. Paralelamente, a presença de grupos armados e a pressão familiar e comunitária criam um ambiente de risco contínuo para cristãos.

No Afeganistão, sob domínio do Talibã desde 2021, o acesso é classificado como o segundo pior. Com 43 milhões de habitantes, a comunidade cristã representa cerca de 0,02% da população, majoritariamente convertidos do islamismo que enfrentam severa perseguição. “O acesso à Bíblia no Afeganistão não é apenas limitado, é quase impossível”, diz o relatório.

O documento afirma ainda: “Especialistas estimam que menos de um terço dos cristãos afegãos têm acesso às Escrituras”. Em complemento, registra: “O retorno do Talibã ao poder em 2021 apenas reforçou as restrições, impondo uma interpretação mais severa da lei islâmica e monitorando ativamente a atividade online”. E conclui: “Como resultado, até mesmo ler a Bíblia no celular é amplamente considerado inseguro. O risco não é teórico. Crentes de origem muçulmana (MBBs) frequentemente enfrentam pressão de suas próprias famílias, comunidades e autoridades locais. A exposição pode levar a casamento forçado, prisão ou execução”.

O Iêmen ocupa a terceira posição. Em um país com 35 milhões de habitantes, o relatório descreve a comunidade cristã como “pouco visível” e estima que menos de um terço dos cerca de 17.000 cristãos tenham acesso a uma Bíblia sob o sistema legal baseado na Sharia. O texto registra: “Qualquer esforço percebido para compartilhar a fé cristã é considerado blasfêmia ou apostasia, punível com a morte”. A avaliação ressalta que o quadro jurídico e o contexto de conflito prolongado dificultam importação, impressão e circulação de materiais religiosos.

A Coreia do Norte aparece em quarto lugar. Segundo os pesquisadores, o controle e a censura à religião são amplos e permanentes, sob a liderança da família Kim. O documento define o país como “um dos ambientes espiritualmente mais isolados e hostis para os cristãos no mundo”. E acrescenta: “Na Coreia do Norte, a Bíblia não é apenas proibida — é temida”. Conforme a análise, o regime considera o cristianismo uma ameaça ao culto à personalidade e ao controle ideológico do Estado, o que restringe severamente posse e leitura de textos bíblicos.

A Mauritânia figura em quinto lugar. Com cerca de 5 milhões de habitantes, apenas 11.000 se identificam como cristãos, e menos de 40% teriam acesso às Escrituras. As políticas nacionais proíbem impressão, importação, distribuição e exibição de materiais cristãos, e a posse de múltiplas cópias “pode resultar em processo, com acusações que, em alguns casos, podem levar à pena de morte por proselitismo ou apostasia”.

O relatório explica: “A posição firme do governo está enraizada na identidade constitucional da Mauritânia como um Estado islâmico”. Em seguida observa: “A apostasia é um crime punível com a morte. Até mesmo o acesso à internet é monitorado de perto; embora quase metade do país tenha conexão com a internet, o risco de ser vinculado a atividades cristãs online pode ter consequências graves e fatais”.

Em sexto lugar está a Eritreia, frequentemente apelidada de “Coreia do Norte da África” devido a políticas autoritárias e limitações severas à liberdade religiosa. Quase metade da população se identifica como cristã (1,7 milhão), mas estimativas citadas pelos pesquisadores indicam que nem 40% têm acesso a uma Bíblia.

O relatório aponta que “o controle governamental permeia quase todos os aspectos da vida religiosa”. E detalha: “A posse, a distribuição e até mesmo a leitura privada da Bíblia são severamente restringidas pela lei eritreia. Embora cristãos ortodoxos e católicos (que representam cerca de 95% da população cristã) possam encontrar um pouco menos de obstáculos, seu acesso continua rigorosamente monitorado”. Para igrejas domésticas protestantes e fiéis de origem muçulmana, “a situação é drasticamente pior”.

O top 10 é completado por Líbia, Argélia, Irã e Turcomenistão. No total, o relatório identifica 15 países com “restrições extremas”. Na categoria seguinte, de “restrições severas”, são listadas 18 nações. O Butão lidera esse grupo e ocupa o 16º lugar geral, reunindo “restrições religiosas rigorosas” e uma taxa de alfabetização de 70% como fatores que limitam o acesso. Entre os países com “restrições severas” também aparecem Arábia Saudita (18º), Paquistão (20º), China (25º), Azerbaijão (30º) e Kuwait (32º). A classificação reflete a combinação de leis, fiscalização e condições econômicas que afetam distribuição e compra de Bíblias.

A Armênia, primeira nação a adotar oficialmente o cristianismo no século IV, está em 87º lugar. Com 95% da população cristã e sem restrições à posse ou distribuição, os pesquisadores descrevem uma “crise silenciosa de escassez de Bíblias”, associada a “dificuldades econômicas, à redução da infraestrutura das igrejas e a redes de distribuição obsoletas ou limitadas”. O texto conclui: “Mesmo em um país onde o cristianismo é culturalmente dominante, a capacidade real de ler e se envolver com a Palavra de Deus continua limitada para a maioria”.

Na 88ª posição aparece o Brasil, país de maioria cristã, onde o relatório registra dificuldades de acesso em determinadas regiões por causa da “extrema pobreza”. O perfil afirma: “Mesmo quando as Bíblias estão disponíveis para compra, muitas famílias são forçadas a priorizar comida e abrigo em detrimento de recursos espirituais”. E adiciona: “Para piorar a situação, os altos impostos e a corrupção elevam os custos dos materiais impressos, incluindo as Bíblias”.

O relatório de 2025 foi produzido com a participação de diversos parceiros, entre eles A Missão Portas Abertas, Sociedade Bíblica Digital (DBS), Frontlines International, Bible League International, Biblica, Bible League Canada e OneHope. As entidades colaboraram com dados, revisões e perfis nacionais para compor um panorama comparativo do acesso à Bíblia.

De acordo com informações do portal The Christian Post, o conjunto de informações consolida indicadores de restrição legal, condições de distribuição e fatores sociais que influenciam a disponibilidade das Escrituras.

FONTE : Gospel Mais

Facebook
WhatsApp
Email
Print
Visitas: Hoje: Total: 2

COMENTÁRIOS

Todos os comentários são de responsabilidade dos seus autores e não representam a opinião deste site.