Deputados federais do Partido dos Trabalhadores (PT) protocolaram, nesta terça-feira (24), um pedido formal para que o senador Carlos Viana (Podemos-MG) seja afastado imediatamente da presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) mista do INSS.
A solicitação, enviada à Presidência do Congresso, sustenta que o parlamentar perdeu as condições políticas e legais para conduzir as investigações diante de evidências de conflito de interesses e comprometimento da imparcialidade.
O principal argumento dos petistas é que as apurações da CPMI têm se concentrado em pessoas e instituições próximas ao círculo político-religioso do senador, o que, segundo a petição, torna insustentável sua permanência no cargo.
Entre os pontos levantados está o suposto envolvimento do pastor André Valadão e de uma unidade da Igreja Batista da Lagoinha nas investigações sobre fraudes em empréstimos consignados e possíveis conexões com o caso Master.
O documento cita ainda uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que Carlos Viana se manifestasse judicialmente sobre o envio de R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares destinadas à Fundação Oasis, organização vinculada à Igreja da Lagoinha.
Outro elemento destacado pelos parlamentares é a manifestação pública do senador em defesa do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O deputado usou um jatinho ligado a Daniel Vorcaro — um dos nomes citados nas investigações — para uma campanha de sobrevoo durante o segundo turno das eleições de 2022.
Embora Nikolas tenha afirmado na época que desconhecia a origem da aeronave, Carlos Viana expressou solidariedade ao colega nas redes sociais, criticando o que classificou como tentativa de associação infundada. Para os petistas, a postura configura tomada explícita de posição, incompatível com a neutralidade exigida de quem preside uma comissão de inquérito.
A petição também faz referência à votação que autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula.
O episódio gerou controvérsia após um erro na contagem dos votos, o que levou à posterior suspensão da decisão pelo ministro Flávio Dino. Na visão dos deputados, a condução do processo evidenciou que Carlos Viana deixou de atuar como um árbitro isento, passando a se envolver diretamente nos desdobramentos das apurações.
Assinam o pedido os deputados federais Pedro Uczai (PT-SC), Rogério Correia (PT-MG), Alencar Santana (PT-SP) e Lindbergh Farias (PT-RJ), todos integrantes da CPMI.
Eles defendem que o afastamento é necessário para preservar a integridade das investigações e evitar que a lisura dos trabalhos continue sendo colocada em risco pela atuação do atual presidente. Com: Folha Gospel.












