O presidente da Câmara dos Representantes do Texas, Dustin Burrows, orientou legisladores estaduais a avaliarem riscos à segurança infantil em plataformas de jogos online, como o Roblox. A medida foi apresentada na segunda-feira, em recomendação ao Comitê de Assuntos Estaduais, com foco em conteúdos considerados inadequados para menores.
Burrows solicitou a análise da presença de experiências virtuais com violência ou conteúdo sexual explícito, além da possibilidade de interação entre crianças e adultos desconhecidos. A orientação inclui examinar práticas de moderação, falhas na aplicação de regras, mecanismos de controle parental, verificação de idade, eventual responsabilidade de desenvolvedores e se há priorização do engajamento em detrimento da segurança.
A iniciativa ocorreu após alerta do deputado Don McLaughlin, de Uvalde, sobre um jogo na plataforma que recriava o ataque à escola primária Robb, ocorrido em maio de 2022, quando 19 alunos e dois professores foram mortos. O jogo apresentava personagens armados circulando por corredores escolares, além de elementos visuais associados a simbologia satânica, conforme registros compartilhados pelo gabinete de Burrows.
Outros jogos semelhantes foram identificados na plataforma, incluindo títulos inspirados em ataques a escolas, como o ocorrido em fevereiro de 2018 na Marjory Stoneman Douglas High School, na Flórida, que deixou 17 mortos. As produções foram atribuídas ao mesmo grupo desenvolvedor.
Em nota, Burrows afirmou que “a segurança de nossas crianças continua sendo primordial para os legisladores do Texas”. Ele declarou que transformar episódios de violência em entretenimento representa uma falha grave e acrescentou que a prática “vai além do mau gosto e adentra um território perigoso”. O parlamentar também afirmou que cerca de 40% dos aproximadamente 144 milhões de usuários diários da plataforma têm menos de 13 anos e defendeu maior responsabilização. “Os legisladores não podem ficar de braços cruzados enquanto uma plataforma voltada para crianças permite e monetiza esse tipo de abuso”, disse.
A empresa responsável pela plataforma informou que removeu o conteúdo citado. Um porta-voz declarou que “qualquer glorificação da tragédia na Escola Primária Robb nos preocupa profundamente” e acrescentou que materiais que promovam extremismo violento ou representem eventos sensíveis violam as políticas da empresa. Segundo ele, usuários que publicarem esse tipo de conteúdo serão banidos assim que identificados.
A empresa também destacou medidas de segurança em operação, como sistemas de detecção por inteligência artificial, moderação contínua, restrições de chat para usuários mais jovens e novos tipos de contas voltadas a menores de 16 anos, com limitação de conteúdo por faixa etária.
Em outra frente, a empresa concordou em pagar US$ 12,2 milhões ao estado do Alabama após questionamentos sobre segurança infantil. De acordo com o The Christian Post, a plataforma também enfrenta processos em diferentes estados relacionados à proteção de menores.
Em fevereiro, a organização American Parents Coalition alertou pais sobre riscos de exploração infantil associados a plataformas de jogos e aplicativos móveis. A entidade informou que redes internacionais utilizam esses ambientes para abordar menores, conquistar confiança e direcionar a comunicação para aplicativos de mensagens, com o objetivo de contornar mecanismos de segurança e obter material de natureza sexual.












