Cuiabá/MT, 11 de março de 2026.

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Igreja Católica alerta para a escalada da perseguição aos cristãos


O observador permanente da Igreja Católica junto às Nações Unidas em Genebra, arcebispo Ettore Balestrero, denunciou nesta semana que os cristãos continuam sendo o grupo religioso mais perseguido em todo o planeta.

A declaração foi feita durante evento intitulado “Ao lado dos cristãos perseguidos: defender a fé e os valores cristãos”, realizado em 3 de março na sede da organização na Suíça .

Balestrero apresentou números que, segundo ele, evidenciam a gravidade da situação. “Quase 400 milhões de cristãos em todo o mundo enfrentam perseguição ou violência, o que os torna a comunidade religiosa mais perseguida do mundo”, afirmou. “Isso significa que um em cada sete cristãos é afetado” .

Os dados citados pelo representante vaticano indicam que aproximadamente 5 mil cristãos foram mortos por causa de sua fé ao longo de 2025, média de 13 mortes por dia . Pesquisas recentes da organização Portas Abertas apontam número ainda maior: 388 milhões de cristãos sofrem atualmente com perseguição e discriminação severas em âmbito global .

Mártires e responsabilidade estatal

O arcebispo estabeleceu distinção entre a perspectiva religiosa e o direito internacional em relação às vítimas. “Aqueles que foram mortos por causa de sua fé são mártires no sentido etimológico do termo: testemunhas de seu credo que incarnam valores que desafiam a lógica do poder”, explicou. “Da perspectiva do direito internacional, no entanto, eles são vítimas de violações escandalosas dos direitos humanos” .

Balestrero enfatizou que a responsabilidade fundamental pela proteção dos fiéis recai sobre os governos. “Um Estado deve respeitar a liberdade de religião ou de credo e abster-se de interferir na capacidade de indivíduos ou grupos professarem sua fé em privado ou em público por meio do culto, da prática e do ensino”, declarou .

O representante do Vaticano alertou que a impunidade contra a perseguição religiosa permanece como um dos problemas mais graves no enfrentamento à perseguição religiosa global. A proteção, segundo ele, deve alcançar os fiéis antes, durante e depois de eventuais ataques .

Perseguição velada e discriminação institucional

Além da violência física, o arcebispo chamou atenção para formas menos visíveis de opressão. “Entre estas, existe uma espécie de perseguição velada, que muitas vezes assume a forma de discriminação através da marginalização gradual e da exclusão da vida política, social e profissional, mesmo em terras tradicionalmente cristãs” .

Dados apresentados por Balestrero indicam que, somente em 2024, foram registrados mais de 760 crimes de ódio contra cristãos no continente europeu, conforme relatório do Gabinete para as Instituições Democráticas e os Direitos Humanos da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) .

O representante Vaticano citou casos recentes de restrições legais a expressões públicas da fé cristã, incluindo ações judiciais contra indivíduos por oração silenciosa perto de clínicas de aborto ou por referência a passagens bíblicas sobre questões sociais.

“Estas não são ações superficiais. São violações graves dos direitos dos cristãos, perpetradas pelas próprias autoridades que têm o dever de respeitar, proteger e promover os direitos humanos de todos”, afirmou .

Panorama global da perseguição

A Lista Mundial da Perseguição 2026, divulgada pela organização Portas Abertas em janeiro, aponta a Coreia do Norte como o país mais perigoso para cristãos, seguida por Somália, Iêmen, Sudão e Eritreia. O relatório destaca que 15 países apresentam nível máximo de perseguição, com destaque para a ascensão da Síria ao sexto lugar após aumento de violência contra comunidades cristãs .

A África Subsaariana concentra os maiores índices de violência letal. Dos cerca de 4.849 cristãos mortos por causa da fé no período analisado, aproximadamente 72% eram nigerianos. Sudão, Nigéria e Mali são os únicos países que atingiram pontuação máxima no indicador de violência .

Dimensão simbólica da cruz

Ao concluir seu discurso, Balestrero recorreu à simbologia cristã para ilustrar o significado dos ataques contra fiéis. “A cruz é formada por duas linhas que se cruzam: a vertical representa a abertura do homem à transcendência, enquanto a horizontal simboliza a ligação do homem com os outros” .

Segundo o arcebispo, os ataques na dimensão vertical buscam romper a relação entre a consciência e Deus, confinando a fé ao silêncio. Já os ataques na dimensão horizontal ocorrem quando os cristãos são perseguidos, privando a pessoa humana da capacidade de responder livremente ao chamado da verdade .

O representante católico concluiu defendendo que a salvaguarda da liberdade religiosa é essencial não apenas para proteger os fiéis, mas também para preservar a dignidade humana e a harmonia social. Com: The Christian Today.





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