Cuiabá/MT, 18 de março de 2026.

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GOSPEL

IA erra em citações bíblicas entre 15% a 60%


A inteligência artificial tem grande potencial, mas ainda não oferece segurança suficiente para responder perguntas sobre Deus e as Escrituras. Essa é a avaliação técnica de Bobby Gruenewald, fundador e CEO do app da Bíblia YouVersion.

Ele disse que a plataforma só adotará plenamente esse tipo de recurso quando houver confiança de que a tecnologia pode operar com precisão e integridade adequadas.

Gruenewald comentou a possibilidade de o app YouVersion investir em ferramentas abertas de perguntas e respostas baseadas em IA. A plataforma bíblica, que já ultrapassou 1 bilhão de downloads em sua família de aplicativos, distribui as Escrituras em centenas de idiomas e é uma das mais utilizadas no mundo.

Durante visita a Nairóbi para inaugurar um centro regional da YouVersion voltado à criação de conteúdo digital localizado, ele afirmou que a organização já usa inteligência artificial em processos internos, como programação e fluxo de trabalho. Apesar disso, a empresa decidiu não lançar um chatbot público para responder questões teológicas. Segundo ele, o principal obstáculo é a falta de precisão.

— Se algum dia adotarmos totalmente a IA, será porque temos muita confiança de que isso pode ser feito com segurança e com um nível de precisão e integridade adequado — declarou.

Gruenewald afirmou que mesmo os modelos mais avançados ainda apresentam índices elevados de erro ao citar a Bíblia. — O melhor modelo, com o melhor desempenho, usando as versões mais populares da Bíblia e as mais indexadas, cita as Escrituras incorretamente em pelo menos 15% dos casos. Alguns chegam a citar incorretamente em até 60% dos casos — disse.

Ele acrescentou que até pequenas mudanças na redação ou na pontuação podem alterar o sentido do texto bíblico: “Para a tradução da Bíblia, cada palavra e pontuação é significativa para a tradução das Escrituras”, afirmou.

Segundo Gruenewald, os grandes modelos de linguagem são treinados com enormes volumes de conteúdo da internet, o que amplia sua capacidade de resposta, mas também aumenta a imprevisibilidade. Ele avaliou que sistemas abertos de conversa podem produzir respostas incorretas sem que muitos usuários percebam, especialmente quando um versículo é alterado de forma sutil.

A posição da YouVersion reflete um debate mais amplo entre líderes e estudiosos cristãos. Parte desse grupo alerta que ferramentas de IA podem apresentar interpretações teológicas falhas ou tendenciosas. Em análise publicada em 2023, a revista Christianity Today informou que sistemas de IA podem produzir explicações aparentemente confiantes, mas imprecisas, e recomendou cautela no uso dessas ferramentas para estudo bíblico.

Ao mesmo tempo, igrejas e ministérios têm ampliado testes com inteligência artificial. Reportagem publicada pela Axios em 2025 informou que congregações nos Estados Unidos passaram a usar a tecnologia para redigir sermões, preparar devocionais e criar aplicativos de oração. Algumas plataformas também permitem que usuários façam perguntas sobre a fé ou interajam com personagens bíblicos simulados.

Nesse cenário, Gruenewald afirmou que a YouVersion não adota uma posição de rejeição total à tecnologia. Ele disse que a organização quer participar da construção de soluções mais confiáveis e que já desafia desenvolvedores, de forma reservada, a melhorar a forma como os modelos lidam com as Escrituras. Segundo ele, se a precisão bíblica avançar de maneira consistente, a plataforma poderá colaborar com acesso a textos confiáveis.

Empresas voltadas ao público religioso também começaram a discutir critérios para avaliar sistemas de IA. Em 2025, a Reuters informou que a Gloo, empresa de tecnologia ligada ao segmento de fé, iniciou esforços para medir se ferramentas de inteligência artificial se alinham a princípios como integridade teológica e bem-estar humano.

Gruenewald reconheceu que a inteligência artificial já cumpre funções práticas importantes em ministérios e igrejas. Ele citou usos como análise de dados, elaboração de comunicados, apoio administrativo, pesquisa de textos bíblicos, comparação de traduções e identificação de padrões linguísticos. Na avaliação dele, essas aplicações podem liberar líderes religiosos para dedicar mais tempo ao cuidado pastoral direto.

Ainda assim, ele estabeleceu um limite quando o tema envolve autoridade espiritual. — Quando se trata de responder às perguntas mais importantes da vida e tentar dar orientação a partir da Palavra de Deus, precisamos que ela seja melhor para podermos confiar nela — afirmou.

Ele observou que o debate ocorre em um momento em que parte do público mais jovem recorre primeiro a chatbots, antes de procurar líderes religiosos. Gruenewald destacou que muitas pessoas tratam essas ferramentas como fontes neutras, embora os sistemas funcionem com base em probabilidade estatística, e não em doutrina ou discernimento espiritual.

Para a YouVersion, a escala do serviço amplia a responsabilidade. Com alcance global e integração em programas de discipulado de muitas igrejas, qualquer recurso baseado em IA voltado às Escrituras teria impacto direto sobre milhões de usuários. Segundo Gruenewald, esse alcance exige cautela adicional.

Ele incentivou os usuários a conhecerem a Bíblia diretamente e a buscarem orientação de pastores e líderes capacitados. Na avaliação dele, a tecnologia pode servir como apoio, mas não deve substituir o discipulado humano nem o estudo cuidadoso dos textos sagrados.

O avanço da inteligência artificial deve manter o tema em discussão nos próximos anos. Parte dos especialistas acredita que sistemas mais especializados, treinados com base nas Escrituras, poderão atingir níveis de precisão mais elevados. Até lá, Gruenewald afirmou que velocidade, alcance e popularidade não devem se sobrepor à fidelidade do conteúdo bíblico. Segundo ele, quando se trata de textos sagrados, a precisão deve vir em primeiro lugar, segundo o The Christian Post.





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