O evangelista Franklin Graham, presidente da Samaritan’s Purse, condenou publicamente o avanço de grupos armados no Sudão, afirmando que o recente massacre em El-Fasher revela “o rosto do islamismo radical”. Graham disse ter recebido vídeos de execuções de civis cometidas por combatentes das Forças de Apoio Rápido (RSF), que ele descreveu como “imagens fortes demais para serem divulgadas”.
“Trabalhamos no Sudão há mais de 30 anos e nossos corações se partem por este país”, declarou em sua página no Facebook, pedindo orações “pelos civis que estão sendo assassinados enquanto leem isto”.
Massacre em El-Fasher
As Forças de Apoio Rápido (RSF) assumiram o controle de El-Fasher, a última cidade em poder do governo na região de Darfur, na segunda-feira da semana passada, após meses de cerco. Segundo a Associated Press, o ataque marca uma nova escalada na guerra civil sudanesa, que já deixou mais de 40 mil mortos e 14 milhões de deslocados desde 2023.
Na quarta-feira (30 de outubro), o governo sudanês informou que mais de 2 mil civis foram mortos desde a entrada das RSF na cidade. Graham classificou os atos como “matança por matar” e afirmou que “um massacre está acontecendo no Sudão, e o mundo praticamente o ignorou”.
Crimes de guerra
De acordo com uma investigação da BBC Verify, vídeos verificados mostram combatentes das RSF realizando execuções de civis e prisioneiros desarmados dentro e fora de El-Fasher. Em uma das gravações, um homem vestido com o uniforme das RSF atira em uma vítima entre dezenas de corpos dentro de um prédio universitário. Outro vídeo mostra um combatente identificado como Abu Lulu abrindo fogo contra nove prisioneiros, enquanto colegas celebram a ação.
Imagens de satélite analisadas pelo Laboratório de Pesquisa Humanitária de Yale confirmam a presença de aglomerados de corpos em áreas antes intactas da cidade, reforçando relatos de execuções em massa. A coordenadora da ONU para o Sudão, Denise Brown, afirmou ter recebido “relatos credíveis de execuções sumárias” de homens desarmados após a tomada de El-Fasher.
O assassinato de civis e de combatentes rendidos viola a Convenção de Genebra e configura crime de guerra.
Apelos por ação
A organização Christian Solidarity Worldwide (CSW), sediada no Reino Unido, pediu “ação internacional urgente” diante das atrocidades. “As imagens que chegam de El-Fasher são horríveis”, disse Mervyn Thomas, presidente fundador da CSW. Ele denunciou o uso de crianças-soldados pelas RSF e apelou à comunidade internacional para garantir proteção à região de Tawila, onde muitos civis buscaram refúgio, além de permitir acesso humanitário irrestrito ao local.
Origem das RSF
As RSF, lideradas pelo general Mohammed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemedti, têm origem na milícia Janjaweed, responsável por massacres e limpeza étnica em Darfur no início dos anos 2000. O ex-presidente Omar al-Bashir, fundador da milícia, foi indiciado pelo Tribunal Penal Internacional em 2009 por crimes de guerra e genocídio.
Hemedti, oriundo de Darfur e membro de uma família árabe de comerciantes de camelos, expandiu a força militar com o apoio de milícias árabes, do setor de mineração de ouro e do financiamento de países do Golfo, especialmente os Emirados Árabes Unidos (EAU). O grupo conta com cerca de 100 mil combatentes, muitos deles com experiência em guerras no Iêmen e na Líbia.
O exército sudanês apresentou queixa contra os EAU no Tribunal Internacional de Justiça, acusando o país de violar a Convenção sobre o Genocídio ao apoiar as RSF. Os Emirados negaram as acusações, classificando-as como “propaganda política”. O exército também acusou o comandante líbio Khalifa Haftar de fornecer armas e tropas ao grupo rebelde.
Conflito em curso
Desde a queda de Omar al-Bashir em 2019, o Sudão enfrenta instabilidade e sucessivas rupturas políticas. A guerra atual começou em abril de 2023, após o colapso da aliança entre as RSF e o exército nacional, liderado pelo general Abdel-Fattah Burhan. Ambas as facções recebem apoio militar estrangeiro e utilizam drones e armas de fabricação turca, chinesa, iraniana e russa.
Atualmente, o exército controla o norte e o leste do país, incluindo Cartum, enquanto as RSF dominam a maior parte de Darfur e partes de Kordofan. O grupo declarou intenção de formar um governo paralelo nas regiões sob seu domínio, reacendendo temores de fragmentação territorial.
De acordo com o The Christian Post, Franklin Graham concluiu sua mensagem reiterando a necessidade de oração e compaixão pelos civis sudaneses: “Este é o rosto do islamismo radical. O mundo precisa acordar para o que está acontecendo com o povo do Sudão”.
FONTE : Gospel Mais












