Cuiabá/MT, 12 de março de 2026.

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ex-pastor preso no caso Master movimentou 99 milhões


O Conselho de Controle de Atividades Financeiras identificou movimentações consideradas atípicas nas contas do empresário e ex-pastor Fabiano Zettel. Segundo relatório do órgão, ele movimentou cerca de R$ 99,2 milhões em um período de sete meses, valor considerado incompatível com sua renda mensal declarada de R$ 66 mil.

De acordo com o documento, o montante corresponde a uma média de aproximadamente R$ 14,1 milhões em transações mensais, valor mais de 200 vezes superior à renda informada. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo.

Movimentações atípicas

O relatório aponta que, entre junho de 2021 e janeiro de 2022, passaram pelas contas de Zettel cerca de R$ 49,9 milhões em créditos e R$ 49,3 milhões em débitos. Para o Coaf, o padrão das operações indica a possibilidade de que a conta tenha sido usada para transitar recursos de terceiros, prática frequentemente associada a operações financeiras intermediadas.

Segundo o órgão, várias transações apresentavam características incomuns para uma pessoa física. Entre os pontos observados estão transferências elevadas sem justificativa clara, operações entre contas de mesma titularidade e repasses realizados logo após o recebimento dos valores.

Esse tipo de movimentação, segundo o relatório, dificulta identificar a origem e o destino final dos recursos. A defesa de Zettel informou que não comentaria o caso por ainda não ter tido acesso ao conteúdo completo do documento.

Transferências

O relatório também menciona duas transferências feitas por Zettel ao empresário Luis Roberto Neves, que somam R$ 1,5 milhão. Os repasses ocorreram em 18 de dezembro de 2021 e 18 de janeiro de 2022, cada um no valor de R$ 750 mil.

Luis Roberto Neves é irmão de Paulo Sergio Neves de Souza, que foi alvo de mandados de busca e apreensão na terceira fase da Operação Compliance Zero.

Na época dos fatos, Paulo Sergio Neves de Souza ocupava cargo responsável por monitorar atividades de instituições financeiras no Banco Central do Brasil. O servidor foi afastado de suas funções e proibido de frequentar a sede da instituição.

Prisões e decisão do STF

Zettel e o empresário Daniel Vorcaro foram presos preventivamente por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Na decisão, o magistrado afirma que há indícios de que Zettel atuaria na intermediação e operacionalização de pagamentos ligados a um suposto esquema financeiro, criando mecanismos para transferências e contratos que justificariam os repasses.

O despacho também aponta suspeitas de que Paulo Sergio Neves de Souza teria atuado como interlocutor interno de interesses relacionados ao Banco Master dentro do Banco Central. Segundo o documento, existem indícios de que o ex-diretor possa ter recebido vantagens indevidas.

O Banco Central informou, no dia da operação, que já havia identificado indícios de irregularidades envolvendo o servidor, o que levou ao seu afastamento antes da decisão judicial.

Venda de propriedade rural

Outra informação mencionada em reportagens do jornal Valor Econômico aponta que o ex-diretor do Banco Central vendeu uma propriedade rural em Minas Gerais por R$ 3 milhões à empresa Pipe Participações.

Zettel é sócio da companhia, que também conta com participação de empresa administrada pelo irmão do ex-diretor do BC.

Resort no Paraná

O relatório também menciona movimentações financeiras no período em que Zettel participou da compra de participação societária em um resort no Paraná. Segundo dados divulgados pelo jornal O Estado de S. Paulo, a transação envolveu a aquisição da participação da empresa do ministro Dias Toffoli no Tayayá Resort.

O negócio foi concluído por cerca de R$ 20 milhões por meio do fundo Arleen. O relatório indica que Zettel transferiu R$ 25,6 milhões em 11 operações para o fundo Leal, que é o único cotista do fundo Arleen.

Documentos da Junta Comercial do Paraná indicam que o fundo Arleen se tornou sócio do empreendimento em 27 de setembro de 2021.

Em nota divulgada anteriormente, Toffoli afirmou que a empresa da qual é sócio vendeu sua participação no resort por valor de mercado. O ministro também declarou que nunca recebeu recursos de Daniel Vorcaro ou Fabiano Zettel.

Após a divulgação de mensagens citadas em relatório da Polícia Federal, Toffoli decidiu se declarar impedido de relatar o processo relacionado ao Banco Master no STF. O caso foi redistribuído por sorteio e passou a ser conduzido pelo ministro André Mendonça.

Outras transações

O relatório do Coaf também menciona outras transferências realizadas por Zettel. Entre elas está um repasse de R$ 1,5 milhão para a empresa Super Empreendimentos, na qual ele atuava como diretor.

Também foram identificadas transferências de R$ 1 milhão para um piloto de avião que mantinha contato frequente com Daniel Vorcaro e outra de R$ 763 mil para uma joalheria na Rua Oscar Freire, área comercial de alto padrão em São Paulo.

Segundo o Coaf, essas operações foram classificadas como movimentações financeiras suspeitas por apresentarem incompatibilidade com o perfil econômico do cliente.

O órgão destacou que relatórios desse tipo não indicam automaticamente a existência de crime, segundo a revista Oeste. O documento funciona como base para que autoridades responsáveis possam iniciar ou aprofundar investigações sobre possíveis irregularidades financeiras.





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