O vereador Daniel Monteiro (Republicanos) negou que teria aceitado o convite do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) para assumir a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) como secretário-adjunto. A especulação ganhou força após a Mesa Diretora da Câmara de Cuiabá, presidida pela vereadora Paula Calil (PL), apresentar um projeto de lei que altera o regime de licenciamento dos parlamentares, permitindo que vereadores assumam cargos de secretários e secretários-adjuntos (municipais ou estaduais) sem perder o mandato.
Questionado diretamente se assumiria a Educação do estado, outra pasta ou se permaneceria no Legislativo, o vereador foi categórico ao classificar as informações como “boatos de corredor”.
“Não existia absolutamente nada de concreto. Se existisse, da minha boca já teria saído algo, ou da boca do governador Otaviano Pivetta”, pontuou o parlamentar.
Apesar da negativa, o vereador não fechou as portas para o futuro e destacou sua proximidade com o Executivo Estadual, explicando que “é claro que sempre há conversas” entre os poderes.
“Na medida em que eu sou do mesmo partido e tento dar minhas contribuições. Já trabalhei no Governo do Estado e ajudei a desenvolver o regime de colaboração com os municípios. “Sempre dou contribuição, mesmo que intelectual”, afirmou.
Ainda Monteiro relembrou que “não se move por cargos” em um episódio do ano passado, quando recusou publicamente o convite para comandar a bilionária Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá.
“Ano passado eu fui chamado para ser secretário de Educação do município e recusei publicamente. Acho que foi a primeira vez na história que um parlamentar recusou uma secretaria do tamanho da Educação. Isso evidencia o meu desapego”, relembrou.
A recusa do vereador no passado ganhou novos contornos diante da crise que a atual gestão municipal vem enfrentando na área. O prefeito Abílio Brunini (PL) e o ex-secretário de Educação, Amauri Monge, travam uma guerra pública de denúncias de corrupção e pedalada fiscal desde o fim de maio. A auditoria do Tribunal de Contas (TCE) apura o pagamento suspeito de R$ 21 milhões, em processos que podem somar R$ 80 milhões, em livros didáticos de baixa qualidade, supostamente produzidos por Inteligência Artificial.
Durante a apuração do caso, a investigação também se estendeu ao governo estadual, onde Monge foi secretário-adjunto antes de ocupar a cadeira no município. Assim, ao ser questionado se fosse secretário diante do escândalo atual, ele pensava que poderia estar sendo o alvo das operações, o vereador preferiu “não trabalhar com hipóteses”.
“Como fui muito incisivo ao recusar o convite de forma pública, não tenho nem por que problematizar isso na minha cabeça. Eu tenho que pensar no futuro, não no passado que não aconteceu”, concluiu.
Enquanto o projeto que altera a legislação dos vereadores avança na Câmara sem resistência da base aliada, Daniel Monteiro sinaliza que, por ora, seu foco permanece no parlamento cuiabano, observando de perto os desdobramentos das investigações que acontecem na Educação de Mato Grosso.











