O secretário de Economia de Cuiabá, Marcelo Bussiki, nega que o prefeito Abílio Brunini (PL) tenha cometido pedalada fiscal na execução dos recursos da Educação em 2025. Ele garante que as despesas apontadas pelo ex-secretário, Amauri Monge, são restos a pagar, sendo esse um mecanismo previsto na legislação para compromissos assumidos em um exercício e quitados posteriormente.
A manifestação ocorreu em entrevista ao programa Tribuna, da rádio Vila Real, nesta segunda-feira (01). Na semana passada, Monge acusou a gestão atual de ter deixado mais de R$ 100 milhões em dívidas na Secretaria de Educação, com remanejamento de recursos da pasta para outras áreas. Segundo Bussiki, houve uma confusão conceitual por parte do ex-secretário.
“Pedalada fiscal é a omissão de despesas do balanço, buscando maquiar as contas da prefeitura. O que ocorreu, de fato, e está registrado no balanço, são restos a pagar. São despesas que não foram quitadas em 2025 e foram transferidas para 2026”, afirmou.
De acordo com o secretário, aproximadamente R$ 100 milhões em despesas da Educação foram transferidos para este ano, dos quais R$ 36,5 milhões já foram pagos. O restante segue em programação financeira e passará por análise da atual gestão da Secretaria de Educação antes da autorização dos pagamentos.
Troca de acusações
A polêmica teve início após a prefeitura abrir uma auditoria para apurar a aquisição de livros didáticos que, segundo o prefeito, podem ultrapassar R$ 80 milhões em contratos. Bussiki explicou que as investigações começaram em janeiro deste ano, após reclamações sobre atrasos em repasses às unidades escolares para manutenção, pequenas obras e outras despesas consideradas prioritárias.
“As unidades escolares estavam com repasses atrasados desde novembro. Havia despesas relacionadas a obras e até alimentação escolar que ainda não tinham sido quitadas. Foi identificado o pagamento de mais de R$ 21 milhões em livros em detrimento dessas despesas”, relatou.
O secretário afirmou que os contratos relacionados à aquisição de livros somam pouco mais de R$ 75 milhões e que cerca de R$ 43 milhões já foram pagos. Segundo ele, ainda não há conclusão sobre eventual excesso de material adquirido.
“Os livros estão distribuídos nas unidades escolares e também no barracão. A auditoria está analisando se houve compra acima da demanda necessária para os alunos. Algumas unidades relataram quantidade excessiva de exemplares, mas isso ainda está sendo verificado”, disse.
O secretário ressaltou que, até o momento, a gestão municipal não atribuiu responsabilidade a nenhum servidor ou ex-gestor. A definição sobre eventuais responsáveis dependerá da conclusão do relatório técnico.
“Em nenhum momento o prefeito apontou um responsável. Ele falou dos fatos. A auditoria é que vai apontar possíveis responsáveis e a conduta de cada um”, afirmou.
Conforme Bussiki, após a conclusão dos trabalhos, o relatório será encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e ao Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), que também acompanha o caso. Argumentou também que Cuiabá aplicou 26,2% das receitas na Educação em 2025, acima do mínimo constitucional de 25%, e atribuiu parte das dificuldades financeiras ao pagamento de despesas herdadas da gestão anterior.
“O prefeito Abilio pagou cerca de R$ 470 milhões de despesas da administração anterior. Isso impactou o orçamento do município, mas os investimentos na Educação foram realizados e as despesas pendentes serão quitadas ao longo de 2026”, declarou.












