Cuiabá/MT, 7 de março de 2026.

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Moradores do Jardim dos Lagos protestam em frente ao Fórum de Santo Antônio do Leverger

 

Cerca de 150 moradores do assentamento Jardim dos Lagos, localizado no município de Santo Antônio do Leverger, realizaram na manhã desta segunda-feira uma manifestação pacífica em frente ao Fórum da cidade. O ato teve como objetivo chamar a atenção das autoridades para a situação vivida pela comunidade após a recente sentença proferida em processo judicial iniciado em 2014.

Portando cartazes e entoando palavras de ordem em defesa do direito à moradia, os manifestantes destacaram que o Jardim dos Lagos é um assentamento antigo e consolidado, formado há mais de 30 anos, com residências permanentes, igrejas, pequenos comércios e uma organização comunitária estruturada ao longo de décadas. Segundo os moradores, a decisão judicial desconsiderou essa realidade social e atingiu de forma genérica famílias com situações jurídicas distintas.

De acordo com representantes da comunidade, há moradores com posse exercida desde a década de 1990 e até mesmo desde os anos 1980. Muitos já firmaram acordos judiciais ao longo do tempo e outros possuem ações de usucapião em estágio avançado, o que, na avaliação dos manifestantes, deveria ter sido analisado de forma individualizada antes de qualquer medida de maior impacto social.

O advogado Daniel Ramalho, que acompanha juridicamente o grupo, esteve no local e reforçou que a manifestação teve caráter ordeiro e institucional. Segundo ele, o objetivo foi dar visibilidade ao caso e demonstrar a preocupação coletiva com os efeitos da sentença. “Estamos falando de centenas de pessoas, famílias inteiras, que vivem aqui há décadas. A decisão foi genérica e acabou colocando todos sob o mesmo rótulo, sem considerar as posses antigas, os acordos já firmados e os direitos consolidados”, afirmou.

Ramalho reiterou que a defesa já adotou as medidas cabíveis no processo, com a apresentação de embargos de declaração com efeitos infringentes, e que outros recursos serão utilizados, se necessário. “O Judiciário precisa olhar para esse caso com a sensibilidade e a técnica que um conflito fundiário coletivo exige. Não se trata apenas de um litígio patrimonial, mas de um problema social concreto”, disse.

Durante o ato, moradores também manifestaram receio de que a sentença permita uma execução ampla e indiscriminada por parte da empresa autora da ação, a Chalé Empreendimentos Imobiliários Ltda, o que, segundo eles, aumenta a insegurança jurídica e o temor de remoções forçadas.

Para os participantes da manifestação, o protesto foi uma forma de pedir diálogo, revisão da decisão e respeito à história da comunidade do Jardim dos Lagos. “Aqui é nosso lar. Não somos invasores recentes. Queremos apenas que nossa realidade seja vista e que nossos direitos sejam respeitados”, resumiu um dos moradores presentes.

A mobilização encerrou-se de forma pacífica, e os moradores afirmaram que novas manifestações não estão descartadas, caso não haja reavaliação da decisão ou avanço no diálogo institucional sobre o futuro da comunidade.

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