Cuiabá/MT, 22 de junho de 2026.

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Vice-prefeita afastada: jovem apontada como servidora fantasma diz que fazia tarefas básicas




Vice-prefeita de Ribeira (SP) foi denunciado pelo MP por suposto repasse de R$ 41 mil para ‘casamento espiritual’
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A técnica de informática apontada como ‘servidora fantasma’ na ação de improbidade administrativa contra a vice-prefeita afastada de Ribeira (SP), Juliana Maria (MDB), disse ao Ministério Público (MP) que não tinha formação na área e que desempenhava apenas tarefas básicas durante o período em que trabalhou para o município.
À época com 17 anos e apenas o Ensino Médio completo, a jovem foi contratada diretamente para o cargo, com salário de R$ 2,5 mil mensais. Segundo o depoimento, ela trabalhou entre maio e dezembro de 2024, embora os pagamentos tenham continuado até maio de 2025.
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O caso integra uma ação de improbidade administrativa que também acusa Juliana de desviar R$ 41,2 mil da Secretaria de Saúde para pagar uma mãe de santo por uma “amarração amorosa” com o objetivo de separar um funcionário da esposa. O processo tramita sob segredo de Justiça.
Como ocorreu a contratação
Segundo a investigação do MP, a contratação foi feita diretamente pelo prefeito Ari do Carmo (PSD) durante um período em que o pai da jovem, servidor concursado do município, ocupava interinamente a Secretaria de Saúde.
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A pasta era comandada por Juliana, que havia se afastado temporariamente durante o período eleitoral. O MP pede que o prefeito, a vice-prefeita e a servidora devolvam os valores pagos na contratação.
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Em depoimento, a jovem relatou que já ajudava o pai desde a pandemia, realizando tarefas como digitação, instalação de programas e extração de arquivos. Segundo ela, o trabalho consistia em atividades de apoio, já que ele não possuía conhecimento técnico na área de informática.
De acordo com o relato, quando o pai assumiu temporariamente a gestão da Secretaria de Saúde, Juliana teria sugerido a contratação de uma pessoa para auxiliá-lo nas demandas administrativas. A indicação da filha partiu do próprio secretário interino.
“Está mais para auxiliar [de informática] o que eu fiz […] Eu não tenho uma formação. Então, se eu via que realmente o problema não era na programação, eu contatava o meu pai e ele mandava para o técnico realmente formado”, afirmou a jovem ao MP.
O pai dela também prestou depoimento e alegou que houve um erro na descrição do cargo ocupado pela filha. Ele confirmou ainda que ela não registrava ponto, não possuía controle formal de presença e que não havia chamados técnicos ou documentos que comprovassem os serviços prestados, pois o trabalho era realizado de forma remota.
Ari do Carmo (PSD) e a vice Juliana Maria Teixeira da Costa, de Ribeira (SP)
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Improbidade e defesa de Juliana
O MP pediu que Juliana e Ari sejam condenados por improbidade administrativa e devolvam os R$ 30 mil pagos à ‘servidora fantasma’. Além disso, a promotoria determinou uma reforma administrativa no município para acabar com contratações irregulares e adequar a estrutura da prefeitura.
No processo, a defesa de Juliana disse que a ré não era secretária de Saúde quando a servidora foi contratada e disse não haver provas de dano ao erário nem de dolo específico contra ela.
No entanto, o MP rebateu à alegação afirmando que a secretária tinha como função a fiscalização dos contratos e pagamentos, feitos diretamente com uma pessoa física, menor de idade, filha do ex-secretário e sem comprovação dos serviços prestados.
‘Amarração amorosa’
Juliana responde a um processo por organização criminosa, fraude à licitação, uso de documento falso, falsidade ideológica e peculato com outros dois homens. São eles: Lauro Olegário da Silva Filho, então coordenador municipal de Saúde, e Willian Felipe da Silva, proprietário da empresa W.F. Da Silva Treinamentos.
Segundo o Ministério Público, Juliana, Lauro e William teriam participado de um esquema para beneficiar a empresa de William em contratos da prefeitura. A investigação aponta fraudes em licitações e pagamentos considerados irregulares.
O MP também afirma que R$ 41,2 mil da área da saúde foram pagos com base em uma nota fiscal falsa e que parte desse dinheiro teria sido usada para contratar uma “mentora espiritual”.
Por causa disso, os três foram denunciados por diversos crimes relacionados ao uso irregular de dinheiro público e às fraudes em contratos da prefeitura. O Ministério Público também pediu a reparação mínima dos danos ao erário no valor de R$ 41,2 mil.
Juliana Maria Teixeira da Costa, vice-prefeita de Ribeira (SP), foi denunciada por usar R$ 41,2 mil de verba pública para pagar ‘casamento espiritual’
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