Tradição centenária transforma ruas em expressão de fé e cultura
Reprodução/TV Globo
Católicos celebraram nesta quinta-feira (4) o Corpus Christi, com os tradicionais tapetes colorindo as ruas.
Poucas coisas ainda são feitas desse jeito, à mão. Um traço aqui, uma serragem colorida ali, e logo uma figura se forma.
“Eu acho uma experiência muito legal, porque é da nossa cultura, né? Representa a nossa cultura”, conta Camily Vitória Souza.
É cultura que encontra a fé. E uma comunidade que se reúne pelo mesmo objetivo.
“Se não tiver esse trabalho com os alunos, com as crianças mais novinhas, pode ser que daqui no futuro não aconteça mais isso”, diz Marcelo Santiago, secretário de Cultura de Sabará (MG).
A festa, criada na Europa no século XIII, veio com os portugueses no período colonial e se espalhou pelo Brasil. Em Encantado, no Rio Grande do Sul, os tapetes deram um colorido ao Cristo Protetor, de 43 metros de altura.
Fernanda Dalmoro, empresária:
“Traduzir a imagem de Cristo aqui é muito emocionante, porque a gente trouxe elementos da nossa própria casa, da natureza.”
Rosângela Lucca, ministra da comunidade:
“Celebramos, assim, um momento muito importante da nossa vida de fé cristã. Éuma festa para homenagear o corpo e o sangue de Cristo.”
Cinco mil metros quadrados de tapetes enfeitaram as ruas de Castelo, no Espírito Santo.
“Um dia muito especial, principalmente pra mim, que sou católica. É muito lindo, é emocionante até”, explica a cabeleireira Maria Inês Arpini.
Seiscentas pessoas ajudaram a decorar doze quarteirões em Matão, no interior de São Paulo. Um trabalho que reúne voluntários de todas as idades.
Lurdes Aparecida Brevigliero, servidora pública:
“É um momento único, né? Porque Jesus sai pras ruas, né?”
Quando o sol aparece, as ruas históricas de Sabará, na Grande BH, amanhecem coloridas.
Mônica Maria Granja Silva, aposentada:
“Ensinando paz, amor e alegria. Não há melhor. Não há melhor. Não há melhor.”
Há tradições que sobrevivem porque são guardadas. Outras porque são refeitas. Os tapetes de Corpus Christi são assim. Todos os anos, depois que a procissão passa, eles desaparecem. E todo ano tem gente que sai de casa, vem pra rua e faz tudo de novo. É esse gesto simples que mantém essa celebração que atravessa gerações.
Entre os casarões, famílias inteiras acompanham o cortejo, o momento mais importante do dia. E ocupam as ruas num movimento que vai muito além da cerimônia religiosa. A cada passo, fé e arte se encontram pelo mesmo caminho.
Carlos Morato, aposentado:
“Fé de forma simples e que reúne as pessoas. Isso, para mim, é o mais importante. É um pouco o retrato da cidade.”
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