Cuiabá/MT, 12 de março de 2026.

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René Redzepi, chefe premiado, pede demissão após denúncias de agressões e humilhações




René Redzepi
The Best Chef Awards
O chef dinamarquês René Redzepi, um dos nomes mais celebrados da alta gastronomia internacional, pediu demissão nesta quarta-feira (11) após denúncias de agressões e humilhações no Noma, restaurante que comandava há 23 anos.
O restaurante, que acumula três estrelas Michelin, fruto da reputação construída ao longo de duas décadas, ganhou destaque internacional na última semana devido a uma reportagem do “The New York Times”. A reportagem reuniu relatos de agressões físicas e constrangimentos públicos de cerca de 35 ex-funcionários que trabalharam no Noma entre 2009 e 2017.
Em seu perfil no Instagram, Redzepi publicou uma nota afirmando que assume responsabilidade pelas ações e pediu desculpas. (leia a nota na íntegra ao final da matéria)
“Tenho trabalhado para ser um líder melhor e o Noma deu grandes passos para transformar sua cultura ao longo de muitos anos. Reconheço que essas mudanças não reparam o passado. Um pedido de desculpas não é suficiente; assumo a responsabilidade por minhas próprias ações”, diz a nota.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Ele ainda renunciou ao cargo de conselheiro da MAD, uma organização global sem fins lucrativos com sede em Copenhague fundada por ele.
“Após mais de duas décadas construindo e liderando este restaurante, decidi me afastar e permitir que nossos líderes extraordinários guiem agora o restaurante em seu próximo capítulo”, afirma o chef.
René Redzepi usou as redes sociais para anunciar a saída do restaurante e pedir desculpas a equipe.
Reprodução/Instagram
Redzepi também publicou um vídeo pedindo desculpas à equipe do Noma.
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Denúncias e repercussão
“Ele batia, cutucava e empurrava funcionários por erros pequenos e às vezes chegava a socar alguém quando perdia a paciência”, relatou um ex-trabalhador ao “The New Yotk Times”.
Os relatos também descrevem jornadas de trabalho extremamente longas dentro da cozinha, muitas vezes ultrapassando 12 ou até 16 horas por dia durante os períodos mais intensos do restaurante.
Ex-funcionários disseram ainda que parte significativa da equipe era formada por estagiários estrangeiros que recebiam pouca ou nenhuma remuneração pelo trabalho, apesar da carga pesada de tarefas.
As denúncias tiveram consequências imediatas. Dois patrocinadores desistiram de apoiar uma temporada de jantares — conhecidos como “pop-ups”, quando restaurantes operam por um período limitado em outra cidade — que o Noma estava prestes a iniciar em Los Angeles.
A American Express e a startup de hospitalidade Blackbird anunciaram que retiraram o apoio ao evento, que teria ingressos de US$ 1,5 mil (cerca de R$ 7,7 mil ) por pessoa e estava com todas as reservas esgotadas.
As duas empresas afirmaram que vão reembolsar clientes que haviam comprado ingressos por meio delas e doar o dinheiro arrecadado a organizações que defendem trabalhadores do setor de restaurantes.
“As práticas passadas de René, segundo ele próprio admitiu, eram inaceitáveis e abomináveis”, afirmou Ben Leventhal, fundador da Blackbird, em comunicado.
“Não podemos simplesmente nos apoiar no tempo decorrido e em alegações de reabilitação quando essas coisas ressurgem.”
Uma porta-voz da Resy, plataforma de reservas da American Express, afirmou que a empresa também decidiu se afastar do patrocínio do evento e que os recursos envolvidos serão redirecionados para iniciativas em apoio aos trabalhadores do setor de hospitalidade em Los Angeles.
“Nossa prioridade é apoiar a comunidade gastronômica e não permitir que essa decisão prejudique as muitas pessoas que trabalharam arduamente para dar vida a este projeto, desde agricultores locais até fornecedores e outros profissionais envolvidos”, afirmou a empresa.
Considerado um dos restaurantes mais influentes da gastronomia contemporânea, o Noma ajudou a redefinir a culinária moderna com pratos experimentais e forte uso de ingredientes locais, sazonais e muitas vezes colhidos diretamente na natureza.
Leia a nota na íntegra
As recentes semanas trouxeram atenção e conversas importantes sobre nosso restaurante, a indústria e minha liderança no passado.
Tenho trabalhado para ser um líder melhor e o Noma deu grandes passos para transformar sua cultura ao longo de muitos anos. Reconheço que essas mudanças não reparam o passado. Um pedido de desculpas não é suficiente; assumo a responsabilidade por minhas próprias ações.
Após mais de duas décadas construindo e liderando este restaurante, decidi me afastar e permitir que nossos líderes extraordinários guiem agora o restaurante em seu próximo capítulo. Também renunciei ao conselho da MAD, a organização sem fins lucrativos que fundei em 2011.
Para quem está se perguntando o que isso significa para o restaurante, deixem-me dizer claramente: a equipe do Noma hoje é a mais forte e inspiradora que já existiu. Estamos abertos há 23 anos e sinto um orgulho incrível de nossa gente, de nossa criatividade e da direção que o Noma está seguindo.
Esta equipe seguirá em frente unida para nossa residência em Los Angeles (LA), que será um momento poderoso para eles mostrarem o que têm desenvolvido e para receberem os clientes em algo verdadeiramente especial.
A missão do Noma para o futuro é continuar explorando ideias, descobrindo novos sabores e imaginando o que a comida pode se tornar daqui a décadas. O Noma sempre foi maior do que qualquer pessoa individualmente. E este próximo passo honra essa crença.



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