Atleta de vôlei do interior de SP ganha destaque nacional no canto lírico
Das quadras de vôlei aos palcos da música clássica, a trajetória do atleta natural de Itu (SP) e radicado em Sorocaba, Victor Hugo Miranda de Alcântara, conhecido como ‘Vitão’, tem chamado a atenção pela combinação de duas áreas que raramente se encontram.
Ex-atleta de equipes tradicionais do voleibol brasileiro e com passagem pelo esporte europeu, o central de mais de 2 metros de altura vem conquistando reconhecimento também como cantor lírico. A paixão, cultivada desde a infância, ganhou projeção nacional neste ano após ele se apresentar na TV Globo.
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Ao g1, Vitão relatou que carrega uma história marcada pela influência familiar. Filho de ex-jogadores de vôlei, ele cresceu cercado pelo esporte e decidiu seguir os mesmos passos ainda na adolescência.
Ao g1, Vitão relatou que carrega uma história marcada pela influência familiar. Filho de ex-jogadores de vôlei, ele cresceu cercado pelo esporte e decidiu seguir os mesmos passos ainda na adolescência.
“Meu pai é ex-atleta de voleibol. Ele participou do Clube Banespa, Clube de Jundiaí, Palmeiras, Paulistano. Minha mãe também jogava na cidade de Cajamar. Eles se conheceram através do voleibol. Minha mãe batia na tecla que ela sentia que um dia eu ia ser jogador de vôlei”, relembra Victor.
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Pai e mãe do atleta e cantor lírico, Victor Hugo Alcântara, durante carreira esportiva
Reprodução/Arquivo pessoal
“Quando eu cresci, sempre pratiquei esportes. Fui fazer um teste e, nesse mesmo dia, tinha um jogo de voleibol em Campinas. Foi o primeiro jogo profissional que eu assisti, e me apaixonei. Falei pro meu pai: ‘Eu quero ser um jogador profissional de vôlei’, e ele levou um choque. Minha mãe também, porque ela queria muito que eu fosse um atleta. E a partir dali começou minha trajetória”, completa.
O início da carreira aconteceu em Campinas. Pouco depois, ele foi aprovado em uma seletiva do Esporte Clube Pinheiros e se mudou para São Paulo aos 14 anos para investir no sonho.
Carreira nas quadras
Atleta de vôlei do interior de SP ganha destaque nacional no canto lírico
Reprodução/Arquivo pessoal
O desempenho nas categorias de base rapidamente colocou Vitão em evidência. Aos 16 anos, foi convocado para um período de treinamentos com a seleção brasileira de base e, posteriormente, passou por equipes como São Bernardo e Corinthians.
A estreia na Superliga Masculina de Vôlei aconteceu ainda jovem, quando defendia o São Bernardo na principal competição nacional.
“Comecei a me destacar, fui para a seleção brasileira de base, infelizmente não fiquei, mas era bem disputado. Tive essa experiência, estava nos holofotes da base. Joguei em Campinas, aos 17 fui para São Bernardo, e tive a oportunidade de jogar minha primeira Superliga brasileira, primeira divisão, em São Bernardo. Graças a Deus jogava muito bem e era titular, foi uma experiência única”, relembra.
Em 2019, o atleta recebeu uma proposta para atuar no voleibol austríaco. A experiência internacional durou três anos e representou uma das fases mais importantes da carreira esportiva.
Atleta de vôlei do interior de SP ganha destaque nacional no canto lírico
Reprodução/Arquivo pessoal
Paixão que nasceu antes mesmo do esporte
Embora o vôlei tenha se tornado profissão, a música sempre esteve presente em sua vida. Segundo Vitão, a influência veio principalmente da mãe, admiradora da música clássica e de artistas como Luciano Pavarotti e Andrea Bocelli.
“Estava na barriga da minha mãe e ela colocava o Walkman na barriga para eu escutar. Ela sempre foi uma pessoa muito eclética, meu pai veio mais da parte do samba, do rap, do hip-hop. E a minha mãe escutava de tudo e ela amava música clássica. E ela era muito fã de Luciano Pavarotti, Andréa Bocelli, Os Três Tenores e quando fui ganhando mais idade, com meus quatro, cinco, seis aninhos, a gente escutava muita música clássica, escutava muito rock, muita música anos 1980, anos 1990 e eu fui pegando afinidade pela música”, conta.
O atleta revela que, por ironia do destino, o “pontapé” inicial na música surgiu em seu clube. “Quando eu fui para o Esporte Clube Pinheiros, o meu técnico, Silvio Forti, fez uma postagem na rede social de um grupo chamado Il Divo que cantava ‘Amazing Grace’, por eu ter a facilidade de escutar e gostar muito. Quando eu tinha uns 12 anos, tentava imitar o Elvis Presley no banheiro e comecei a tentar fazer igual”, completa.
Atleta de vôlei do interior de SP ganha destaque nacional no canto lírico
Reprodução/Arquivo pessoal
O interesse pelo canto surgiu de forma espontânea. Ainda adolescente, ele começou a reproduzir canções que escutava e passou a estudar sozinho técnicas vocais e idiomas utilizados nas obras clássicas.
“Eu comecei a treinar sozinho, tentando aprender as letras, os idiomas e reproduzir a intensidade dos cantores que admirava. Com o tempo, as pessoas começaram a perceber e me incentivar”.
A primeira apresentação pública aconteceu durante o período escolar, quando professores ouviram o jovem cantando e o incentivaram a se apresentar para os colegas. “Eu era muito tímido. Mas uma professora e uma diretora disseram que eu precisava cantar para a escola inteira. Foi um desafio enorme para mim”, conta.
Do canto no chuveiro para o reconhecimento
O talento desenvolvido de forma autodidata acabou abrindo portas para apresentações em maior escala. Neste ano, Vitão teve a oportunidade de mostrar sua voz para um público nacional através do programa da TV Globo, o Domingão com Huck, no quadro Três Minutos para Brilhar. Ele descreve a experiência como um dos momentos mais marcantes de sua vida.
“Esse ano, minha mãe me inscreveu no quadro e eles ficaram extasiados na hora, ‘em choque’ por verem um jogador de voleibol de uma área que não tem nada a ver com a música, cantando lírico […] Uma coisa é cantar no chuveiro e achar que canta bem. Outra é cantar para o Brasil inteiro uma música de extrema dificuldade e importância dentro da música clássica. Tem uma diferença gigantesca”, relata.
Apesar do nervosismo inicial, ele afirma que encarou a oportunidade como uma forma de popularizar o canto lírico e inspirar outras pessoas a perseguirem seus objetivos, mesmo quando parecem distantes.
“Oportunidade de poder apresentar o que eu faço para mim, para minha família, para meus conhecidos que eu amo e mostrar isso pro Brasil inteiro. Depois de um tempo eu falei: ‘Eu tenho que mostrar isso pro Brasil’, eu preciso motivar e encantar as pessoas, porque eu canto de coração e alma, então que eu possa passar essa energia pras pessoas”, celebra.
Atleta de vôlei do interior de SP ganha destaque nacional no canto lírico
Reprodução/Arquivo pessoal
*Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida
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