Cuiabá/MT, 19 de junho de 2026.

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Arena da Amazônia e festa nas ruas: há 12 anos, Manaus entrava para a história ao receber jogos da Copa do Mundo




Jogo entre Honduras e Suíça na Arena da Amazônia durante a Copa do Mundo de 2014.
Silvio Lima
Há 12 anos, Manaus vivia dias que mudariam para sempre sua trajetória no cenário esportivo internacional. Em junho de 2014, a capital amazonense se tornou a primeira cidade da Região Norte a receber partidas de uma Copa do Mundo da Fifa, atraindo milhares de turistas, mobilizando moradores e levando a Amazônia para o centro das atenções do planeta. O g1 relembra os acontecimentos e como foram as festividades na época. Confira abaixo.
O caminho até o Mundial começou oficialmente em 9 de março de 2014, quando a Arena da Amazônia foi inaugurada após quase quatro anos de obras. Construído para substituir o antigo Estádio Vivaldo Lima, o Vivaldão, o novo palco do futebol amazonense recebeu cerca de 20 mil torcedores no jogo-teste entre Nacional e Remo.
Com capacidade para 44 mil pessoas, arquitetura inspirada nos grafismos indígenas e estrutura projetada com conceitos de sustentabilidade, a Arena custou R$ 669,5 milhões. A entrega do estádio, no entanto, foi marcada por atrasos no cronograma e pela morte de três operários durante a construção.
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Apesar dos desafios, a inauguração emocionou os presentes. Autoridades, torcedores e artistas participaram da cerimônia, que teve apresentação da Orquestra Amazonas Filarmônica, Orquestra Experimental do Amazonas e Coral do Amazonas. Para muitos manauaras, era a concretização de um sonho: ver a cidade pronta para receber o maior evento esportivo do mundo.
O dia em que a Copa chegou à Amazônia
No dia 14 de junho de 2014, Manaus viveu uma data histórica. Itália e Inglaterra entraram em campo na Arena da Amazônia diante de um estádio lotado, marcando a estreia da cidade na Copa do Mundo.
As ruas ganharam novos idiomas, bandeiras e sotaques. Ingleses e italianos dividiram espaço com moradores da capital em pontos turísticos como o Teatro Amazonas, o Largo São Sebastião e a Ponta Negra. Muitos visitantes aproveitaram para conhecer a culinária regional, os atrativos naturais e a hospitalidade amazonense.
A expectativa em torno do calor amazônico, tema recorrente na imprensa internacional, acabou sendo substituída pelos elogios dos turistas à receptividade local. Em meio à festa, o empresário italiano Max Filippi, que havia morado em Manaus entre 1987 e 1994, resumiu ao g1 o sentimento ao desembarcar novamente na cidade: “Quando saí do aeroporto, pensei: cheguei em casa”.
‘Cheguei em casa’, diz o italiano Max Filippi, 53 anos
g1 AM
A irreverência também tomou conta das arquibancadas e arredores do estádio. Torcedores vestidos de personagens como Mario e Luigi, turistas fantasiados de indígenas e grupos improvisando partidas de futebol nas proximidades da Arena ajudaram a criar imagens que se tornaram símbolos daquele Mundial.
Enquanto isso, milhares de pessoas acompanhavam os jogos na Fifa Fan Fest, montada no Anfiteatro da Ponta Negra, que reuniu shows nacionais e regionais às margens do Rio Negro.
Quatro jogos e uma cidade em festa
Ao longo da competição, Manaus recebeu quatro partidas da fase de grupos:
Inglaterra 1 x 2 Itália, em 14 de junho;
Camarões 0 x 4 Croácia, em 18 de junho;
Estados Unidos 2 x 2 Portugal, em 22 de junho;
Honduras 0 x 3 Suíça, em 25 de junho.
Entre elas, o confronto entre Estados Unidos e Portugal foi um dos mais movimentados da passagem da Copa pela capital. Mais de 80 mil pessoas ocuparam a Arena da Amazônia, a Fifa Fan Fest e o Largo São Sebastião. A cidade recebeu milhares de turistas norte-americanos e portugueses, enquanto um forte esquema de segurança contou, inclusive, com a participação de agentes do FBI.
Público chegando ao estádio em Manaus
g1 AM
Já o último compromisso do Mundial em Manaus teve clima de despedida. A vitória da Suíça sobre Honduras por 3 a 0 registrou o maior público da Copa na Arena da Amazônia: 40.322 torcedores. Segundo as autoridades de segurança, também foi o dia mais tranquilo em relação às ocorrências registradas.
Legados e lembranças
A Copa de 2014 deixou marcas que ainda geram debates. A Arena da Amazônia passou a receber jogos de times locais, eliminatórias de Copa do Mundo, mas também dá espaço para realização de shows e eventos, enquanto outras promessas feitas para o Mundial não saíram do papel.
Projetos como o monotrilho e o sistema BRT foram abandonados antes da competição. O Aeroporto Internacional Eduardo Gomes foi entregue parcialmente reformado, com parte das intervenções concluídas somente após o torneio.
Mesmo assim, para muitos amazonenses, o saldo afetivo permanece. Foram dias em que Manaus recebeu o mundo, viu suas ruas tomadas por diferentes culturas e mostrou que a Amazônia também podia ser palco de grandes eventos internacionais.
Doze anos depois, as imagens seguem vivas na memória: a Arena iluminada pela primeira vez, o Hino Nacional ecoando na inauguração, os turistas lotando o Centro Histórico, os mergulhos no Rio Negro antes das partidas e a emoção de ouvir o apito inicial do primeiro jogo de Copa realizado no Norte do Brasil.
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