Prédios do BRB em Brasília
Jornal Nacional
As associações ANEABRB e AABR, que representam 13,55% dos acionistas minoritários do Banco de Brasília (BRB), votaram contra o aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões aprovado em assembleia nesta quarta-feira (22).
As entidades afirmam que são favoráveis à recomposição do capital do banco, que é controlado pelo governo do Distrito Federal, mas criticam a forma como a decisão foi tomada.
Segundo as associações, o BRB fixou preço e volume da emissão de ações sem ter certeza sobre o tamanho real do prejuízo causado pelas operações malsucedidas com o Banco Master. Os acionistas apontam que o BRB:
não divulgou o balanço financeiro de 2025;
não apresentou o relatório de auditoria forense;
reconhece em juízo que os prejuízos finais “devem alcançar valor bilionário” sem quantificação precisa.
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Para os acionistas, essa definição não deveria ocorrer antes da conclusão dos números finais do prejuízo e da divulgação completa das informações financeiras.
“A conversão agora, antes dessa apuração, em capital social permanente, transfere o custo econômico da fraude para acionistas que não deram causa a ela — inclusive para os investidores pessoas físicas que não dispõem de recursos para acompanhar subscrição de R$ 8,8 bilhões”, escreveu a ANEABRB, em nota.
De acordo com as entidades, a provisão para perdas relacionadas ao Banco Master saltou de R$ 2,6 bilhões para R$ 8,8 bilhões em cerca de três meses.
Outro ponto de preocupação é a diluição da participação dos minoritários. Segundo as associações, a fatia da ANEABRB, por exemplo pode cair de 13,3% para cerca de 3% após a operação.
Entenda
BRB anuncia acordo de R$ 15 bi com Quadra Capital
O aumento de capital foi aprovado em meio à crise enfrentada pelo BRB após a aquisição de cerca de R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master, operação investigada por suspeita de irregularidades.
“Isso [aumento do capital] é muito importante e já demonstra que o banco tem um cronograma para integralização do capital no prazo de 29 de maio. Grande passo”, disse o presidente do BRB, Nelson Souza, nesta quarta (22).
🔎 O aumento de capital abre espaço para uma “injeção” de recursos no BRB. A medida permite, por exemplo, expandir operações, seja com ações, fundos ou empréstimos.
🔎 O aumento de capital também permite ao governo do DF executar medidas já anunciadas, como o uso de imóveis públicos como garantia para empréstimos e o pedido de empréstimo ao FGC. Com 53% do controle do banco, o governo terá de aportar pelo menos R$ 4 bilhões para acompanhar a capitalização.
A assembleia desta quarta também tem o objetivo de homologar a indicação do atual presidente, Nelson Antônio de Souza, e do executivo Joaquim Lima de Oliveira como conselheiros do BRB. Essa formalização está pendente desde o fim do ano passado.
Anúncio de acordo
O BRB informou nesta segunda-feira (20) que assinou um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para estruturar um fundo de investimento voltado à transferência de ativos atualmente detidos pela instituição.
Os ativos envolvidos na transação têm origem em operações recebidas pelo BRB do Banco Master.
Segundo o banco, a operação tem valor de referência de até R$ 15 bilhões. Desse total, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões devem ser pagos à vista. O restante, estimado entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, será convertido em cotas subordinadas do fundo que será criado para administrar e monetizar esses ativos.
A governadora Celina Leão (PP) comentou sobre o assunto nesta terça-feira (21). Para ela, o acordo mostra a “responsabilidade e seriedade como nós estamos tratando esse momento”.
Operações com o Banco Master
O BRB entrou em crise após adquirir cerca de R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master – operação que passou a ser investigada sob suspeita de fraude.
O Banco Master acabou sendo liquidado pelo Banco Central após investigações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.
As operações malsucedidas com o Banco Master fragilizaram o capital mínimo prudencial do BRB, ou seja, a reserva de segurança que o banco precisa manter em caixa para cobrir emergências e respeitar as regras de solidez bancária.
Diante do avanço das apurações, o Banco Central barrou a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB e intensificou o monitoramento sobre a situação financeira e a governança da instituição brasiliense.
A decisão aumentou a pressão sobre a atual gestão do banco público. Com isso, o balanço patrimonial do BRB piorou e colocou em xeque o atendimento do banco às regras em vigor no país.
Mesmo com o BRB afirmando possuir solidez e plano de capital estruturado, o mercado continua desconfiado.
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