Cuiabá/MT, 25 de julho de 2026.

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Sistema Famato leva debates sobre sustentabilidade e futuro da pecuária ao GAFFFF



Entidade participou do evento com palestras técnicas, painel sobre produção sustentável e a Vitrine Sabores do Agro, valorizando a qualidade da carne produzida em Mato Grosso.

O Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Sistema Famato) marcou presença no Global Agribusiness Festival Farm Fair (GAFFFF), em Sorriso, levando ao público uma programação voltada à discussão dos desafios e oportunidades da agropecuária, além de ações de valorização da produção mato-grossense.

Durante os dias de evento, o Sistema Famato promoveu debates sobre sustentabilidade, inovação, tecnologia e gestão no campo, além de aproximar os visitantes da qualidade da carne produzida no estado por meio da Vitrine Sabores do Agro, realizada no estande da entidade.

Para o diretor de Relações Institucionais da Famato, Ronaldo Vinha, a participação reforçou o papel da instituição em promover conhecimento técnico e valorizar os produtores rurais mato-grossenses.

“Sorriso é referência mundial na produção agrícola, e sediar um evento dessa magnitude demonstra a força do agronegócio mato-grossense. “Estamos aqui para apoiar essa iniciativa, receber os produtores em nosso estande e mostrar que o Sistema Famato está presente onde o agro acontece”, afirmou Ronaldo.

Produzir mais, utilizando os recursos de forma eficiente e com responsabilidade ambiental, é um dos principais desafios da agropecuária moderna. O superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, falou sobre o assunto durante o painel “Produção e Sustentabilidade: O Novo Equilíbrio” e também palestrou sobre o tema “Soja: Mercado, Clima e Rentabilidade no Campo”.

O painel reuniu Flávio Jesus Wruck, pesquisador e chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agrossilvipastoril; Gustavo Paredes, diretor executivo da Red de Innovación Sostenible; José de Barros França Neto, pesquisador da Embrapa Soja; e Luiz Pedro Bier, vice-presidente da Aprosoja Mato Grosso.

Segundo o superintendente do Imea, a competitividade da agropecuária depende diretamente do conceito de sustentabilidade em sua totalidade, que engloba os pilares econômico, ambiental e social.

“Sustentabilidade é alicerçada em um tripé social, ambiental e econômico. Não adianta termos apenas sustentabilidade ambiental se a atividade não consegue sobreviver economicamente e gerar benefícios para quem produz.”

Ao abordar os avanços registrados em Mato Grosso, Gauer ressaltou que diversas tecnologias já demonstram resultados concretos tanto para a produtividade quanto para a conservação dos recursos naturais.

Entre as práticas citadas estão o plantio direto, o cultivo mínimo, os sistemas de integração lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta, o uso de bioinsumos e a adoção de tecnologias que tornam o manejo mais eficiente, reduzindo aplicações e aumentando a eficiência produtiva.

Outro ponto destacado foi o crescimento da produção sem necessidade de expansão proporcional da área cultivada.

“Nós usamos melhor o mesmo espaço que temos. Produzimos cada vez mais na mesma área. Esse é um dos principais indicadores de que Mato Grosso ganhou produtividade ao longo dos últimos anos.”

Para Gauer, um dos maiores desafios continua sendo ampliar o reconhecimento das boas práticas já adotadas pelos produtores mato-grossenses.

“É preciso lembrar constantemente que os três pilares da sustentabilidade caminham juntos e reconhecer as atividades que já vêm sendo desenvolvidas. A produção de Mato Grosso é sustentável e isso precisa ser compreendido, sem estigmas ou falsas percepções.”

O superintendente também destacou que a evolução da cadeia produtiva tem sido impulsionada tanto pela adoção natural de novas tecnologias quanto pelas exigências dos consumidores e dos mercados, especialmente em relação à rastreabilidade, ao monitoramento e à transparência da produção.

O analista de Pecuária da Famato, Marcos Carvalho, palestrou sobre o tema “Pecuária do Futuro no Mato Grosso: Mercado, Carbono, Sustentabilidade, Tecnologia, Gestão e Rentabilidade na Fazenda” e destacou que a sustentabilidade é um tripé formado pelos pilares econômico, social e ambiental. Segundo ele, aspectos como a reciclagem de nutrientes, o carbono e a preservação da reserva nativa deixaram de ser apenas uma pauta para se tornarem requisitos de mercado. Essas questões, somadas às exigências dos compradores, têm impacto direto sobre o acesso aos mercados, ao crédito e à comercialização da produção.

“O produtor rural sempre foi reconhecido pela sua capacidade de produzir. Agora, além de produzir bem, será cada vez mais importante demonstrar como produz. Gestão, sustentabilidade, tecnologia e eficiência são fundamentais para manter a competitividade na pecuária”, destacou Marcos.

Outro tema abordado foi a implantação gradual do Programa Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), que deverá tornar obrigatória a identificação individual dos animais antes da primeira movimentação, a partir de 2033. Marcos explicou que a mudança exigirá planejamento, investimentos e adaptação das propriedades, sobretudo porque a pecuária mato-grossense reúne sistemas produtivos bastante distintos.

Atualmente, o estado conta com cerca de 108 mil propriedades com bovinos e um rebanho de aproximadamente 33 milhões de cabeças. Embora apenas 2,38% das fazendas concentrem 38,43% do rebanho estadual, cerca de 57% das propriedades possuam até 100 bovinos, realidade que exige soluções compatíveis com diferentes perfis de produtores.

Nesse contexto, Marcos reforçou que a competitividade da pecuária começa dentro da porteira, com uma base produtiva bem estruturada. A recuperação de pastagens, a produção de alimento para o rebanho, o manejo adequado, o controle sanitário, a eficiência reprodutiva e a gestão da propriedade foram apontados como pilares para aumentar a rentabilidade. Segundo ele, tecnologias mais avançadas somente alcançam o potencial esperado quando são aplicadas sobre um sistema produtivo sólido.

Como caminho para elevar a produtividade de forma sustentável, também foram apresentadas tecnologias previstas no Plano ABC+, entre elas a recuperação de pastagens degradadas, a integração lavoura-pecuária, a recria e a terminação intensiva a pasto, além do uso de bioinsumos e sistemas irrigados. Essas práticas contribuem para produzir mais por hectare, reduzir custos e aumentar a resiliência das propriedades rurais.

O encontro também abordou tendências para a próxima década, como o uso crescente de inteligência artificial, sensores, drones, softwares de gestão e conectividade no campo, além de temas relacionados às certificações, ao mercado de carbono e à agregação de valor à produção.

“Os desafios que a pecuária enfrenta hoje vão muito além da porteira. Por isso, é fundamental que os produtores estejam organizados e atuem por meio dos sindicatos rurais, cooperativas e associações. A união do setor fortalece a representação, amplia oportunidades e nos dá mais condições de enfrentar as mudanças do mercado”, reforçou Marcos.

A Vitrine Sabores do Agro também integrou a programação do estande do Sistema Famato no GAFFFF, reforçando a valorização da pecuária mato-grossense e aproximando o público da qualidade, da diversidade e do potencial da produção de proteínas do estado. A iniciativa evidencia o trabalho desenvolvido pelos produtores rurais, além de promover conhecimento sobre cortes, preparo e aproveitamento dos alimentos.

Nos dias 23 e 24 de julho, a ação apresentou receitas e técnicas de preparo com peixe e carne suína. A programação continua neste fim de semana com a Vitrine da Carne Bovina, no dia 25 de julho, e a Vitrine Cozinha Pantaneira, no dia 26 de julho, ambas conduzidas pelo instrutor credenciado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar MT) Tiago Felipe.



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