Um achado nos Estados Unidos trouxe de volta à luz um dos primeiros registros de robôs no cinema. Um curta-metragem de 1897, considerado perdido, foi identificado após ser encontrado dentro de um baú antigo em Michigan. A descoberta foi divulgada na quarta-feira (22/4) pela IFLScience: o filme intitulado Gugusse and the Automaton, de 45 segundos, foi dirigido pelo cineasta francês Georges Méliès, um dos pioneiros dos efeitos especiais.
A obra foi descoberta entre 10 rolos antigos pertencentes à família de Bill McFarland, que não sabia o que havia no material. Sem conseguir vender ou doar as películas, feitas de nitrato, substância altamente inflamável, ele decidiu levá-las até a Library of Congress, nos Estados Unidos, onde especialistas conseguiram analisar o conteúdo.
Os filmes em nitratos são difíceis de preservar porque são extremamente frágeis e podem se degradar ou até entrar em combustão, o que torna iniciativas de conservação essenciais.
Primórdios da ficção científica
Durante a análise quadro a quadro, técnicos identificaram uma cena fora da época, um mágico em confronto com um autômato. A sequência foi reconhecida como parte de Gugusse and the Automaton, produção criada por Méliès no fim do século 19 e até então considerada desaparecida.
No filme, o próprio diretor interpreta um mágico que dá vida a uma figura mecânica semelhante a um palhaço. O autômato, inicialmente rígido, passa a se mover sozinho e ataca seu criador, que reage destruindo a criatura até ela desaparecer.
De acordo com os pesquisadores, a narrativa antecipa um tema central da ciência moderna e da cultura pop: a criação artificial que ganha autonomia.
A redescoberta do curta vai além do valor histórico. Para pesquisadores, o material ajuda a entender como conceitos ligados à tecnologia, como robôs e máquinas autônomas eram imaginados há mais de um século.












