Morte em Rope Jump: veja depoimento de apontada como organizadora do evento
Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada pela polícia como organizadora do evento de rope jump que resultou na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, teria orientado colaboradores a “sumir com a câmera” que estava presa ao pulso da jovem e que gravava o salto.
A jovem morreu após ser lançada sem corda de segurança durante prática radical na Ponte do Esqueleto, entre Limeira (SP) e Cordeirópolis(SP), em 13 de junho.
A informação de que Evelyne teria orientado a captura do equipamento consta no segundo inquérito do caso, finalizado nesta segunda-feira (30) e que o g1 teve acesso nesta quinta-feira (2). Evelyne foi indiciada pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual.
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O segundo inquérito busca delimitar a responsabilidade penal de cinco integrantes do grupo que realizava os saltos de rope jump e que estavam presentes no dia da morte de Maria Eduarda.
Já o primeiro inquérito do caso resultou no indiciamento de três integrantes do grupo, que lançaram a jovem da ponte, por homicídio com dolo eventual. Eles foram presos no dia da morte.
Por que a câmera é importante?
Segundo a Polícia Civil, a câmera estava fixada ao braço da vítima para registrar a experiência do salto em primeira pessoa. O equipamento não foi localizado e é considerado essencial para registrar a dinâmica dos fatos.
Como a polícia chegou na suspeita
O integrante do grupo de rope jump e investigado, Luís Gustavo de Oliveira, afirmou em depoimento à polícia que, logo após o acidente, Evelyne demonstrou extrema preocupação em recuperar a câmera. Segundo ele, ela solicitou expressamente que ele buscasse o equipamento e mencionou que seria necessário apagar o vídeo registrado, pedido que ele afirmou ter recusado para priorizar o socorro à vítima
“Houve menção expressa de que seria necessário apagar o vídeo registrado, o que foi por ele recusado naquele momento […] após retornar à parte superior da ponte, Evelyne reiterou a preocupação com a câmera, bem como solicitou que fossem retirados equipamentos do local e encaminhados ao veículo”, descreve o relatório.
Luis Gustavo também disse à polícia que Evelyne estava tentando desativar perfis do grupo nas redes sociais. Ele afirmou não saber onde está a câmera.
Em depoimento, João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva (o “Alemão”), disse que ouviu de uma pessoa, que não identificou, o relato de que Evelyne pediu a um integrante que pegasse a câmera.
Qual era a função da Evelyne?
Evelyne dos Santos Gonçalves, suspeita por morte de jovem em salto de rope jump em Limeira
Reprodução
Referida como “CEO” do grupo, Evelyne era a responsável pela recepção, cadastro dos participantes, assinatura de termos de responsabilidade, entrega de fichas de ordem numérica e gestão das redes sociais, incluindo a edição e postagem de vídeos para “viralizar” o esporte.
Para a polícia, como organizadora e administradora do evento, ela tinha o dever jurídico de evitar o resultado, assumindo o risco ao manter a atividade em condições precárias.
“Os elementos colhidos demonstram que Evelyne integrava o núcleo organizacional responsável pela realização da atividade, participando da definição de aspectos logísticos do evento, administração dos participantes, divulgação da atividade e manutenção da estrutura operacional necessária para sua execução”, indicou a polícia.
O que diz a defesa
Evelyne era representada por um profissional que declarou que ela estava confiante sobre a própria inocência. No entanto, ao decorrer do processo, a suspeita trocou de advogado. O novo defensor informou que recebeu a conclusão do inquérito com respeito, mas que discorda do indiciamento.
“Trata-se de manifestação da autoridade policial, que será submetida ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. As teses defensivas serão apresentadas no momento oportuno, confiando que, ao final, os fatos serão devidamente esclarecidos, observando o devido processo legal e a presunção de inocência”, informa Dr. Maurício Marchiori
Quem pegou a câmera?
João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva foi preso sob suspeita de retirar a câmera do corpo de Maria Eduarda. No entanto, a polícia não o indiciou por esse crime porque afastou a suspeita com base nas características físicas dele.
Segundo testemunhas, a pessoa que retirou a câmera da vítima tinha cabelo castanho. João, por outro lado, tem cabelo loiro descolorido.
De acordo com o relatório, outros integrantes do grupo, Kauê Felipe Silva Silveira e Gabriel Barros Martins, que têm cabelo escuro e usavam uniforme, são investigados por ocultação. O g1 tenta localizar as defesas, e a reportagem será atualizada após a manifestação.
Após ser preso, João Antonio escreveu uma carta pública em que pedia ajuda para que o equipamento fosse encontrado. “Eu sou um pai comum que prestava serviço para complementar a renda para pagar as contas”, disse no texto divulgado.
“Eu venho pedir a ajuda da mídia para investigar as imagens e descobrir onde está essa câmera, pois essa câmera vai esclarecer o que houve após o salto. Peço também a ajuda de quem estava na ponte no dia pois as gravações no dia podem ajudar a esclarecer os fatos”.
Revogação de prisões
Nesta quarta-feira, a polícia pediu a revogação das prisões de João Antonio e Gabriel Barros Martins. Mas, até a publicação desta reportagem, o Tribunal de Justiça informou que a dupla estava presa. Os dois foram presos em 20 de junho.
Apesar de estarem sob prisão temporária, o relatório concluiu que não há indícios suficientes para indiciá-los. Por isso, a polícia defendeu a revogação das prisões.
Luís Gustavo de Oliveira e Kauê Felipe Silva Silveira, colaboradores do grupo que estão sendo investigados pelo grupo, também não foram indiciados por falta de provas de participação direta na morte ou na ocultação de evidências.
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Arte/g1
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