Cuiabá/MT, 7 de março de 2026.

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Cientistas criam mini-cérebro capaz de resolver problema de engenharia


Cientistas do Instituto de Genômica da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, treinaram minicérebros com sinais elétricos e demonstraram que esses tecidos vivos podem adaptar conexões neurais para melhorar o desempenho em uma tarefa de equilíbrio virtual.

O estudo, publicado na última quinta-feira (19/2) na revista Cell Reports, mostra que, no laboratório, cientistas podem cultivar estruturas tridimensionais de tecido cerebral conhecidas como organoides cerebrais — frequentemente chamados de minicérebros — a partir de células-tronco.

Esses organoides não são cérebros completos nem têm consciência, mas reproduzem aspectos da organização e atividade elétrica do córtex cerebral, permitindo que pesquisadores observem como neurônios se conectam, disparam sinais e se organizam em redes.

O desafio de engenharia

Para testar se esses tecidos poderiam ajustar seu comportamento, os pesquisadores usaram um problema clássico conhecido como “cart-pole”. No teste, um sistema precisa manter um poste equilibrado sobre um carrinho em movimento.

É semelhante a equilibrar uma régua na ponta do dedo: qualquer erro faz o poste cair, exigindo ajustes constantes. A tarefa exige resposta rápida e correção contínua — algo que lembra o modo como o cérebro aprende por tentativa e erro.

Os organoides foram conectados a um sistema capaz de enviar sinais elétricos representando a posição do poste, registrar a resposta elétrica dos neurônios e transformar essa resposta em comandos para mover o carrinho.

Quando o desempenho melhorava, o sistema ajustava os estímulos. Esse processo é chamado de feedback adaptativo — ou seja, o tecido recebia sinais organizados conforme o resultado obtido.

Os organoides que passaram por esse tipo de estímulo conseguiram melhorar o desempenho na tarefa. Já aqueles que receberam sinais aleatórios ou nenhum estímulo tiveram resultados muito inferiores.

O estudo não mostra que os minicérebros “pensam” ou “entendem” o problema. O que foi observado é que as redes de neurônios dentro do tecido conseguem ajustar sua atividade quando recebem estímulos estruturados.

O efeito também foi temporário. Segundo os pesquisadores, após cerca de 45 minutos sem estímulo, o desempenho voltava ao nível inicial. Ainda assim, o experimento demonstra, de forma controlada, que organoides cerebrais podem modificar padrões de atividade com base no próprio desempenho.

A principal contribuição do estudo é oferecer um modelo vivo para investigar como redes neurais aprendem e se reorganizam. Esse tipo de sistema pode ajudar a estudar alterações na comunicação entre neurônios, algo presente em doenças neurológicas como Alzheimer e Parkinson.

Embora ainda esteja longe de virar um “computador biológico”, o trabalho mostra que tecidos cerebrais cultivados em laboratório podem responder a desafios de forma adaptativa. É um passo inicial muito importante para compreender os mecanismos básicos do aprendizado no cérebro humano.



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