O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (20) que pretende conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma negociação soberana para a venda e exploração de minerais críticos e terras raras. Minerais críticos e estratégicos são aqueles que desempenham papel central na economia do presente e do futuro. São usados, por exemplo, na tecnologia de ponta, em chips para celulares e computadores e na transição energética.Grande parte desses minerais são as chamadas “terras raras”, que são tão importantes na geopolítica mundial que, nos últimos meses, os Estados Unidos fecharam acordos sobre elas com Ucrânia e China.O Brasil, de acordo com o Serviço Geológico Americano, tem a segunda maior reserva de terras raras do planeta. A maior fica na China. Atualmente, a produção nacional corresponde a apenas 1% da produção mundial.Lula já defendeu esse posicionamento em viagens internacionais, inclusive durante discurso no G20. Mas, desta vez, destacou que o assunto será uma das principais pautas a serem debatidas com o chefe da Casa Branca.
“Quero negociar com ele a questão dos minerais críticos e das terras raras. O Brasil tem muitos minerais críticos e terras raras, mas não queremos transformar o território brasileiro em um santuário da humanidade”, disse o presidente. “Prefiro negociar de forma soberana para que o processo de transformação desses minerais críticos seja feito e explorado em nosso país, dentro do nosso país. E venderemos para quem quisermos vender”, prosseguiu. Lula deu a declaração a uma TV local na Índia, onde está em viagem oficial. A agenda foi transmitida com tradução para o inglês. O Planalto não divulgou uma transcrição oficial da entrevista em português.Viagem para WashingtonLula e Trump acertaram uma visita oficial do brasileiro à Casa Branca durante uma ligação telefônica no ano passado. A previsão é que a reunião presencial ocorra no mês de março, após viagem do petista para a Coreia do Sul.Além da questão dos minerais críticos, Lula também disse que pretende discutir com Trump o fim do tarifaço – ainda em vigor para alguns setores, especialmente da indústria – e o combate ao crime organizado e ao tráfico internacional.”Agora, quero ir aos Estados Unidos porque, desde que ele começou na Venezuela dizendo que queria combater o crime organizado e o tráfico de drogas, muito bem. Eu também quero combater isso aqui no Brasil”. O petista também reclamou da forma de Trump de anunciar as medidas por meio de redes sociais, e disse que levará até a Casa Branca um documento por escrito, para garantir que o “vento não distorça palavras”. “Essa proposta, quero levá-la por escrito ao presidente Trump, porque tenho receio de que o vento possa distorcer as palavras. Então, vou levá-la por escrito. Tudo o que vou tratar com o presidente Trump, levarei por escrito. Estou otimista com essa conversa com o presidente Trump”.
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