Cuiabá/MT, 7 de março de 2026.

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Engenheiro ambiental explica o que acontece com o lixo após a coleta


Depois que o caminhão de coleta passa pelas ruas, o lixo vai para caminhos diferentes, dependendo da estrutura de cada cidade. Em muitos casos, o processo de coleta é feito por etapas como: transporte, triagem e disposição final. Em outros, o processo é mais direto, com o material seguindo quase integralmente para o descarte, sem a separação prévia.

Nas grandes cidades brasileiras, a gestão dos resíduos sólidos se tornou um dos principais desafios do planejamento urbano e da administração pública. Estudos indicam que o país produz cerca de 160 mil toneladas de lixo por dia. Só a cidade de São Paulo responde por 12 mil toneladas diárias, o maior volume entre os municípios brasileiros. 

Do total gerado no país, aproximadamente 30% poderiam ser reaproveitados ou reciclados, mas só uma parcela pequena volta de fato para a cadeia produtiva. Os plásticos representam 13,5% de todo o lixo produzido ao longo do ano, o equivalente a mais de 10 milhões de toneladas.

Para onde vai o lixo depois da coleta?

De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), o caminho do lixo envolve etapas que deveriam ser cumpridas desde o momento em que o resíduo é gerado até o seu destino final. De forma simples, o modelo ideal de percurso inclui:

  • Geração: quando o resíduo é produzido em casas, comércios e serviços;
  • Coleta (convencional e seletiva): retirada do lixo pelas equipes de limpeza urbana, com ou sem separação de recicláveis;
  • Tratamento: processos que permitem reaproveitar parte do material, como reciclagem e compostagem;
  • Destinação: encaminhamento para unidades adequadas, como centrais de triagem ou usinas;
  • Disposição final: envio que não pode ser reaproveitado para aterros sanitários.

Entretanto, na prática, a maior parte dos resíduos coletados no Brasil vai direto para aterros sanitários ou áreas de descarte. Materiais que poderiam ser reciclados ou tratados se misturam com o lixo comum, já que nem todo mundo faz a separação nas casas e a coleta seletiva não cobre todos os bairros.

Com isso, os aterros acabam recebendo muito mais do que só os rejeitos. Recicláveis e restos de alimentos chegam juntos e parte desse lixo ainda vai para áreas sem controle ambiental, onde não existe proteção do solo nem monitoramento da água subterrânea.

Foto colorida de pessoa catando lixo - Engenheiro ambiental explica o que acontece com o lixo após a coleta - Metrópoles
O Brasil é um dos maiores geradores de lixo do mundo

“De maneira geral, os aterros sanitários recebem principalmente resíduos domiciliares e comerciais compostos por rejeitos e materiais recicláveis e orgânicos. Já os lixões, que não possuem qualquer controle ambiental, recebem os mesmos tipos de resíduos, além de entulho e até mesmo resíduos perigosos”, explica o engenheiro ambiental Pedro Montenegro, do Rio de Janeiro.

Infográfico de para onde vai o lixo - Engenheiro ambiental explica o que acontece com o lixo após a coleta - Metrópoles

Impactos ambientais da destinação errada do lixo

Em casos de descarte de resíduos em locais sem estrutura, como os lixões, o contato direto do lixo com o solo favorece a liberação de líquidos contaminantes, que podem infiltrar e atingir a água subterrânea ou cursos d’água próximos. 

Além disso, a decomposição de restos de alimentos e outros resíduos orgânicos libera gases de forma descontrolada, o que contribui para o aquecimento do planeta que já está com níveis altíssimos de emissão de CO2. 

Outro ponto preocupante é que áreas de descarte sem controle motivam a presença de animais que transmitem doenças, como insetos e roedores, o que amplia a ocorrência de problemas de saúde entre pessoas que vivem ou circulam perto desses locais.

Por que a gestão do lixo ainda é um desafio no Brasil

A gestão do lixo enfrenta dificuldades principalmente por falta de estrutura e de organização em muitas cidades. A coleta seletiva não chega a todos os bairros, há poucas unidades de reciclagem e de compostagem e o planejamento municipal para o setor é limitado.

Isso faz com que o serviço fique concentrado em recolher e descartar os resíduos, e não em cumprir de forma integral todas as etapas do processo. Além disso, mesmo que a legislação preveja responsabilidades para governo, empresas e população, essas ações ainda são pouco aplicadas no dia a dia. 

“A política mais decisiva é a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que estabelece responsabilidade compartilhada entre governo, empresas e sociedade. Sem planejamento municipal, cobrança adequada pelo serviço e educação ambiental, o volume de lixo nos aterros não vai diminuir”, ressalta a engenheira e gestora ambiental Kelly Cristina da Silva, de Ribeiro Preto.

Nesse contexto, medidas como ampliar a coleta seletiva, investir em infraestrutura e incentivar a separação do lixo nas casas são medidas centrais para reduzir o volume de todas as toneladas de resíduos enviados aos aterros.



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