Cuiabá/MT, 15 de março de 2026.

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‘Parece que viveu mil vidas’: do sertão a Salvador, a trajetória de Wagner Moura até o Oscar




Wagner Moura no tapete vermelho: estou me sentindo tão bem
Antes da projeção internacional e da indicação ao Oscar, Wagner Moura viveu experiências muito diferentes, do sertão baiano a Salvador, do jornalismo ao teatro e à música. E essa trajetória ajuda a explicar a versatilidade que hoje marca sua atuação.
Uma parte importante dessa história começa em Rodelas, no sertão da Bahia, onde o ator viveu a infância. Depois da construção de uma barragem, a cidade foi submersa e milhares de moradores foram obrigados a sair de lá.
Entre eles estava Wagner, ainda criança.
“Ele carrega tanto esse menino do sertão, que ele brinca – e de Salvador também –, brinca da gente falar como no sertão, ‘amém nós tudo’, né, ‘venha com tudo’”, diz Marcelo Flores, ator e amigo de Wagner Moura.
‘OVNI’ em Salvador
De volta a Salvador, onde nasceu, a adaptação não foi imediata.
Na escola, o comportamento reservado e o repertório diferente fazem com que ele fosse visto como alguém fora do padrão — quase como um extraterrestre.
“Ele era muito na dele, era um cara que escolhia muito as amizades”, conta Fábio “Barbosão”, dentista e amigo do ator. “E ele tinha um apelido chamado ‘OVNI’.”
Ainda assim, Wagner construiu amizades duradouras, em especial com Barbosão, seu companheiro desde o primeiro dia de aula.
A relação seguiu pela adolescência e permanece até hoje.
Entre o teatro e o jornalismo
O início da vida profissional de Wagner Moura foi marcado pela passagem por diferentes áreas.
Na dúvida sobre seguir no teatro, ele apostou no jornalismo e trabalhou como repórter de TV e em jornal impresso.
“E como jornalista, eu acho que tem essa função que é a escuta. O Wagner fala muito, mas ele escuta muito”, revela Franciel Cruz, escritor e amigo de Wagner Moura.
Foi no teatro que diretores perceberam rapidamente a força de Wagner Moura em cena.
Reprodução/Fantástico
Mesmo nesse período, Wagner não se afastou da atuação. Foi no teatro que diretores perceberam rapidamente a força de sua presença em cena.
Ainda jovem, ele já chamava atenção pela maturidade emocional e pelo nível de entrega ao trabalho.
“Tive que disfarçar esse choque, porque eu verifico: esse cara parece que viveu mil vidas. Wagner tinha 20 e poucos anos e parecia que tinha 60, 70”, diz Fernando Guerra, diretor de teatro.
Segundo amigos e profissionais que trabalharam com o ator, essa intensidade também aparecia na forma como ele construía os personagens.
Wagner fazia anotações em cadernos, se cobrava muito e questionava o próprio desempenho.
A autocrítica se tornou uma marca de seu processo criativo, ao lado da disposição para transitar por diferentes linguagens.
A música entre amigos
Essa abertura para experimentar não ficou restrita à atuação.
A música também se tornou um espaço importante na trajetória de Wagner Moura, seja nos vocais assumidos em projetos pontuais, seja na banda “Sua Mãe”, formada com amigos de longa data.
O grupo faz releituras de músicas populares brasileiras e reforça a ligação do ator com referências culturais que marcaram sua formação.
O lado agregador de Wagner também se manifesta nesses momentos. Mesmo com o avanço da carreira internacional, ele mantém o hábito de reunir os amigos e cultivar a convivência.
“A primeira coisa que ele fala é avisar para a galera: ‘galera, estou aqui, estou chegando, vamos nos encontrar para a gente fazer um som’”, afirma Ede, amigo e guitarrista da banda Sua Mãe.
Para quem convive com ele, o sucesso não apaga o menino do sertão nem o jovem deslocado de Salvador.
Wagner Moura no tapete vermelho do Oscar 2026
Frederic J. Brown / AFP
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