A Austrália é conhecida por ter os animais mais bizarros do mundo todo. Ornitorrinco que bota ovos, cangurus que andam saltando e uma enorme variedade de espécies venenosas ajudam a sustentar a fama dessa fauna.
De primeira, a aparência e o comportamento desses animais podem até parecer estranhos, mas a explicação vem da história geológica do continente australiano.
“A Austrália abriga linhagens muito antigas que se diversificaram sem a influência direta de grandes mamíferos comuns em outros locais do mundo. Isso resultou em combinações anatômicas e fisiológicas pouco familiares, como mamíferos que botam ovos (ornitorrinco), marsupiais com bolsas (canguru) e alguns dos animais mais venenosos do mundo”, explica o médico veterinário Edilberto Martinez, do Centro Integrado de Comportamento Animal, em Brasília.
Continente isolado por milhões de anos
Há mais ou menos 45 a 50 milhões de anos, a Austrália se afastou de outros continentes e ficou cercada pelo oceano. Desde então, muitos animais que surgiram em outras partes do mundo não conseguiram chegar até lá.
Isso fez com que as espécies que já viviam na Austrália seguissem seu próprio caminho evolutivo com o passar do tempo. Sem a presença de mamíferos que são comuns em outros continentes, como leões, lobos e felinos, os animais australianos tiveram menos concorrência por espaço e alimento.
Com isso, as espécies antigas foram se espalhando por ambientes diferentes e conseguindo se adaptar, dando origem a animais que só existem no país.
“O isolamento geográfico é um fator extremamente relevante na formação de novas espécies. Uma população de uma determinada espécie, quando isolada, sofrerá mutações que não poderão mais escapar para sua população de origem, que agora está longe”, ressalta o professor de biologia Marcello Lasneaux, da Heavenly International School, em Brasília.
5 animais bizarros que só vivem na Austrália
- Diabo-espinhoso (Moloch horridus): lagarto pequeno, coberto de espinhos, muda de cor para se camuflar e se alimenta de formigas.
- Lagarto-de-gola (Chlamydosaurus kingii): lagarto que abre uma “gola” ao redor da cabeça para assustar predadores e parecer maior.
- Aranha-teia-de-funil (Atrax robustus): aranha muito venenosa, comum na região de Sydney, conhecida pelo comportamento agressivo quando é ameaçada.
- Casuar (Casuarius): ave grande e rápida, com garras muito fortes e comportamento agressivo.
- Kookaburra (Dacelo novaeguineae): ave conhecida pelo canto que lembra uma gargalhada, usada para marcar território.
Veneno como estratégia de sobrevivência
A Austrália tem muitas espécies venenosas, principalmente cobras, aranhas e outros animais pequenos. Isso está ligado às condições do ambiente, que costuma ser seco e com menos oferta de alimento.
O veneno ajuda esses animais a capturar a presa mais rápido e a se defender sem precisar de confronto físico. Mesmo assim, os animais venenosos não são necessariamente mais agressivos que os outros — a maior parte dos acidentes acontece quando eles se sentem ameaçados e tentam se proteger.
O domínio dos marsupiais
Outra característica bem marcante da fauna australiana é a predominância de marsupiais, como os cangurus e os coalas. Isso aconteceu porque, quando o continente se separou do resto do mundo, tanto os antepassados desses animais já viviam ali como muitos outros mamíferos também não chegaram ao território.
Sem tantos concorrentes, os marsupiais ocuparam vários tipos de ambientes: alguns viraram herbívoros, outros caçadores, escavadores ou animais que viviam nas árvores.
Além disso, o modo de reprodução em que o filhote nasce pequeno e continua se desenvolvendo na bolsa da mãe também ajudou esses animais a se adaptar bem às condições do país.
Animais da Austrália sob ameaça
Mesmo com tanta diversidade, muitos animais da Austrália correm risco de desaparecer. Um dos principais motivos são os incêndios florestais, que estão mais frequentes e destroem áreas grandes onde esses animais vivem.
Além disso, a entrada de espécies trazidas de outros países, como gatos e raposas, e as mudanças no clima diminuem a oferta de alimento e água. Como muitos animais australianos dependem de ambientes muito específicos, eles têm mais dificuldade para sobreviver quando o lugar onde vivem muda.
Nesse contexto, entender como essa fauna se formou e como ela funciona é muito importante porque ajuda os pesquisadores a criarem medidas de proteção e evitar a perda dos animais que só existem na Austrália.












