Pesquisadores japoneses descobriram que 28% dos microplásticos presentes em fertilizantes revestidos com polímero (FRP) acabam se acumulando nas praias.
Para os pesquisadores, o trabalho demonstra a importância de colocar as praias no patamar de sumidouros potencialmente importantes para a movimentação da poluição causada pelos mini pedaços de plásticos.
O estudo liderado pela Universidade Metropolitana de Tóquio, no Japão, teve os resultados publicados em meados de dezembro na revista científica Marine Pollution Bulletin.
Atualmente, estima-se que 90% dos plásticos espalhados pelos oceanos não sejam mais visíveis. As principais hipóteses são de que eles tenham ido para o fundo ou ficaram presos em sumidouros naturais. Encontrar onde os microplásticos estão “escondidos” é essencial para reduzir os níveis de poluição nas águas e proteger a vida marinha e humana.
Microplásticos nas praias
Os cientistas escolheram os FRPs como alvo de estudo pois são bastante utilizados no cultivo de arroz no Japão e na China. Pesquisas já mostraram que 50% a 90% dos microplásticos achados em praias japonesas são provenientes dos fertilizantes.
No entanto, ainda faltava compreender como acontecia o deslocamento dos detritos para os cursos d’água e como o trajeto poderia influenciar onde o plástico iria estacionar.
Ao analisar 147 áreas de pesquisa em 17 praias japonesas, os cientistas se concentraram em dois tipos de ambiente: terras agrícolas próximas à foz de rios e campos que drenavam a água diretamente ao mar.
Nas primeiras, em que a drenagem dos fertilizantes passava por rios antes de chegar às praias, apenas 0,2% do plástico chegava às águas da costa. 77% do material ficava retido nas terras agrícolas, enquanto 22,8% ficava em alto mar, não chegando na área de banho.
Já nos campos que drenavam a água diretamente ao mar, 28% do material plástico ia para as praias próximas. Segundo os pesquisadores, as ondas e a força dos marés são as principais responsáveis por levar os microplásticos para a costa, criando sumidouros temporários dos detritos.
“Essas grandes diferenças entre o escoamento fluvial e a drenagem direta destacam a complexidade do processo de transporte de plásticos de fertilizantes, que é influenciado pela vazão dos rios, correntes costeiras, ação das ondas e dinâmica das marés”, escrevem os autores nos artigos.
Por meio de técnicas de raio X, também foram identificadas alterações em vários dos microplásticos recolhidos durante a pesquisa. Alguns fragmentos ganharam camadas de óxido de ferro e alumínio, o que os tornaram mais pesados e, consequentemente, mais difíceis de serem levados por ondas até às praias.
Ainda serão necessários mais estudos para dar mais detalhamento sobre a movimentação dos microplásticos pelo ambiente marinho. No entanto, a nova descoberta coloca as praias como alvo dos próximos trabalhos sobre o assunto.












