Cuiabá/MT, 7 de março de 2026.

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Buraco negro devorador de estrelas libera explosão energética recorde

Cientistas observaram a explosão mais energética já vista emanando de um buraco negro, segundo um estudo publicado na última terça-feira (4) na revista Nature Astronomy. Em seu pico, ela chegou a ser 10 trilhões de vezes mais brilhante que o Sol.

O buraco negro em questão tem um tamanho estimado em 300 milhões de vezes a massa do Sol. Ele está localizado em uma galáxia a cerca de 11 bilhões de anos-luz da Terra —um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, 9,5 trilhões de quilômetros. Acredita-se que haja um buraco negro, objetos densos com atração gravitacional tão forte que nem mesmo a luz consegue escapar, no centro da maioria das galáxias.

Segundo os autores do estudo, a explicação mais provável para o clarão é que uma grande estrela tenha sido puxada para o buraco negro. Esse processo resultaria em uma explosão de energia quando o material da estrela condenada atingia o ponto sem retorno do buraco negro.

Os pesquisadores disseram acreditar que a estrela tinha pelo menos 30 vezes —e talvez até 200 vezes— a massa do Sol. Ela pode ter feito parte de uma população de estrelas na vizinhança do buraco negro e, de alguma forma, acabou ficando muito perto dele após alguma interação com outro objeto.

“Parece razoável que ela tenha se envolvido em uma colisão com outro corpo, com mais massa, em sua órbita original ao redor do buraco negro, o que a derrubou para dentro dele”, afirmou o astrônomo Matthew Graham, autor principal do novo estudo.

“Ela foi colocada em uma órbita muito mais elíptica, o que a deixou muito mais perto do buraco negro em sua passagem mais próxima. Perto demais, como se descobriu”, acrescentou o pesquisador do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia).

Buracos negros supermassivos são cercados por um disco de gás e poeira, que é atraído para dentro deles depois de ser capturado por sua força gravitacional.

“Seja como for que aconteceu, a estrela vagou perto o suficiente do buraco negro supermassivo”, disse a astrônoma e coautora do estudo K.E. Saavik Ford, que comparou a estrela a um espaguete. “Ela foi esticada para se tornar longa e fina, devido à gravidade do buraco negro que se fortalece conforme aproxima-se muito dele. Esse material então espiralou ao redor do buraco negro enquanto caía dentro dele.”

O clarão seria o resultado do gás da estrela despedaçada se aquecendo e brilhando enquanto cai no esquecimento. A estrela que se acredita estar envolvida seria excepcionalmente grande.

“Estrelas assim são raras, porque estrelas menores nascem com mais frequência do que as maiores e porque estrelas muito maiores têm vidas muito curtas”, afirmou Ford.

Os pesquisadores suspeitam que estrelas que orbitam próximas a um buraco negro supermassivo podem aumentar em massa ao atrair parte do material que circula ao redor dele, tornando-as anormalmente grandes.

O clarão foi observado com o uso de telescópios na Califórnia, Arizona e Havaí. Os cientistas consideraram outras possíveis causas, como uma estrela explodindo no final de sua vida útil, um jato de material fluindo para fora do buraco negro ou um fenômeno chamado lente gravitacional que poderia ter feito um evento mais fraco parecer mais poderoso. Nenhum desses cenários se encaixou nos dados.

Devido ao tempo que a luz leva para viajar, quando os astrônomos observam eventos distantes como este, eles estão olhando para o passado, para uma época anterior do Universo.

O clarão aumentou seu brilho durante as observações, aparentemente conforme mais e mais material da estrela caía no buraco negro. Ele atingiu o pico em junho de 2018, quando foi 30 vezes mais luminoso do que qualquer clarão de buraco negro observado anteriormente. Ainda está em andamento, mas diminuindo em luminosidade, com todo o processo esperado para levar 11 anos para ser concluído.

“O clarão ainda está desvanecendo”, disse Graham.

noticia por : UOL

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